Fernando Schüler: sempre preciso. 👏👇
Nos tornamos uma sociedade do medo
Por Fernando Schüler (Estadão, 18/4/26)
“”Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições”, diz o ministro Toffoli em seu discurso, no STF, contra o relatório do senador Alessandro Vieira. A frase funciona como uma síntese do transe político brasileiro, dos últimos anos.
O roteiro é conhecido: denunciar condutas dos ministros equivale a um ataque ao Tribunal, como “instituição”. E logo, uma agressão à própria democracia. O ministro também afirma que “sabe” por que o senador fez aquele relatório: uma “aventura para obter votos”. E daí a ponte para o crime eleitoral. O desfecho semanal do caso todos conhecem. O senador passou ele mesmo à condição de investigado. E a partir daí seu futuro político é incerto.
Observem que há um padrão, nisso tudo. O ministro Toffoli foi o mesmo que abriu o inquérito sobre fake news, no início de 2019. Alguém lembra do motivo? Não havia nada em especial. Eram os mesmíssimos “ataques” aos integrantes do Tribunal, cuja conduta – seja ela qual for – passa sem muitas sutilezas a se confundir com a “instituição”, e logo com a “democracia”.
O primeiro ato é a censura da Revista Crusoé. Se há realmente um risco às instituições, o que deveria impedir a censura a uma revista? Por vezes me pergunto se teríamos chegado ao ponto em que chegamos se, ao invés de censurar aquela investigação jornalística, tivéssemos feito o contrário. Levado a sério. Ido adiante. Investigado, de fato, o que havia para investigar. Em uma democracia, é assim que funciona.
O jornalismo produz pistas, mas não dispõe de poder. Se a máquina do Estado não se move, é provável que muita coisa vai se acumulando debaixo de um enorme tapete. E por vezes é a imagem que me surge, quando penso no Brasil de hoje.
Depois daquele episódio, o padrão se fixou. Foram anos de censura e coisas piores a quem praticasse qualquer modalidade de “ataque” ao Tribunal ou a seus integrantes Na maior parte das vezes, coisas bizarras. O ativista que aponta o dedo médio para o prédio do Supremo (não é piada), o PCO, pequeno partido comunista, com seu tuíte que (quase) ninguém leu, dizendo alguma coisa sobre o STF que ninguém se lembra; a família de turistas que diz algum impropério em um tom mais elevado, em um aeroporto europeu.
O padrão se seguiu com o caso Tagliaferro. Sua crítica não era feita de xingamentos ou palavrões. Era uma denúncia sobre um sistema de abuso de poder. Alvos pré-definidos (como aquela “revista conservadora”), produção de provas, perseguição de pessoas por suas opiniões políticas, quebra do devido processo legal.
Tagliaferro era um funcionário público e trabalhou no núcleo do poder. Suas denúncias têm fundamento? Não há como saber. Ao invés de investigar, é o denunciante que é convertido em réu. Novamente, o “padrão”. O sistema de poder se fecha, rechaça – com uma nota – qualquer responsabilidade. Se volta contra o elemento “crítico”. E de novo me pergunto se não estaríamos melhor caso tivéssemos levado à sério, investigado com isenção aquelas denúncias, ao invés de empurrar para debaixo do tapete. E mais uma vez, não encontro uma boa resposta.
O padrão, por estes tempos, segue intacto. Um jornalista ou blogueiro, no Maranhão, arrisca investigar um carro usado pelo ministro e termina na Polícia Federal. Mesmo destino do presidente da Unafisco. Sua crítica de que há mais medo de se investigar certas autoridades do que o crime organizado deveria preocupar o País. Mas ela era um “ataque”, não é mesmo? E era crucial, para nossa democracia, que ele também terminasse de bico fechado.
Tudo isso para dizer que não há grande novidade neste processo que agora se abre contra o senador Alessandro Vieira. Ele se converte, na prática, em nosso novo Tagliaferro. Ao sugerir uma investigação dos “de cima”, torna-se ele mesmo o “investigado”. E por aí seguimos.
