Excelente explicação do economista Óscar Afonso.
"26 anos depois Portugal está mais longe da média europeia do que estava no final do século passado".
A imigração foi usada para manipulação de números e para criar o enviesamento de que estamos a crescer...
Desde as Presidenciais que sinto que Portugal perdeu a oportunidade de se começar a alinhar na direção certa, no que seria um impulso transformador de desenvolvimento.
Este anúncio do fundo para empresas estratégicas é o estertor da desistência de um país cada vez mais dependente e irrelevante.
A conversa das empresas estratégicas é sempre o mesmo eufemismo socialista para torrar dinheiro dos contribuintes em empresas geridas por boys partidários sem skin in the game.
Está no pacote anunciado banca e telecomunicações. Não chegou as lições dos resgates de bancos nacionais e da Portugal Telecom.
O que Montenegro anunciou foi: sr. Contribuinte, abra a carteira que vai pagar.
O que sinalizou foi a desistência de um país minimamente independente e capaz.
O mesmo estado que ainda gere hospitais em folhas de excel e não cumpre as suas próprias leis, acha boa ideia gastar dinheiro dos contribuintes para ensinar os privados a gerir as empresas estratégicas.
Montenegro quer lançar um fundo soberano com participações em empresas estratégicas. Ou seja, os contribuintes vão pagar para termos militantes do partido de governo nas administrações de algumas empresas privadas.
@nunopgpalma_pt Falas mal dos fundos europeus. Montenegro responde com a criação de um fundo soberano para entrar em empresas privadas estratégicas. Montenegro a ser socialista!
☢️Reflexão da Cooperativa: Belfast e Paris, duas faces da mesma moeda
Vândalos são vândalos. Uns porque tinham o cachecol da festa, outros com um pretexto moral que aparentemente os ligita a atacar casas de famílias que não furaram o olho a ninguém. E que eu saiba, também não queriam cortar cabeças por aí à machadada. A civilização começa precisamente aqui camaradas, no momento em que se percebe que a fúria não pode ser pretexto.
Belfast não é bem justiça popular. Justiça popular seria ir atrás do criminoso e aplicar-lhe o corretivo medieval do costume. Aqui não foi isso. Aqui pagaram todos por tabela. Pagaram por serem imigrantes, por terem a porta errada, o sotaque errado, a nacionalidade errada. Mas verdade seja dita, não faz deles criminosos.
Paris, nos festejos do PSG, mostrou a outra versão da mesma falência. A festa transformada em pilhagem, a vitória convertida em desculpa para partir montras, queimar carros e brincar às barricadas. Mas a lógica era a mesma, podemos porque somos muitos.
Mas Belfast traz ainda uma camada mais feia. Há obviamente uma tensão que ninguém devia fingir que não existe. A culpa não é de quem vem procurar vida, nem de quem acaba a viver no meio de comunidades que não escolheu. A culpa é das políticas e dos políticos. Governou-se como se integração fosse uma formalidade tipo visto de trabalho; que bastava repeti-la em voz alta, bater com a varinha mágica na cabeça e ficávamos todos ocidentais, muito fofos, e vivíamos felizes para sempre, de mão dada, a dançar em torno de lagos.
Pois. Não foi. Não é, não será.
⚠️
Importas o terceiro mundo, já sabes, tornas-te nele. É uma evidência. É lógico. Quanto maior for o seu peso na sociedade, mais ele te arrasta para baixo. Pelo óbvio. Há culturas diferentes, códigos diferentes, religiões diferentes, hábitos diferentes, expectativas diferentes. Isto não é insulto, é a realidade a bater à porta. O problema começa quando as elites tratam diferenças profundas como se fossem pormenores. Sempre se disse isto, mas era proibido dizer. Importar pobreza extrema, conflitos antigos, comunidades sem ponte cultural suficiente e chamar a isso enriquecimento cultural não é gernerosidade humana; é engenharia social feita por gente que vive longe das consequências. ⚠️
Belfast e Paris não são iguais. Mas pertencem à mesma coleção. São o retrato de sociedades que perderam autoridade, o respeito, a urbanidade, por implosão, nem é bem tipo cavalo de Tróia.
Tenho dito.
o dono da cooperativa
Europeístas, progressistas, como eu, só podem defender uma revisão profunda do edifício institucional da UE. Mas, lá está, isto não se discute nos campos de férias da @EU_Commission@CE_PTrep.
Deixo aqui o meu contributo. 2/2 https://t.co/HMiqg7NkaC
Sempre que o sul do Líbano volta às notícias, repete-se uma leitura. Há vozes radicais que dão o Irão como defensor das populações libanesas e cada golpe israelita em solo libanês como agressão a um país soberano e a um povo alheio à contenda. Leitura de aparência humanitária e enormes consequências políticas. E errada na raiz.
