Gastamos nossa energia olhando para o passado, brigando pelo presente e quase não falando sobre o futuro.
Talvez seja isso que mais me incomode neste dia de eleição.
Estamos desperdiçando a oportunidade de discutir o que importa:
Que Brasil queremos construir daqui p/ frente?🫤
Pois é, hoje é dia de eleição e começa aquela que costumávamos chamar de “a festa da democracia”.
O problema é o gosto amargo na boca de que essa tão festejada festa deixou de ser festa há algum tempo. Está mais parecida com uma guerra. E, de democrática, parece mais distante.
Em plena eleição, estamos discutindo STF, TSE, “fake news”, impugnações, liminares, recursos e candidatos impedidos ou liberados de última hora.
E discutimos cada vez menos o Brasil.
Como crescer? Educação? Segurança? Saúde? Produtividade? Desequilíbrio fiscal?
Enquanto isso, perdemos a oportunidade de discutir o que deveria importar.
Ouvir o contraditório. Colocar candidatos frente a frente. Ouvir cada um defender aquilo que pensa para o Brasil e ser confrontado pelos adversários.
Existe algo mais democrático do que isso?
À direita, o milionário investimento de Vorcaro em Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro que toma considerável licença poética até para retratar a facada de 2018.
À esquerda, aparecem relações com Jaques Wagner, Guido Mantega, Lewandowski...
Melhor parar por aqui.
E, como pano de fundo, Daniel Vorcaro e o Banco Master: talvez um dos retratos mais desconfortáveis das relações entre dinheiro e poder no Brasil.
Relações que parecem atravessar esquerda, direita, Executivo, Legislativo e Judiciário.
Tivemos a “fake news” sobre Nossa Senhora Aparecida, a tentativa de impugnação do Missão e terminamos com a baixaria jurídica em torno do debate da Globo, que acabou cancelado.
Com direito a “fujões”, TSE e, claro, Gilmar Mendes. Não poderia faltar.
Sabe Deus o que sairá dali.
Tudo isso me faz lembrar de uma frase que, a cada episódio, parece ficar mais presente:
“Eu tô aqui pra me vingar dessa gente...”
E Deltan está longe de ser o único caso.
E agora, reverberando aquela decisão de 2023, tentam novamente varrê-lo da eleição e da política.
Sua campanha ficou praticamente duas semanas sob enorme insegurança. Ontem veio decisão do ministro Floriano. Pouco depois, foi revertida por Kassio Nunes.
E ainda teremos o plenário
Julgou-se não apenas o que Deltan fez, mas aquilo que supostamente sabia que aconteceria no futuro — ou em alguma realidade paralela.
É provavelmente o primeiro caso de “Minority Report” do planeta. Uma espécie de teoria jurídica baseada em adivinhação e tarô.
Pululam casos que, na minha visão, evidenciam dois pesos e duas medidas.
Deltan Dallagnol talvez seja um dos mais emblemáticos. Em 2023, perdeu o mandato conquistado com mais de 340 mil votos após uma decisão baseada também no que ele supostamente pretendia evitar no futuro.
Talvez seja o resultado previsível da forma como nossos políticos transformaram as indicações para os tribunais superiores em escolhas de cunho cada vez mais político.
Não faltam exemplos no STJ, TSE e STF. E por que não falar também da PGR?
Encontra-se uma tese, uma interpretação, um princípio ou qualquer argumento que justifique a decisão desejada.
Como diria nosso atual mandatário, “nunca antes neste país se viu” uma eleição tão marcada por um Judiciário vergonhosamente político.
As diversas intervenções do Judiciário, cada vez mais explícitas e acintosas, têm feito com que testemunhemos quase diariamente verdadeiras chicanas jurídicas.
E, se a decisão desta semana contradiz a da semana passada, pouco importa.
Encontra-se uma tese, uma interpretação, um princípio ou qualquer argumento que justifique a decisão desejada.
Como diria nosso atual mandatário, “nunca antes neste país se viu” uma eleição tão marcada por um Judiciário vergonhosamente político.