Uma sociedade democrática vive da controvérsia e do risco. A imunidade parlamentar, em especial, é um tipo de licença que a Constituição garante inclusive para o “erro”. Pela razão simples de que sem a possibilidade do erro, não há tomada de risco. O senador pode estar errado em seu relatório. Em uma democracia, haverá sempre uma divergência sobre temas como este. Mas é seu direito, sua função e sua prerrogativa dizer o que pensa, em um relatório. Sem isso, não há parlamento que possa funcionar.
Se um senador é punido por uma opinião, em um relatório, a pergunta correta a fazer: qual o efeito inibidor que isto tem sobre os demais parlamentares? É o mesmo padrão que se viu na censura a Cleber Cabral: qual o efeito sobre os demais líderes associativos? E sobre o “blogueiro” do Maranhão: que impacto sobre os demais jornalistas independentes, que pensam em arriscar alguma investigação?
O resultado disso é a criação de uma sociedade do medo. No fundo, é este o problema com o “padrão”. Ele irradia um efeito inibidor, na sociedade. E vai consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita. A qualquer hipótese de investigação. De um modo mais amplo, imune ao sistema de freios e contrapesos, que define a alma da vida republicana.”
José Dirceu, o ex-mensaleiro que coordenou a VERDADEIRA tentativa de golpe ao desviar verba pública para transformar o Legislativo em órgão de chancela do Executivo, fez um dos comentários mais reveladores últimos tempos:
"[Jornalista]: Os escândalos [Master, INSS, Lulinha etc.] sobrepuseram a tudo.
[Dirceu]: Sim, e nós vamos disputar a eleição para discutir os problemas do Brasil ou, novamente, a corrupção?
O [ex-presidente] Jânio Quadros ia acabar com a corrupção, o Collor ia acabar com a corrupção, o Bolsonaro também. A ditadura militar se dizia contra a corrupção. E deu no que Deu.
Eu, de verdade, acredito que nós temos condições de retomar a pauta que interessa ao país".
Quero vos lembrar que esse é o mesmo Dirceu que, nos anos 90, foi um dos principais articuladores da campanha pela "ética na política", voltada para moralizar a República que, segundo os petistas na época, havia se tornado a "mais corrupta do mundo"... por causa das privatizações do FHC. O que aconteceu quando ele o PT chegaram ao poder? Progatonizaram os maiores escândalos de corrupção e tentativa de golpe desde 1964.
E agora? Dirceu afirmou que a corrupção não é pauta importante para o país, e que tentar acabar com ela aparentemente é inútil porque "deu no que deu", isto é, na volta do próprio Zé Dirceu à relevância política. Então, talvez ele esteja certo: se uma pessoa com o passado dele é convidada a opinar sobre corrupção, ética e justiça no maior jornal do país, em vez de ser presa, ostracizada ou ridicularizada, então a corrupção deixou de ser um problema real e se transformou apenas em uma nota editorial para gerar ad sense.
Não consigo pensar em nenhuma outra figura política brasileira que represente tão bem a falência generalizada do país quanto Zé Dirceu. Sua mera existência pública é extremamente desmoralizante.
Muitas vezes escrevi sobre este caso, um dos tantos absurdos de um País absurdo. Felizmente agora revisado. Oxalá possamos aprender alguma coisa com isso tudo.
https://t.co/drPde521Y7 via @Poder360
@Stef1ski Lol, imagine thinking that a democracy with 10 million people is the obstacle to "world peace" and not the Arab dictatorships with 450 million trying to destroy it for nearly 80 years.
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Sororidade seletiva
Thaís Oyama, O Globo (14/03/2026)
Ataques a jornalista são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu
Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.
Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.