O equívoco começa pelo que omite: o que o Hezbollah é. Não é verdadeiramente um partido libanês com uma milícia ao lado. É o destacamento avançado do poder iraniano no Levante, a primeira linha de uma rede de proxies para projectar Teerão além das fronteiras. Foi armado, financiado e doutrinado para isso. A sua razão de ser não está em Beirute, mas em fazer do sul do Líbano uma plataforma de dissuasão e de ataque ao serviço de outra capital.
É, por isso, um implante, não um partido. A origem está na Guarda Revolucionária iraniana, que o ergueu nos anos oitenta sobre um terreno já minado pela infiltração armada palestiniana. O implante pegou e enraizou-se numa comunidade xiita real, que serve e ao mesmo tempo explora. Mas o tronco continua a vir de fora. E não é preciso ir buscar a tese a Telavive nem a Washington.
O próprio presidente libanês, Joseph Aoun, antigo chefe das Forças Armadas, voltou a dizê-lo esta semana, ao acusar Teerão de usar o Líbano como moeda de troca com os Estados Unidos e de fazer os libaneses pagar o preço dos seus interesses. É o mesmo presidente que insiste, contra a resistência do grupo, em que só o Estado pode deter armas.
Daqui decorre o que a moldura humanitária cala. Bater no Hezbollah em solo libanês é, estruturalmente, bater em capacidade iraniana adiantada. Não é agredir propositadamente o Líbano.
É atingir o braço que o Irão estendeu até lá.
A diferença não é retórica: separa um mapa de Estados de um mapa de poder.
Quem só vê o primeiro indigna-se com a violação de uma fronteira.
Quem vê o segundo percebe que a fronteira já fora violada por dentro, e há muito.
Um parêntese sobre quem nos conta isto. Há repórteres portugueses no Líbano que compram a dor local a metro, talvez porque dali não se diz tudo impunemente, e tratam um braço armado de Teerão como se fosse apenas população civil, atirando a culpa inteira para quem responde aos seus disparos.
Convém, ainda assim, não exagerar a tese, sob pena de cair no erro inverso.
O Hezbollah é as duas coisas ao mesmo tempo: instrumento iraniano e, hoje, actor com poder interno, já com alguma base social, inclusivamente com assento parlamentar e raízes comunitárias.
Dizer apenas que rapta o Líbano é cómodo e em parte verdadeiro, mas é meia verdade. Já lá vai o tempo.
Captura uma parcela do Estado e é, ao mesmo tempo, por ocupação, uma parcela real da sociedade.
A sua força vem dessa ambiguidade. Não é apenas um ocupante. É também inquilino com chave própria.
O erro da leitura corrente não está em reconhecer a dimensão libanesa, mas em a usar para apagar a outra.
Tratando o Hezbollah apenas como vítima, ou como expressão autónoma de um povo, transforma-se um vector de capacidade iraniana num agredido, e a resposta a essa capacidade em agressão gratuita.
É um procedimento antigo. Promove-se o proxy a sujeito independente quando convém condenar quem o ataca, e rebaixa-se a mero povo quando convém ilibar quem o arma.
O mesmo actor muda de natureza conforme a tese a provar.
O Líbano é, de facto, vítima nesta história. Mas a primeira mão a tomá-lo como refém não veio do sul, de Israel. Veio de leste, de mais longe, e instalou-se dentro de portas.
Ignorá-lo não é defender o Líbano. É defender quem o ocupa por dentro, com a comodidade de o fazer em nome dele.
#Líbano #Hezbollah #Irão #Israel #Geopolítica #Lebanon #Iran
Para se perceber o caso Henry Nowak e a actuação da polícia britânica tem de se perceber a infiltração das mesma pelo radicalismo islâmico. Vejamos:
O órgão oficial que representa os agentes de polícia muçulmanos na Grã-Bretanha classificou o sionismo como “uma das manifestações do ódio antimuçulmano”, descreveu as Forças de Defesa de Israel como um “grupo terrorista sionista»” e defendeu o Hamas contra “notícias não confirmadas sobre atos de violência”.
Esta está longe de ser a primeira controvérsia a envolver a Associação Nacional de Polícias Muçulmanos
As alegações inflamatórias são feitas pela Associação Nacional de Polícias Muçulmanos (NAMP) num documento de orientação sobre “combater o ódio antimuçulmano”, redigido pelo seu então vice-presidente, Khaldoun Kabbani, publicado no seu site no ano passado, mas que só agora foi divulgado.
Na sequência do escândalo de Henry Nowak, o documento aumenta as preocupações de que a polícia britânica esteja a ser corrompida a partir de dentro por políticas identitárias extremistas e de revolta.
