@xicograziano Replicando @augustodefranco: “Lula comprou a reeleição por cerca de 400 bilhões de reais. E não há uma oposição democrática para denunciar isso?” Esta é a preocupação do @LulaOficial com a economia do Brasil… ou seja, benesses para eles mesmos…
@aguedescartoon Estranho essa necessidade de se definir de direita, esquerda ou centro. O q agrega? Estamos presos numa polarização de grupos q só enxergam seus projetos de poder, enquanto o BR se afunda e fica cd vez + longe do futuro promissor. Importante olhar pro BR, ñ pras tribos políticas
@xicograziano Minha percepção é q uma gde parcela abomina Lula e PT, assim como o Bolsonarismo, este último num grau um pouqinho menor. Após esta eleição, esse grupo ficou descrente de qq futuro melhor pro país. Não tem ideologia política, não se identifica com nenhuma das duas correntes.
@ViniGCardoso@aguedescartoon Na real, a grande maioria de nós não foi romanticamente planejada. Escapou, aconteceu, na euforia rolou, mas não se cuidou… Mts assumem a responsabilidade e cuidam dos filhos; outros, não. É um assunto mto pessoal. Só passando pela situação p saber qual seria sua reação, ou não.
🚨 NEW: Britain is on alert to protect Tesco and Sainsbury's fridges amid cyber attacks on similar fridges across Europe
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@xicograziano@xicograziano, tem uma turma q é muito amarga. Vc coloca um post de boa e lá vem um pessoal parecendo o grupo da depressão. A sociedade se adoeceu e parece q esta doença cada vez se alastra mais. São válidas suas colocações e posicionamentos. Seguimos firmes contra a polarização.
Flávio saiu do Brasil porque se sentiu perseguido e ficou com medo de ser preso. O medo tem base real. Quando acusado, fosse culpado ou inocente, ele não teria um julgamento justo da parte do autoritário e suspeito de corrupção Alexandre de Moraes e da facção governista do STF. Se eu fosse ele, não faria a mesma coisa. Denunciaria o processo e, no caso de ser preso, resistiria na prisão. E buscaria o apoio popular dos quase 60 milhões de votos recém recebidos de quase metade dos eleitores brasileiros. Não porque acredito na isenção de instituições aparelhadas pelo PT. Mas porque sou um democrata e o papel principal de um democrata é resistir às tiranias. Flávio e os Bolsonaros, pelo contrário, não acreditam em democracia. São populistas (de direita), tal como os populistas (de esquerda) que agora movem contra eles uma campanha de cerco e aniquilamento.
O Brasil, essa democracia que expede passaportes para o exílio
Existem três tipos de pessoas no Brasil. As que sabem a diferença entre o abacaxi e a laranja. As que sabem a diferença, mas no fundo gostam do abacaxi. E as que sabem a diferença, mas no fundo gostam da laranja. Há ainda um quarto tipo, que acha tudo isso polarização, mas esse está em Trancoso e não costuma ser consultado.
É de uma tristeza profunda assistir ao vídeo de Mario Sabino, um dos primeiros jornalistas censurados na nova era, ainda em 2019. Foi ali que a máquina voltou a ser ligada. O PT já a havia montado uma vez, com esmero de engenheiro. Aparelhou instituições quando quase ninguém usava essa palavra e transformou a pobreza, sobretudo a nordestina, em patrimônio eleitoral. A obra foi interrompida antes da inauguração, como toda obra pública que se preze, e ficou ali, coberta de lona, esperando dias melhores. Em 2019 tiraram a lona. Nada de novo foi inventado. Voltou o mesmo modus operandi, agora com a vantagem de quem já sabe exatamente onde tropeçou. O eleitor pobre continua massa de manobra, e o partido continua seu salvador perpétuo, tomando o cuidado de nunca concluir o salvamento, porque pobre emancipado escolhe sozinho e isso seria uma falta de educação com quem o salvou.
O país presta atenção nas nomeações. Elas são a parte visível, a que rende uma semana de indignação e um bom fio no X. O religamento de verdade acontece um andar abaixo, onde não há sabatina nem manchete. Está no diretor que sabe a quem deve o cargo, no procurador que mede a carreira pelo humor de Brasília, no servidor que aprendeu sozinho quais processos andam e quais tiram uma soneca de quatro anos na gaveta. Ninguém precisa dar ordem, o que é ótimo, porque ordem deixa rastro. A instituição religada obedece antes de ser mandada e defende o partido convencida de que defende a si mesma. A partir daí, o aparelho dispensa o aparelhador, que pode até tirar férias.