Trata-se de silêncio que não se observou quando outras igualmente valorosas profissionais da imprensa expuseram malfeitos de bolsonaristas e foram por eles atacadas. Nesses casos, as jornalistas receberam um uníssono coro de solidariedade vindo de coletivos feministas e organizações de mulheres que não soltam a mão de ninguém e consideram um ataque a uma jornalista mulher como ataque a todas as jornalistas mulheres. Desta vez — em que o foco das reportagens é não um presidente de direita, mas um juiz eleito herói da resistência pela esquerda —, porém, nenhum desses grupos encontrou algo para dizer em defesa de Malu Gaspar.
Mais que não ser defendida, ela vem sendo atacada por setores da esquerda. Militantes petistas pedem abertamente sua demissão, e sites de esquerda estimulam a perseguição a ela (não por coincidência, alguns desses sites figuram nos autos do inquérito Master como fregueses da generosidade suspeita de Vorcaro, mas essa já é uma conversa que transcende a hipocrisia ideológica — é assunto de polícia).
Dos teclados desses militantes saem as mais sórdidas fake news — e também as mais hilariantes desculpas para o indesculpável (o troféu cara de pau fica com a feminista que invocou o imperativo do respeito à “independência profissional das mulheres” para justificar o contrato milionário de Viviane de Moraes com Vorcaro, numa mostra de que, ao contrário de quase tudo na vida, o cinismo e a capacidade de autoengano não conhecem limites).
Nada disso chega a surpreender. Historicamente, a esquerda fundamentalista, sempre indulgente com modelos totalitários, não se vexa em trocar seus alegados princípios pela proteção de seus vilões preferidos — como podem confirmar, das profundezas do inferno, camaradas de mãos ensanguentadas e um punhado de aiatolás recém-chegados. A mesma condescendência, essa esquerda dedica a seus suspeitos de estimação.
Um ministro do STF tinha encontros recreativos com um banqueiro adepto de práticas financeiras heterodoxas? Foi flagrado pela Polícia Federal trocando mensagens com esse banqueiro no dia de sua prisão? Respondeu com mensagem de visualização única à pergunta “Conseguiu ter notícias ou bloquear”? Sua mulher tinha um contrato de R$ 130 milhões com o agora ex-banqueiro-presidiário? Não tem importância. Salvo-conduto moral para os heróis da turma, e que ardam nas redes aqueles que ousarem colocá-los sob má luz.
Foi o que fez Malu Gaspar como consequência de uma apuração profissional rigorosa. A jornalista não precisa que ninguém a defenda — sua trajetória e reputação cumprem com sobra esse papel. Mas é desolador constatar que, para os fundamentalistas da esquerda brasileira, nas revoluções como nos escândalos, princípios só valem quando servem para atacar o inimigo; é lícito e legítimo linchar quem aponta o dedo para um aliado; e todos os fatos merecem ser revelados, à exceção dos inconvenientes.
Ataques a Malu Gaspar são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu.
O blog de esquerda que ajudou o sistema a sabotar o combate à corrupção, garantindo boquinha em TV estatal a um de seus editores, agora promove o antissemitismo no Brasil.
Depois de espalhar ilações sobre conteúdo não autenticado de mensagens roubadas por hackers, lança contra todos os turistas israelenses a pecha de agentes do “genocídio”.
O principal efeito da sabotagem de anos atrás foi a volta de esquemas bilionários de corrupção no país, como o orçamento secreto no Congresso, o roubo dos aposentados no INSS e as fraudes de Daniel Vorcaro no Banco Master.
O principal efeito da criminalização generalizante do povo de Israel é a violência antissemita nas ruas e nos pontos turísticos brasileiros.
Mas a pretensa intelectualidade esquerdista jamais assume a responsabilidade sobre os atos perversos que ajuda a legitimar.
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Escárnio
Editorial, O Estado de S. Paulo (11/03/2026)
Explicação da mulher de Moraes sobre o contrato multimilionário com o Master ofende a inteligência alheia. A PGR tem o dever de investigar as suspeitas, mas, por ora, omite-se inexplicavelmente
Há explicações que podem convencer um juiz. Outras talvez satisfaçam um cliente. E há as que não parecem destinadas a convencer ninguém – apenas a testar até que ponto o público tolera ser tratado como idiota. Após três meses de silêncio, a nota divulgada pelo escritório da mulher e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para explicar o contrato com o Banco Master pertence a essa categoria.