Também suscitará mais preocupações sobre a controversa definição do Governo de “hostilidade antimuçulmana”. O documento da NAMP pretende ser uma contribuição para o que o termo deve abranger.
A NAMP está afiliada a pelo menos 16 das 43 forças policiais britânicas e tem um papel nacional formal no seio da polícia. O College of Policing — o órgão profissional oficial da polícia, uma organização independente do Ministério do Interior — elogia a NAMP como “uma parte importante do policiamento” que desempenha “um papel crucial no apoio à nossa força de trabalho” e desenvolveu orientações conjuntas com a NAMP sobre assuntos que incluem a oração e o Ramadão.
Este último recomenda que a polícia conceda um tratamento especial aos suspeitos muçulmanos, incluindo que “os horários de oração e jejum sejam tidos em consideração ao planear buscas em residências muçulmanas” e que aos suspeitos muçulmanos detidos sejam concedidos 30 minutos entre o fim do jejum e os interrogatórios.
A NAMP também colabora com o Conselho Nacional de Chefes de Polícia, realizando workshops com eles e tendo permissão para apresentar ao grupo consultivo de contraterrorismo do NPCC um pedido para que o termo “terrorismo islamista” seja abandonado, porque “a sua utilização pela polícia contribui para crimes de ódio religioso”.
A mentalidade por trás desta exigência ridícula — desde 1999, 94% das mortes por terrorismo na Grã-Bretanha foram causadas por islamistas — torna-se clara a partir do documento que revelamos hoje. Nele, a NAMP defende especificamente uma organização terrorista islamista, o Hamas, contra “histórias alarmantes e não verificadas sobre atos de violência” por ela cometidos em e após 7 de outubro de 2023, “incluindo alegações de decapitações e agressões. Estas notícias contribuíram significativamente para aumentar o ódio contra o Islão”.
( o artigo é mais longo fica aqui o essencial )
TORTO E DIREITO
O assassínio de Henry Nowak e a tragédia de uma ideologia “anti-racista” que não é mais do que uma agenda sinistra de dissolução e subjugação.
Quem vai ajoelhar por Henry Nowak cujas últimas palavras foram “I can’t breathe”?
@SICNoticias https://t.co/FWIPt8Oe5b
Mais um sector em que os interesses nacionais são postos de lado. Eu junto o da ferrovia que nos últimos 15 anos cresceu imenso em Espanha e em Portugal diminuiu.
Fica claro que os espanhóis percebem muito pouco de aviação de combate.
Não há outra explicação. Enquanto Portugal acumula décadas de experiência operacional em F-16, enquanto os nossos oficiais publicam posts detalhados nas redes sociais a explicar porque o F-35 é a única escolha racional, os espanhóis ali ao lado, alheios à nossa superior sabedoria aeronáutica, foram na direcção oposta. Investiram no Eurofighter Tranche 4 com radar AESA e míssil Meteor, encomendaram mais 20 aparelhos do Halcón I, têm o Halcón II a caminho, e estão simultaneamente no programa FCAS de 6ª geração com França e Alemanha. Uma estratégia industrial, operacional e tecnológica coerente com horizonte de 30 anos. Claramente não sabem o que estão a fazer.
Brincadeiras à parte, o que Espanha tem que Portugal aparentemente não tem é uma decisão tomada com arquitectura estratégica completa, e não uma decisão tomada e depois justificada publicamente por uma miríade de oficiais nas redes sociais e na imprensa especializada, cada um com os seus disclaimers de experiência em F-16 e as suas seis razões capitais.
A Força Aérea espanhola não tem oficiais a publicar posts a defender o F-35. Tem uma estratégia industrial, operacional e tecnológica coerente que dispensa a polémica pública.
Em Portugal, o que se passa é o inverso. O que é difícil de compreender não é a existência do debate, mas a sua natureza. Uma quantidade invulgar de comentadores, muitos deles ainda em funções oficiais, tem vindo a ocupar as redes sociais e a imprensa especializada com uma narrativa convergente e surpreendentemente uniforme a favor do F-35. Que oficiais no activo se pronunciem publicamente sobre uma decisão de aquisição desta dimensão, sem qualquer análise de custo total, sem referência à disponibilidade operacional documentada, e sem uma palavra sobre a dependência soberana que a escolha implica, é algo que só tem uma explicação plausível: não estão a contribuir para um debate, estão a executar uma orientação.
O problema é que nenhuma dessa orientação responde às perguntas fundamentais: qual o custo total de propriedade ao longo de 30 anos para um país com o orçamento de defesa de Portugal, como se resolve a dependência operacional de software controlado por Washington num momento em que a fiabilidade estratégica americana deixou de ser uma constante, e que capacidades críticas ficam por financiar para pagar a sustentação de uma frota com 50% de disponibilidade operacional confirmada pelos próprios auditores americanos e britânicos.