Mas o ponto aqui não é o que @mariosabinof diz no vídeo. O ponto é quem consegue ouvi-lo.
Noventa por cento da população, calculo por alto e com a generosidade de quem nunca fez censo, é incapaz de concatenar o primeiro minuto, porque a escola brasileira, outra obra de lona, fabrica gente que soletra e não conecta. Quem chega ao terceiro minuto pertence a uma minoria de, digamos, um por cento, número tirado da mesma cartola. É o andar de cima: gente que ganha de quinze mil reais para cima, estudou nas melhores escolas, viaja, lê e opina, nem sempre nessa ordem.
Falemos desse um por cento. É nele que a parábola das frutas deixa de ser piada.
Esse sujeito sabe a diferença. Sabe distinguir uma oligarquia de um regime. Sabe que Sarney, os Magalhães, os Campos e os Bolsonaro contaminaram a política brasileira, cada um no seu tempo e à sua maneira. É o vírus sazonal, que adoece o organismo, cumpre seu ciclo e um dia passa. Outra coisa é o parasita que se instala, decora o hospedeiro e manda trocar as fechaduras. É o partido que caminha para o sexto mandato presidencial e para quase um quarto de século no Planalto, com suas tábuas, suas cláusulas e um arquiteto que ensinou que eleição não se ganha, se toma. É uma autocracia que aprendeu a vestir a urna como fantasia de democracia e desfila todo outubro na avenida.
Há os que defendem a laranja por pertencimento e os que defendem o abacaxi pelo mesmo motivo. Torcida é torcida, e torcida não lê regulamento. O que indigna é o sujeito que enxerga a diferença com nitidez de microscópio eletrônico e, mesmo assim, assina embaixo do abacaxi, com firma reconhecida.
Escrevo isso sem a pureza de quem olha pela janela. Também tenho diploma, também frequento esses jantares, também já engoli uma opinião para não perder o convite seguinte. Conheço a sala por dentro, e é por isso que ela me dá náusea.
Imagine a cena. Apartamento de pé-direito duplo, vinho natural de produtor pequeno e consciência grande, uma estante onde Foucault divide espaço com livros de arte que ninguém abriu. Alguém menciona o vídeo de Sabino. Há um silêncio breve, o tempo exato de uma taça descer até a mesa, e então o anfitrião sorri com aquela condescendência de quem já leu tudo, inclusive o que não leu:
— Sabino? Aquele da Crusoé?
Pronto. Ninguém refuta o vídeo, e ninguém precisa. Basta classificar o mensageiro, e a conversa volta para a viagem a Lisboa. O argumento foi derrotado sem ter sido ouvido, e todos ali sabem disso, porque todos ali seriam capazes de ouvi-lo. Só não tiveram tempo, entre o queijo e a sobremesa.
É a elite progressista, com diploma de Harvard, de Oxford, da PUC, de qualquer faculdade onde o professor exiba o Manifesto Comunista na estante como quem pendura um atestado de virtude. Essa gente teve acesso a tudo, inclusive à memória. Acompanhou os escândalos em tempo real, sabe o que se costura no Foro de São Paulo, reconhece no partido um apetite pela conquista do poder só comparável ao zelo em conservá-lo. Tenho mais horror dela que de qualquer militante. O militante ao menos tem a desculpa da fé. Essa elite sabe, e mesmo assim estoura o champanhe a cada vitória do abacaxi e a chama de conquista civilizatória, como se a civilização tivesse passado a se medir pelo placar do TSE. É uma elite suja, e o adjetivo vai aqui uma vez só, porque o resto ela mesma se encarrega de demonstrar.
E por que prefere o abacaxi? Não é por convicção, que convicção dá trabalho e às vezes custa convite. É por estética. A laranja é cafona, fala alto, usa camisa da seleção e faz churrasco na laje. Para essa elite, o mau gosto é pecado mais grave que o crime, e o crime, quando bem vestido, mal chega a ser pecado. Entre um regime que corrompe com elegância e uma oligarquia que governa de chinelo, ela escolhe o que combina com a decoração. Votar no abacaxi é a indulgência que o progressista compra a cada quatro anos para continuar morando onde mora, sem culpa e com vista.
A identidade assumiu o lugar do caráter. Foi uma transição pacífica, sem resistência do antigo ocupante.