O Estadão consultou 13 advogados de bancas de elite e demonstrou que o contrato de R$ 129 milhões do Barci de Moraes Advogados, que teria vigorado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 a uma remuneração mensal entre R$ 3,6 milhões e R$ 5,8 milhões, é absolutamente incompatível com o mercado. Mesmo adotando os preços do topo, o conjunto de atividades descritas na nota – reuniões, pareceres, revisão de políticas internas – dificilmente ultrapassaria R$ 7,8 milhões, no total.
Honorários superiores a R$ 100 milhões são raros e normalmente estão associados a disputas fiscais ou operações societárias bilionárias envolvendo batalhões de advogados e múltiplos escritórios. Os especialistas questionaram ainda o gabarito técnico da banca dos Moraes nas áreas contratadas. Segundo apuração de O Globo, nunca desmentida, apenas entre 2023 e 2024 o patrimônio da mulher do ministro aumentou 232%, de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões. Um fenômeno.
Ou Viviane de Moraes se transformou repentinamente na mais disputada advogada do Brasil, quiçá do mundo, ou todos os brasileiros estão autorizados a suspeitar que o contrato comprou serviços inconfessáveis.
O negócio compõe um mosaico de indícios: encontros pessoais entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e Alexandre de Moraes; mensagens interceptadas pela Polícia Federal tratando de interesses do banco (incluindo no dia da prisão do banqueiro); e contatos institucionais sensíveis, como com o Banco Central. Nada disso, tomado isoladamente, é crime. Mas, no conjunto, esses indícios compõem uma base objetiva que demanda investigação imediata. O mesmo vale para os vínculos do ministro Dias Toffoli com estruturas financeiras ligadas a Vorcaro, e suas decisões judiciais enquanto relator do caso Master.
Se fossem aplicados nesse caso os mesmos critérios que Moraes usou em processos recentes, o ministro estaria agora em sérios apuros. Moraes, por exemplo, já tratou o apagamento de mensagens em celular como ocultação de provas. Agora, há indícios de que o ministro tenha feito o mesmo com as mensagens trocadas com Vorcaro.
Uma vez que os próprios ministros Moraes e Toffoli se recusam a expor tudo às claras, a responsabilidade de dissipar – ou confirmar – as suspeitas caberia, antes de tudo, ao Ministério Público. Mas também aqui os princípios são elásticos. Em outros episódios, o procurador-geral, Paulo Gonet, amigo e apadrinhado de Moraes, já demonstrou um zelo incomum – como no caso do empresário ostensivamente investigado após supostamente hostilizar Moraes em um aeroporto, ou do ex-assessor de Moraes que, após expor evidências de manipulações processuais pelo ministro, ao invés de ser ouvido como testemunha, foi convertido em réu. Compare essa urgência fulminante com a paciência quase geológica no caso Master.
A percepção é de que a aplicação da lei pode variar, entre sonolenta e draconiana, conforme a posição institucional de quem está sob suspeita. Pela lógica constitucional, o poder emana do povo, aqueles que o exercem estão a seu serviço e, como bons funcionários, devem prestar contas de seus atos. Mas as autoridades togadas invertem essa lógica e tratam o poder como se fosse coisa sua, e os cidadãos como seus serviçais.
Pior do que uma explicação implausível é a sensação de que ela foi formulada na expectativa de que ninguém ousará questioná-la. Quando autoridades acreditam poder oferecer versões que desafiam a aritmética e o senso comum sem sequer enfrentar uma investigação, algo está profundamente pervertido na ordem republicana. O ministro Alexandre de Moraes já demonstrou inúmeras vezes que seu respeito pela lei é seletivo. Poderia ao menos respeitar a inteligência alheia.
