Não olhava celular quando dirigia. Coisa de irresponsável. No painel gigante na avenida, curtiu a propaganda: "Celular e direção não combinam. Aumento em até 400% das chances de..." Não teve tempo de acabar a frase. A traseira do ônibus cresceu na sua frente e já era tarde.
Sentia-se bem na avenida finalmente vazia, o carro suave, até se permitia enfiar o dedo no nariz, era bom relaxar despercebido. Só não contava com as câmeras e a multa pesada por "falta de decoro em via pública".
O drone sobrevoou as casas vizinhas, o lago. Tudo parecia pacífico na tela de seu celular. O retângulo turquesa da piscina onde molhava os pés era fotogênico daquela altura. Só não devia ter dado um zoom tão invasivo. Não imaginava que o cabelo já rareava no alto de sua cabeça.