A maioria, aliás, merece uma palavra. Foi conduzida à urna pelo terrorismo eleitoral de sempre, a ameaça de que tudo acaba se o outro ganhar. Essa ameaça foi dirigida a um povo pobre que não aprendeu a interpretar um texto, a fazer uma conta, a saber a quem recorrer, nem a distinguir o Executivo do Legislativo e do Judiciário, distinção que, convenhamos, Brasília também anda esquecendo. Votou empurrado. Nos territórios onde quem manda é a facção, votou sob ameaça, porque ali o candidato precisa de licença do crime para pedir voto e o eleitor sabe o preço de contrariar a rua.
O progressista do pé-direito duplo conhece esse mapa melhor que ninguém, porque o estudou no mestrado, com bolsa. Prefere chamá-lo de vontade popular. O pobre que ele diz defender só lhe interessa enquanto vota direito. No dia em que aprender a assistir ao vídeo de Sabino até o fim, esse pobre vai perder o lugar de estimação na mesa do jantar e ganhar o apelido de fascista.
E há o que esse progressista sabe e finge não saber.
A degradação alcançou outra dimensão, a da promiscuidade entre política, crime organizado e narcotráfico. México, Colômbia e Venezuela deveriam servir de advertência, mas o brasileiro prefere usá-los como destino turístico ou como série. Há quem tema que o Brasil vire a Venezuela, mas quem teme isso chegou atrasado e pegou o voo errado. O Brasil já apresenta os sintomas da Colômbia.
Ele leu no jornal que o PCC deixou de ser facção e virou multinacional, presente em quase trinta países, com rotas de cocaína entre os Andes e a Europa e Santos como porto de estimação. Leu que o lucro do pó volta lavado e se instala na economia de verdade, até nas linhas de ônibus que ele nunca pegou. Leu, sobretudo, que a Operação Carbono Oculto encontrou a organização em mil postos de combustível, em fintechs que funcionavam como banco paralelo e em dezenas de fundos de investimento, muitos com endereço na Faria Lima, a poucas quadras do escritório onde ele passa o dia defendendo ESG. O mercado financeiro não precisou virar sócio. Bastou não perguntar de onde vinha o cliente, que é a forma mais discreta de compliance.
Comentou no grupo da turma da faculdade, usou a palavra "estarrecedor" e foi votar no abacaxi, de consciência limpa e roupa clara.
Diante dessa escala, continuar tratando crime de gabinete como a expressão máxima da corrupção brasileira é uma obscenidade moral. É chamar os bombeiros por causa de uma vela acesa enquanto o quarteirão pega fogo. E é, sobretudo, escolher qual crime merece indignação de acordo com a identidade de quem o pratica.
O Brasil ainda não ganhou o seu Narcos. Hollywood filmou a Colômbia, a Netflix dissecou o México, e Ozark lavou dinheiro no Missouri. Ninguém se deu ao trabalho de fazer a série brasileira, talvez porque roteirista nenhum aceitaria escrever algo tão inverossímil.
Enquanto isso, no apartamento de pé-direito duplo, chega mais uma garrafa. A conversa volta para Lisboa, e o anfitrião empalidece de repente: lembrou que o passaporte vence em março. Durante dez minutos, a mesa inteira discute com angústia sincera a lentidão da Polícia Federal, a fila do agendamento, o absurdo de um país em que um cidadão de bem pode ficar preso em terra por causa de um carimbo. Eu estava à mesa e confesso que, por reflexo, também conferi a validade do meu.
Ninguém ali viu graça nenhuma. Naquela casa, passaporte é documento de viagem, e exílio é título honorífico, concedido apenas a quem vota na fruta certa. Os outros fogem.
Jornalista Mário Sabino cai matando pra cima de Alexandre de Moraes:
“Flávio Bolsonaro se exilou nos EUA depois de Alexandre de Moraes ter ordenado a apreensão dos seus passaportes, o comum e o diplomático. A PF, minutos depois de ter saído o resultado oficial das urnas… A outra fuga que assombra Moraes, que até agora não explicou a sua relação promíscua com Daniel Vorcaro…”
@xicograziano@xicograziano, o sujeito deve! N tenho a menor dúvida disso, é só revisitar a biografia dele. Como já publiquei, tenho asco do Lula e dos Bolsos, mas por Lula é mto maior. Gastei meus votos e da minha família com o fujão cagão. Vamos reconstruir uma direita digna, ponto final!