Por óbvio, foi tudo para "salvar a democracia". Novamente, veremos uma nota "explicativa" e nenhuma investigação. E segue o jogo.
https://t.co/mkQ6BzRwXe
Apaguei um post de dias atrás sobre o Lully pq tava atraindo um esgoto podre demais até pros padrões do tuítei. E todos, apesar dos palavrōes e das ofensas mais abjetas, são super da turma do amor, claro.
“PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIAO VERSÃO 2026” por Cora Rónai
Recebi o vídeo assim que acordei. De várias pessoas. Não tive coragem de abrir imediatamente. Quando um vídeo é enviado por várias pessoas logo cedo de manhã não é bom sinal. Tomei um café forte, me mandei deixar de ser covarde e apertei play. Lá estava o professor doutor Jessé Souza — Mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, Doutor em Sociologia pela Universität Heidelberg, com pós-doutorados em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, mais livre docência em Sociologia pela Universität Flensburg, professor titular da Universidade Federal do ABC, autor ou organizador de 27 livros e mais de cem artigos ou capítulos, presidente do Ipea no governo Dilma Rousseff — explicando o Caso Epstein para nós, mortais menos titulados. Tendo lido algo da sua produção, o vídeo não chegou a ser surpresa, mas foi, ainda assim, um choque. Um baita choque.
“Meus amigos, Epstein não é um caso isolado de perversidade e maldade humana. Epstein é o produto mais perfeito do sionismo judaico. Ele não só foi financiado pelo lobby judaico, Mossad, Rothschild, mas o sionismo é a força motriz por trás de todos os crimes que foram cometidos. A rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para chantagem de Israel em relação aos políticos e bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina.
"O holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo com a ajuda de Hollywood, de toda a mídia mundial, dominado pelo lobby judaico, para acusar de antissemitismo qualquer crítica a Israel. Foi essa fraude que permitiu o holocausto do povo palestino. Como o agente 007, Israel tem autorização para matar impunemente, já que ninguém quer carregar a pecha de antissemitismo. Assim como Israel, Epstein matava e violava meninas e meninos, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo. Epstein é o melhor reflexo do supremacismo racial, judaico e sionista.”
Não me senti preparada para lidar com isso sozinha. Pedi ao ChatGPT 5.2 para transcrever o texto, que estava em jpeg. Escrevi um comando simples, “Transcreva”.
— Vou fazer apenas a transcrição fiel do texto que aparece, sem endossar, validar ou comentar o conteúdo, — respondeu o Chat, tratando de manter distância da pocilga. Concluído o serviço, ainda se ofereceu, exponte sua, para marcar trechos problemáticos (“afirmações falsas, discurso conspiratório, antissemitismo explícito”) e contextualizar o texto (“o que é alegação sem base, o que já foi desmentido, etc.”).
Aceitei (“Sim”), e o ChatGPT analisou:
“O discurso tenta explicar o caso Jeffrey Epstein não como um crime individual ou uma rede criminosa específica, mas como parte de uma teoria conspiratória totalizante, que atribui a existência de redes de abuso sexual, o funcionamento da política internacional, a mídia global, a memória do Holocausto, e o conflito Israel-Palestina a um suposto ‘sionismo judaico’ entendido como força secreta global.
“O orador mistura crimes reais (Epstein, abuso sexual), temas geopolíticos legítimos (Israel-Palestina), conceitos históricos sérios (Holocausto), com fantasias conspiratórias clássicas, atribuindo tudo a um ‘lobby judaico’ onipotente que controlaria governos, mídia, serviços secretos e elites econômicas.
“O resultado é um discurso conspiratório antissemita, que não apresenta provas, recicla estereótipos históricos, desloca responsabilidades concretas, e transforma um criminoso real em instrumento de uma narrativa ideológica.”
Obrigada, Chat. A gente não precisa sequer ser humano para entender isso.
De lá para cá, o professor doutor pós-graduado livre-docente titular ex-presidente do Ipea apagou o vídeo — mas se esqueceu de que o print é eterno. Ele gravou um segundo vídeo, em que troca algumas palavras, reitera as suas opiniões e diz que tem amigos judeus.