Espanha tem missões parecidas com as nossas. O mesmo Atlântico, os mesmos compromissos NATO, o mesmo flanco sul, e territórios ultramarinos para proteger. E chegou a uma conclusão radicalmente diferente, não por um capricho deste governo, mas por uma estratégia que atravessa governos e que coloca o interesse industrial, a soberania tecnológica e a sustentabilidade financeira no centro da decisão.
Quando um país vizinho com quem partilhamos fronteira, história e obrigações aliadas faz uma escolha oposta à nossa, a pergunta inteligente não é quem tem razão. É perceber se a nossa escolha foi feita com a mesma profundidade de análise, ou se foi feita primeiro e analisada depois.
https://t.co/EnnBuGHT0p
Não fosse o Miguel Morgado e o caso de Henry Nowak não seria do conhecimento do grande público.
⚠️A era da pós-verdade.....
Todas as segundas à noite, na SiC Notícias.
Imperdível.👑
@alex_d_guerra Com inconstância decisória da atual da administração americana e com a redefinição geopolítica mundial sou da opinião que seria um erro optar pela aquisição dos F-35. Ficaríamos nas mãos deles, pois eles não disponibilizam todo o software daqueles.
A Berkshire Hathaway é provavelmente a empresa com pior entendimento do mundo.
Toda a gente conhece o nome, quase ninguém percebe o que ela realmente é... e é precisamente por isso que o debate à volta dela continua a ser tão superficial.
Não é um fundo de ações. Não é uma holding passiva. É uma cultura de alocação de capital construída ao longo de décadas, com uma filosofia tão simples que a maioria das pessoas não consegue levá-la a sério.
O Buffett não acumula cash porque tem medo do mercado. Acumula porque olha para o que lhe pedem e não acha que compensa.
Não é macro, não é timing... é lógica básica de risco/retorno aplicada com uma disciplina que quase ninguém consegue manter quando toda a gente à sua volta está a comprar.
O problema é que vivemos num mundo que recompensa a atividade. Quem faz mais parece mais inteligente, quem fala mais parece mais informado, quem compra e vende mais parece mais envolvido.
A Berkshire faz o oposto... e é precisamente isso que a torna extraordinária. Em quase 60 anos de gestão, o Buffett tomou centenas de decisões. Mas se lhe perguntares o que realmente construiu tudo aquilo, foram pouquíssimas. Uma mão-cheia de momentos onde ele reconheceu algo raro, teve convicção suficiente para dimensionar bem, e paciência para manter durante décadas. O resto foi ruído.
Isto devia mudar a forma como pensamos sobre investir.
A maioria de nós passa o tempo a tentar estar sempre certo, a otimizar cada posição, a reagir a cada notícia. Mas a grande pergunta não é quantas vezes acertamos... é se quando acertamos deixamos o tempo trabalhar.
O Munger dizia que a grande vantagem do investidor individual não é ter acesso a mais informação. É ter tempo. Não ter de justificar nada a ninguém, não ter pressão trimestral, poder estar meses aparentemente errado numa posição e simplesmente aguardar. Essa liberdade vale mais do que qualquer modelo financeiro... e é a vantagem que a maioria desperdiça completamente por não conseguir suportar o desconforto de não fazer nada.
Ser contrarian não é ser pessimista permanente, mas sim ter a frieza de olhar para setores que toda a gente odeia, onde os fluxos saíram e a narrativa dominante é de abandono, e perguntar honestamente se o preço que nos pedem reflete realmente o valor que está ali. O Munger fez isso até ao fim da vida... comprou o que ninguém queria comprar, no momento em que ninguém queria comprar, porque os fundamentos diziam uma coisa e o preço dizia outra.
No fundo a lição da Berkshire é simples, e é por isso que é tão difícil de seguir: investe em negócios que percebes, espera por preços que fazem sentido, e quando encontras, deixa o tempo fazer o trabalho. Partilho o que penso e o que faço. https://t.co/WHSpVxbjAR
Portugal tem 1,7 milhões de km² de Zona Económica Exclusiva… e mal consegue vigiar uma fracção relevante desse espaço.
Enquanto cabos são cortados, gasodutos sabotados e as grandes potências mapeiam o fundo do mar, continuamos a tratar o oceano como mero ativo económico.
Não é ingenuidade.
É um erro estratégico grave.
Temos posição atlântica, ativos e indústria. O que falta é Estado como cliente e vontade de defender o que vale.
A minha coluna de sexta-feira no Jornal Económico:
https://t.co/AzCsh6y45h
#MarPortuguês #Geopolítica #Defesa #PortugalAtlântico