@rmotta2@rmotta2, o PT criou uma religião. Seus aficionados o seguem de forma cega e acrítica, em sua maioria. Os bolsonaristas fazem exatamente o mesmo. Ambas as tribos são incapazes de autocrítica e de olhar para o BR como nação. Existe uma minoria que rejeita ambos. Não nos confundam!
@xicograziano A imagem que tenho do @LulaOficial para este 4º mandato é a da cena de El Cid (os 50+ vão entender), morto, com sua armadura, cavalgando entre seus guerreiros e povos, que o saúdam esperançosos com o herói. @FlavioBolsonaro sempre foi uma péssima opção… Brasil sendo Brasil…
@CronistaIA@LulaOficial@FlavioBolsonaro@LulaOficial poderia ter saído por cima, não ter disputado esta eleição. É o tipo de líder que só enxerga a si mesmo, só ele pode brilhar, um ego que não lhe cabe no peito. Arrogante, prepotente, incapaz de formar futuros líderes porque só vê a si mesmo. Que descanse em paz.
A ÚLTIMA MISSA
Não foram só os mantras de Lula que envelheceram diante das câmeras. A liturgia do bolsonarismo também.
O debate da Globo exibiu ontem algo mais melancólico que a carcaça de um homem envelhecendo: o envelhecimento das ideias. Lula apareceu como alguém que já não consegue distinguir a própria biografia da história do Brasil e que fez do próprio passado uma autoridade que dispensa conferência.
Falava de si com a solenidade de quem recita as escrituras. O problema é que os fiéis envelheceram junto com ele, e os milagres pararam de acontecer. Restou o sacerdote. E sua interminável homilia sobre um paraíso que ele garante ter construído.
O debate não foi propriamente sobre economia, educação ou segurança. Esses assuntos estavam lá, evidentemente. Mas o espetáculo era outro. De um lado, um homem tentando convencer o país de que seu passado ainda bastava. Do outro, um candidato tentando demonstrar que aquele passado já não pagava as contas do presente.
Lula repetia seus grandes sucessos. Tirou o pobre da pobreza, criou universidades, descobriu o Nordeste, inventou a justiça social. O Brasil, antes dele, parece ter sido uma espécie de terreno baldio habitado por selvagens à espera do primeiro missionário de barba branca.
Há algo de religioso nessa insistência. O lulismo deixou de ser apenas um fenômeno eleitoral para adquirir os hábitos de uma seita intelectual. Tem seu profeta, suas escrituras, seus pecados imperdoáveis e uma curiosa coleção de sacerdotes universitários encarregados de explicar por que o fracasso do líder jamais pode ser atribuído ao próprio líder.
Se a economia decepciona, a culpa é da conjuntura. Se a sociedade protesta, a culpa é da desinformação. Se o eleitor abandona o movimento, é porque ainda não compreendeu a grandeza daquilo que está rejeitando.
Há intelectuais capazes de desconstruir uma civilização inteira em três páginas de teoria crítica e absolutamente incapazes de desconstruir uma frase de Lula. Gente que passou a vida denunciando mitos, dogmas e estruturas de dominação e terminou ajoelhada diante de um político profissional.
O pensamento crítico, tão celebrado nas universidades, encontra um limite intransponível na porta do lulismo. Ali, a dúvida vira heresia e a fidelidade ganha ares de virtude científica.
Raymond Aron chamou de ópio dos intelectuais essa necessidade de transformar convicções políticas em religiões seculares. No Brasil, conseguimos produzir uma variedade tropical do fenômeno, com um agravante: o objeto da devoção não é sequer uma grande construção filosófica. É um homem. Sua biografia tornou-se uma espécie de salvo-conduto moral. O carisma absolve as contradições. A lembrança das conquistas substitui o exame dos resultados.
O petismo era uma promessa de país e morreu em 2016. O lulismo, que já vivia à sombra dele, herdou o cadáver. O deserto em volta, porém, tem autor. Por duas décadas, toda liderança que cresceu à esquerda sem pedir bênção ao fundador acabou empurrada para fora da nave.
Ciro Gomes saiu brigado. Marina Silva saiu para erguer a própria capela e voltou como ministra. O santo nunca dividiu o altar, e agora o partido descobre que não sabe imaginar o futuro sem o homem que o impediu de ter um.
A volta de Lula em 2022 foi vendida como uma ressurreição. Voltariam o crescimento, a prosperidade, a conciliação, os tempos gloriosos. Mas o terceiro mandato encontrou um país endividado e ajudou a aprofundar uma crise de confiança sobre suas possibilidades.
