O problema não é uma pessoa ir ao show de alguém acusado de violência. O problema é usar uma plataforma enorme para apoiar publicamente essa pessoa, porque isso ajuda a normalizar a imagem dela e a mostrar que, apesar das acusações, ela continua sendo celebrada como se nada tivesse acontecido.
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Se você tem 5 milhões de seguidores, sua influência tem consequência: você não está apenas “gostando de um artista”, está ajudando a decidir quem recebe palco, prestígio e legitimidade. E é justamente esse pacto de “não vamos nos importar” que permite que homens misóginos continuem enormes: ninguém precisa defender a violência diretamente; basta continuar dando apoio suficiente para que ela nunca tenha consequência social.
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Uma mulher, especialmente uma que já sofreu abuso, tem todo o direito de olhar para isso e pensar: “Eu não quero ver alguém que admiro usando a influência que recebeu de tantas mulheres para promover um homem acusado de violentar uma mulher.” Isso não é dizer que ela é cúmplice do crime; é questionar por que ela escolheu ficar do lado da normalização quando poderia simplesmente não apoiar.
Era pra gente estar debatendo energia renovável, nanomedicina e erradicação da fome.
Estamos debatendo vacina, voto feminino e quem pode casar com quem.