Quando o presidente da Alemanha diz que o Brasil e a Índia tem que defender a ordem mundial contra os Estados Unidos, a China e a Rússia, está exprimindo a visão do mundo que se tem a partir de Berlim. Que esses são os cinco países mais importantes do mundo hoje. A pergunta que faço é: até quando certos setores da nossa opinião pública continuarão a pensar o Brasil como se ser tratasse de uma versão inchada da Nicarágua ou de Honduras?
Em busca de sua sobrevivência política, a quadrilha Bolsonaro cava a prisão de seu patriarca para provocar nova tentativa de intervenção estrangeira em Washington e atiçar a militância. E não tenham dúvidas de que as agressões de Trump não cessarão. A autonomia brasileira na América do Sul é a pedra no sapato do imperialismo de extrema-direita que hoje ocupa a Casa Branca. Seu projeto geopolítico passa por retomar o seu "quintal" latino-americano, convertendo os países da região em protetorados por meio da instalação de governos satélites com presidentes como Milei e o próprio Bolsonaro. A luta pela democracia contra o golpismo virou agora luta também pela soberania e pela independência nacional.
A última vez em que o Brasil foi agredido de tal magnitude por uma potência estrangeira foi quando Hitler mandou afundar nossos navios mercantes no Atlântico.
Os EUA hoje deixaram de ser uma democracia. Devemos proteger a nossa e nos defender da ditadura trumpista e de aliados - os primeiros dos quais, a quadrilha Bolsonaro.
Não podemos descartar a hipótese de algum momento termos de romper relações diplomáticas com os EUA enquanto estiverem debaixo da ditadura de Trump.
O Brasil não é quintal de ninguém.
A propósito: nesse episódio de taxação e ameaças ao STF, não estão sentindo a falta de pronunciamentos da OAB, AMB (juízes), CONAMP (promotores), Defensoria, Advocacias Públicas… ? A soberania em explícito jogo e não deveria manifestações dessas entidades? Só IAB fez.
Trump quer promover uma intervenção estrangeira no Brasil e reduzi-lo a condição de satélite norte-americano por quatro razões principais:
1) Não aceita o julgamento do STF que endureceu as regras contra as big tech, reduzindo sua liberdade de fazer propaganda fascista e reacionária mundo afora;
2) Não aceita presidência do Brasil nos Brics, falando sem vassalagem contra a hegemonia americana;
3) Não aceita que, ao contrário do que aconteceu com ele nos Estados Unidos, golpista no Brasil vá pra cadeia, dando péssimo exemplo aos golpistas do resto do mundo.
4) Acha que a América é região de influência dos Estados Unidos, e por conseguinte o Brasil tem que ser rabo da extrema direita instalado em Washington. É como ele entende a doutrina Monroe.
Só nos resta fazer o que estamos fazendo: rejeitar com toda a firmeza a nova tentativa golpista de Bolsonaro, agora mediante intervenção estrangeira. A resposta deve ser enérgica.
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O CNMP me puniu por eu ter ajuizado uma ação contra os abusos de Moro e Deltan na Lava Jato. Detalhe: segui estritamente precedentes do próprio STF. Continuo lutando na Corte contra esse abuso. Sou muito grato ao nosso Professor @LenioStreck por todo o apoio. Um abraço, mestre!
O sistema político americano é tão oligárquico, tão antidemocrático, que a massa do eleitorado de cinquenta estados fica nas mãos da maioria de apenas seis ou sete. Os tais estados do suingue rs. Qual o incentivo que o moderado tem para sair de casa nos outros 43 ou 4? Numa eleição indireta! Como no século 19! E há quem imagine que este seja um sistema modelo!