A dívida pública pesa, empresas enfrentam dificuldades, famílias administram juros, prestações e salários que desaparecem antes do fim do mês. O governo exibe indicadores. O cidadão abre o aplicativo do banco. São dois Brasis que parecem não se conhecer.
Não houve sequer o famoso voo de galinha. Houve a derrapada da galinha. E o governo ainda tenta convencer o passageiro de que a aterrissagem foi um sucesso.
Do outro lado do púlpito estava a juventude. Não a da certidão de nascimento, porque Flávio já passou dos quarenta, mas a juventude política de quem ainda pode mudar de ideia sem trair a própria biografia. É um luxo que Lula perdeu há muito tempo. Ele já não consegue mudar uma vírgula sem desmentir o monumento que ergueu para si.
Nem sempre Flávio soube usar essa vantagem. Na Band, errou o diagnóstico. Alguém o convenceu de que o eleitor de 2026 queria um Pablo Marçal de terno, e ele subiu ao púlpito para rezar a missa completa da seita: a indignação performática, o insulto como liturgia, a necessidade adolescente de humilhar o adversário. Funcionou com quem já estava ajoelhado. Para o resto do país, soou como barulho de culto alheio atravessando a parede.
Na Globo, cometeu o pecado que a militância não perdoa: deixou o terço em casa. Os velhos ataques escaparam aqui e ali, como reza de quem cresceu na igreja, mas o personagem era outro. Saiu de cena o filho encarregado de vingar o pai. Entrou um político à procura de quem nunca frequentou a família. E foi aí que o debate revelou sua segunda melancolia, menos comentada e talvez mais profunda.
Não foram só as ideias de Lula que envelheceram diante das câmeras. A liturgia do bolsonarismo também. O fiel que ligou a televisão esperando o herdeiro de Jair encontrou um homem disposto a negociar o legado. Esperava sangue e recebeu planilha. Para uma seita que fez da indignação um sacramento, poucas coisas são mais frustrantes do que um messias que resolve ser razoável.
Quem enxergou ali o arquétipo de Tarcísio de Freitas, o gestor que quer parecer capaz de administrar o país e não apenas de odiar quem o administra, viu a superfície.
O parentesco mais incômodo é outro. O Flávio de 2026 se parece muito mais com o Lula de 2002 e 2006 do que com o próprio pai em 2018 e 2022. Jair venceu com o país em guerra e perdeu sem perceber que a guerra tinha cansado.
Lula só chegou ao Planalto quando aceitou sair do templo, assinou a Carta ao Povo Brasileiro e virou o Lulinha paz e amor. Foi o operário barbudo quem ensinou à política brasileira que eleição se ganha no adro, com quem nunca entrou na igreja. Vinte e quatro anos depois, o filho de Bolsonaro aplicava a lição contra o professor, enquanto o professor pregava para o próprio altar.
A urna vai dizer, no domingo, quem governa. Para quem trabalha com marca, porém, eleição é outra contabilidade. É a soma de gestos, recuos, silêncios e escolhas que vão se depositando na cabeça de quem assiste até virar percepção. E percepção, uma vez formada, chega ao poder antes de qualquer posse.
Lula entrou no debate como essas marcas centenárias que já não vendem o produto, vendem a lembrança dele. Recitou o catálogo, apontou para as prateleiras de 2003 e esperou que o consumidor se emocionasse. O consumidor olhou o preço.
É o caso clássico da marca que se confundiu com o fundador. No auge, era vantagem. Agora é condenação, porque herdeiro recebe o patrimônio, não a biografia, e o lulismo nunca teve outro patrimônio.
Flávio fez, em uma semana e diante de todos, o que as marcas levam anos e fortunas para tentar: reposicionou-se em praça pública. Entrou na Band como extensão de linha do pai e saiu da Globo com nome próprio. Desagradou parte da clientela fiel para conquistar quem nunca tinha entrado na loja, que é exatamente o movimento que Lula fez em 2002 e que hoje já não consegue repetir.
Ontem, Lula parecia convencido de que bastava repetir os antigos milagres. Flávio entendeu que, em política, o único milagre que importa é o eleitor mudar de ideia sobre você.
Flávio não apenas venceu o debate, ele venceu a eleição.
@Estadao Mas qual a promessa q @LulaOficial fez para este 3º governo antes de se eleger? Qual foi o plano econômico que apresentou? Deveria ter optado p uma saída honrosa, desistido da reeleição. Não tem condições de continuar e, se reeleito, saberemos a bomba que vai ser. Melhor a duvida