Sobre a Bancada da Esquerda Radical.
Pessoal, é muito importante que, neste período eleitoral, o debate econômico não seja monopolizado pelos "problemas" e pressupostos pautados pelo "mercado".
O "mercado", há três décadas, coloca um suposto excesso de Estado como o problema fundamental da economia brasileira e exige menos setor público e mais setor privado. Como elemento de agitação, para avançar nesse modelo de sociedade plenamente mercantilizada, usa o argumento da eterna crise fiscal. É assim há mais de três décadas: sempre o Brasil vai quebrar, dar calote e entrar em hiperinflação nos próximos meses ou anos. Faça uma pesquisa no Google sobre os temas que pautam a economia desde, principalmente, a eleição de 1998 (até antes, mas, a partir daí, isso se tornou mais central).
Esse debate é muito menos sobre política fiscal e muito mais sobre o tipo de sociedade e de país que queremos viver: um em que só terão acesso à educação, saúde, previdência e afins aqueles que podem pagar, cada um por si, ou um modelo de direitos plenos, universais e solidários? Um modelo voltado totalmente ao lucro ou às pessoas?
É sobre isso o debate. Pelo menos em uma primeira camada.
Nesse sentido, no fim do ano passado e no início deste ano, era assustador observar que este período eleitoral tinha tudo para ser o mais vazio de ideias "progressistas", o mais vazio de resistência aos pressupostos do "mercado". Tinha tudo para ser a eleição mais despolitizada e pautada pelo senso comum (neo)liberal de todos os tempos. Seria a hegemonia ideológica mais absoluta já vista do modelo neoliberal.
Seria.
Uma potente articulação de candidatos à Câmara dos Deputados decidiu romper com o silêncio e com a subordinação aos desejos do mercado. Decidiu não se calar diante do projeto de destruição desenhado pelos setores econômicos que comandam a economia brasileira, especialmente os setores rentista e primário-exportador. Ousou enfrentar esse projeto com coragem, dedicação e competência.
Dessa articulação surgiu a construção da Bancada da Esquerda Radical. E dessa bancada surgiu um programa: o Manifesto da Bancada da Esquerda Radical.
Um programa que não é meramente eleitoral, embora isso seja da mais alta importância. É um programa que pretende disputar corações e mentes para um novo projeto de país, aproveitando o período eleitoral, que é um raro momento em que as pessoas prestam maior atenção aos embates econômicos. Mas isso não acaba na eleição. É um programa que pautará a luta desse grupo de parlamentares no próximo período. Fundamental para alterar a terrível correlação de forças que se impõe. Um programa que servirá de bússola tanto para a resistência aos novos ataques que certamente virão quanto como direção de propostas e lutas concretas para mobilizar o povo em torno de demandas imediatas. Sem um programa e uma direção a serem seguidos, não há saída.
Como diz o Manifesto:
"Se o imperialismo pretende manter o país de joelhos, apoiado pelas frações rentista, mineral e latifundiária da burguesia brasileira, nossa resposta deve ser organização, mobilização popular, soberania e direção política revolucionária.
A luta para derrotar a extrema direita passa pela defesa das liberdades democráticas, mas também pelo enfrentamento direto da agenda econômica que alimenta a crise social, ambiental e civilizatória do capitalismo.
Este manifesto é mais um instrumento para armar essa luta.
Divulgue, debata, critique e envie sugestões. Estes pontos precisam ser apropriados coletivamente, tensionados e aprofundados. Trata-se de uma intervenção no debate econômico e político para impedir que as eleições de 2026 sejam novamente dominadas pelos limites impostos pelo mercado financeiro, pelo agronegócio, pelas mineradoras e pelo imperialismo."
Segue o link para a leitura e o debate desta importante iniciativa. Um programa em construção. Um programa que precisamos construir juntos. O primeiro passo está dado. E tudo começa com um primeiro passo.
Leia, compartilhe, debata.
Será muito importante que a gente compartilhe o máximo possível, que coloque a nossa opinião sincera sobre o que está bom e o que precisa melhorar e contribua com sugestões e críticas.
Particularmente, considero um programa extremamente qualificado, técnico e detalhado exatamente na medida que cabe a um manifesto que se propõe a ser amplo, e não uma mera peça acadêmica. E isso tudo atrelado à luta pela resolução dos problemas e das demandas mais imediatas do povo. Mas não bastam soluções técnicas. É preciso demonstrar que, no capitalismo, o que é tecnicamente viável é politicamente combatido e obstruído pelas classes dominantes e pelo imperialismo. Em última instância, pelo próprio capital. E que, portanto, até mesmo para atender às demandas mais básicas precisamos superar o modelo capitalista, a começar por derrotar sua face mais radicalizada na sua atual especificidade: o neoliberalismo, que, na periferia, é ainda mais agressivo e autoritário. E o programa encara esse desafio. O sucesso de sua massificação dependerá do nosso fôlego na divulgação e no debate.
Vou me esforçar para, ao longo desse processo e na medida das minhas possibilidades, dar a minha contribuição, seja divulgando, explicando, detalhando ou sugerindo aprimoramentos para os diferentes pontos do Manifesto. Se puderem, façam o mesmo.
Bora pra cima.
https://t.co/GxhSrCIGpg
Personagem da Copa do Mundo por manifestação de solidariedade à Palestina, técnico do Egito Hossam Hassan confronta sionistas com bandeira de "israel" após partida contra a Argentina.
Na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi assassinado em uma emboscada planejada pelo DOPS, órgão da repressão da Ditadura Cívico-Militar. Tombava ali o militante comunista, poeta baiano, capoeirista e ex-deputado federal que dedicou sua vida à luta contra as injustiças e pela emancipação do povo trabalhador brasileiro.
Hoje, enquanto lembramos seu martírio e seu legado de resistência, nos despedimos de Clara Charf, sua viúva, que nos deixou ontem, 03 de novembro, aos 100 anos. Militante comunista e uma das primeiras brasileiras a ter seus direitos políticos cassados pela ditadura em 1964, Clara dedicou toda a sua vida à luta popular, mantendo viva a memória de Marighella e de todos que enfrentaram a repressão do regime militar.
Marighella foi um dos principais articuladores da resistência armada à ditadura. Por sua coragem e firmeza diante do regime, era considerado o “inimigo número 1” pelos generais e empresários que sustentaram a ditadura, o que evidencia o impacto de sua atuação e o medo que despertava nos opressores.
Lembrar a morte de Carlos Marighella é resistir ao silêncio que tenta apagar os horrores da ditadura militar, um período de torturas, assassinatos e perseguições sistemáticas. Essa lembrança se torna ainda mais urgente diante das tentativas atuais da extrema direita de reescrever a história, exaltando torturadores e negando a dor das vítimas.
Lembramos também nesta data, de todos que tombaram lutando por um Brasil livre da exploração e da opressão, reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a justiça e a luta popular. Hoje, os mesmos que ontem perseguiam militantes socialistas e traíram o povo espalham medo, caos e violência; contudo, não nos intimidam, e seguimos firmes na defesa da memória, das conquistas democráticas e de nossa soberania.
A memória é a arma que mantém viva a história e impede que se repitam os mesmos crimes. Por isso, Carlos Marighella permanece como símbolo de coragem e resistência, representando a geração que enfrentou com bravura o terror da ditadura militar.
Ditadura nunca mais, sem anistia!
e mais uma vez as mulheres da nossa cena dando uma aula de posicionamento, aparentemente os artistas perderam a mão nessa onda de ficam em cima do muro
"rapper" com medo de se posicionar é o fim da picada