Conselheiro e Sócio Proprietário do Flamengo / Embaixador da Fla Resende.
No Maraca nos títulos BR 80,82,83,87,92,09,19,CB 90,06,13 Liberta 81,19 RC e SC 20
“Mixto, visitante e brasileiro: a hipocrisia da paixão seletiva”
Fala-se muito em igualdade, em Liga, em bem do futebol brasileiro.
Os dirigentes gostam das palavras certas: gestão, modernização, fair play. É um vocabulário bonito, cheio de promessas, mas vazio de prática. Porque no fundo, o que se vê nas arquibancdas do país é o oposto do que esses discursos pregam: o torcedor visitante continua tratado como intruso, e o torcedor “mixto”, aquele que, no Norte e Nordeste, escolheu torcer por um clube de fora da sua cidade, continua visto como traidor. No fundo, a tal “unificação do futebol brasileiro” é uma ficção que acaba no portão do estádio.
Em Fortaleza, o Flamengo foi vítima mais uma vez desse sistema travestido de ordem.
Durante o jogo no Castelão, torcedores rubro-negros foram retirados do setor mandante, mesmo sem provocação, apenas por carregarem o “pecado” de torcer diferente. Nenhum ato de violência, apenas o crime simbólico de amar outro escudo. E se o amor já fosse suficiente para justificar a segregação, veio o castigo financeiro: o ingresso do setor visitante custava R$ 250, enquanto o do torcedor local saía por R$ 60. Um verdadeiro pedágio emocional.
E é justamente por isso que muitos flamenguistas, moradores da própria cidade, acabam comprando ingresso em outros setores: não é desobediência, é sobrevivência financeira. Entre pagar quatro vezes mais caro ou assistir ao jogo de forma discreta entre os locais, a escolha é óbvia. Mas o sistema prefere punir o torcedor do que reconhecer o abuso.
O Fortaleza, que adora se dizer moderno e bem administrado, chegou a ser investigado por prática de preço abusivo, mas a indignação maior ficou com a cena de torcedores sendo escoltados por seguranças simplesmente por torcerem de vermelho e preto. E não é exclusividade do Ceará. Em Pernambuco, o governo estadual instituiu a política de torcida única nos clássicos, e o Sport Recife já chegou a realocar torcedores de setores inteiros por “questão de segurança”, sempre em prejuízo dos visitantes. Em 2025, o Ceará publicou um alerta pedindo para que flamenguistas não comprassem ingressos em certos setores do estádio, e prometeu retirá-los caso fossem identificados. Tudo em nome da “ordem”. Uma ordem que separa, segrega e encarece. Uma ordem que decide quem pode e quem não pode torcer.
A desculpa é sempre a mesma: segurança. Mas o que há de seguro em transformar o estádio num campo de exclusão? O que há de justo em punir o torcedor que quer apenas ver seu time? Em nome dessa “segurança”, o torcedor visitante paga mais caro, vê o jogo pior e é tratado com desconfiança, e em alguns estados, com truculência.
Em Minas Gerais, por exemplo, a polícia trata o visitante como se fosse um criminoso: barreiras excessivas, revistas agressivas, bloqueios de acesso e até uso de spray de pimenta contra quem só queria entrar para torcer.
Em São Paulo, no Allianz Parque, o torcedor enfrenta outro tipo de humilhação: telas colocadas na frente do setor visitante, que distorcem a visão do campo e lembram mais uma jaula do que um espaço de arquibancada.
É o retrato exato da contradição do futebol brasileiro, o mesmo que fala em “profissionalismo” e “modernização”, mas ainda trata parte do seu público como ameaça. E quando o torcedor tenta apenas existir no meio da torcida local, é hostilizado, como se seu amor fosse uma provocação.
“Imagina você ter uma única chance de ver seu time jogar, comprar o ingresso, ficar quieto, não incomodar ninguém, e ainda assim alguém achar que tem o direito de te agredir porque não gostou do time que você ama. Isso não é paixão, é doença.”
E há ainda o preconceito regional, a velha ferida do “mixto”. No Norte e Nordeste, quem torce para clubes do Sudeste é frequentemente taxado de traidor, de alienado, de “misturado”. O termo, usado de forma pejorativa, revela uma mentalidade que ignora a pluralidade do futebol brasileiro. O que há de errado em torcer por quem se ama? Que mal existe em alguém de Fortaleza ser Flamengo, de São Luís ser Vasco, de Belém ser Fluminense? A grandeza do futebol nacional está justamente nessa mistura: o garoto do sertão que vibra com o Mengão, o trabalhador do interior que economiza meses para ver o Maracanã de perto. E ainda assim, esse amor é tratado como inferior.
Enquanto os clubes falam em Liga, em distribuição de cotas e governança, a realidade do torcedor segue sendo desigual e excludente.
Querem dividir o dinheiro da televisão, mas não querem dividir o estádio.
Querem lucrar com o produto “futebol”, mas negam a essência do futebol: a convivência entre opostos.
Querem globalizar a marca, mas não toleram o vermelho e preto duas fileiras ao lado.
E o Flamengo, como sempre, é o espelho de tudo isso.
É o clube que mais atrai público, que mais movimenta economia, que mais leva torcedores por todo o país, e por isso mesmo, é o que mais sente na pele o peso dessas incoerências.
Ser Flamengo fora de casa virou um ato de resistência: pagar mais caro, ver menos, ser vigiado, ser revistado, e ainda assim cantar mais alto.
A verdadeira Liga, aquela que poderia mudar o futebol brasileiro, não se constrói em planilhas ou acordos televisivos.
Ela nasce da arquibancada, da aceitação do outro, do respeito ao torcedor que vem de longe.
Começa quando o visitante paga o mesmo preço, tem o mesmo direito e é tratado com a mesma dignidade.
O crescimento do futebol não virá da divisão das cotas, mas da divisão do respeito.
E enquanto os dirigentes continuarem discutindo cifras e ignorando pessoas, o Flamengo continuará fazendo o que sempre fez: transformando cada estádio em território rubro-negro. Porque a Nação não precisa de autorização para existir.
#PremierLeagueNaESPN Falta critério e visão. Goleiro toca na bola e muda direção da mesma. Além disso, fixa o pé no gramado, antes do inglês chegar. Atacante bate no joelho do goleiro sim, mas sem movimento extra do goleiro e depois do toque do mesmo na bola.
Emílio mandou essa ao vivaço no @programapanico e na cara do cidadão. Mandou bem demais! O irônico disso é que um programa de humor consegue fazer mais jornalismo do que, por exemplo, a GloboNews.
@CanelaCorado Qdo vc fala que todos jogadores estão olhando a bola, erroneamente, temos uma supremacia numérica absoluta, sendo 6 RNs contra 3 adversários. Não tinha pq Ortiz vir desesperado. Não pode Alexsandro fechar acompanhando, tendo LP sozinho e deixar as costas abertas. Fácil corrigir.
“Vou ser preso depois que isso for ao ar” - @jairbolsonaro EXPONDE Lula, de Moraes e Tribunais Corruptos.
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Vc até é engraçada, mas isso dá direito de falar monte de merda e se achar referência ? Adora julgar os outros, como se fosse exemplo de alguma coisa. Um dos maiores problemas do Brasil é esse pessoal q vive da fantasia se achar o supra sumo da vida se achando exemplo pra alguém.