“Quando buscamos a verdade, o principal problema são os vieses da nossa própria mente.”
É fácil enxergar os vieses na mente dos outros. O importante é entender como os nossos próprios vieses moldam nossas opiniões e nossa visão de mundo.
É muito difícil ver o mundo com clareza se a mente gera ilusões o tempo todo e acredita nelas. Quando aprendemos a observar a própria mente sem ficar presos a nenhuma ilusão, fica mais fácil entender tudo: da história à economia, e até a biologia.
Fonte: Yuval Noah Harari
A política move a economia? Ainda assim, levá-la para a carteira como tese central pode ser um perigo para o investidor. Morgan Housel abordou esse assunto em um podcast recente.
Com as eleições de meio de mandato se aproximando nos EUA, Morgan Housel conta que recebeu uma série de pedidos para comentar o pleito e seus efeitos nos investimentos. A resposta foi um não categórico. E ele explicou o porquê em dois níveis.
O primeiro é sobre comunicação. Qualquer comentário, por mais neutro, irritaria metade da audiência. E, para ele, boa parte da mídia se deteriorou ao tratar a raiva do público como métrica de sucesso: quanto mais indignação, mais engajamento.
O segundo é mais importante: levar a política para decisões financeiras quase sempre termina mal. Poucas coisas são tão tóxicas para o pensamento crítico quanto a lente partidária. Housel diz nunca ter conhecido quem investiu assim e não se arrependeu.
Isso não significa ignorar a política. Governos movem gastos, regulação, guerras e o preço do petróleo, tudo isso afeta empresas e mercados. O problema é que é quase impossível pensar em política sem tomar partido. E o partidarismo contamina o julgamento.
A política opera com narrativas limpas e persuasivas. A economia é uma máquina complexa, com incontáveis variáveis interagindo ao mesmo tempo. Nem sempre a economia se comporta como a política promete.
Ele dá alguns exemplos. Em 2000, com a vitória de George W. Bush, uma tese ganhou força: corte de impostos → mais consumo → companhias aéreas como grande aposta. No papel, fazia todo sentido.
Então veio o 11 de setembro. O setor aéreo afundou e várias das maiores companhias americanas acabaram em recuperação judicial nos anos seguintes. Nenhuma tese eleitoral tinha como incorporar esse risco.
Em 2008, com a eleição de Barack Obama, a lógica era igualmente clara: incentivo à energia verde → empresas solares em alta. Não era uma ideia absurda.
Ainda assim, poucos setores foram piores para o investidor nos anos seguintes. Muitas dessas empresas deixaram de existir. A tese acertou a política e errou o investimento.
Housel observa que é possível montar essa história para praticamente qualquer governo. A narrativa “este presidente será bom (ou ruim) para o setor X” é fácil de construir. A chance de ela se concretizar na carteira é baixa.
No mesmo episódio, ele traça uma distinção: previsão extrapola um padrão histórico; profecia afirma algo impossível de saber. A tese eleitoral costuma ser uma profecia vestida de previsão e convence justamente porque diz o que queremos ouvir.
Fonte: Morgan Housel — Three Types of Intelligence
Exigir que a indústria de petróleo fabricasse plataformas no Brasil parecia a receita perfeita para gerar empregos. O resultado real? Poços inviabilizados e a destruição de 60.000 vagas de trabalho.
Como explicou o economista Marcos Lisboa em entrevista à Folha, a política de conteúdo nacional no petróleo parecia óbvia: em vez de encomendar plataformas no exterior, exigir componentes e montagem em estaleiros locais para aquecer a economia e abrir vagas para brasileiros.
Só que a exploração de petróleo responde a custos rigorosos. As plataformas feitas no Brasil ficaram muito mais caras do que no mercado global, e a conta não fechou. Dezenas de poços de petróleo deixaram de ser economicamente viáveis nos preços da época.
Com poços inviabilizados, a exploração foi abortada. Menos petróleo sendo extraído significou menor produção total, queda na entrada de dólares via exportação e menos arrecadação de tributos e royalties para os cofres públicos.
A conta final foi levantada em estudo da UFRJ: o emprego gerado artificialmente nos estaleiros navais não compensou a perda na extração. O impacto agregado na cadeia produtiva do petróleo gerou um saldo líquido de 60.000 vagas destruídas.
Para Lisboa, o erro do petróleo se repete no setor elétrico: subsídios cruzados e distorções regulatórias que beneficiam lobbies pontuais sob o pretexto de fomento, encarecem os custos de energia para todo o país e drenam a competitividade geral dos negócios.
Nesse modelo intervencionista, cada linha de benefício na indústria energética ganha donos específicos. O discurso populista vende essas regras como progresso nacional, mas a entrega concreta é ineficiência, custo elevado e desperdício de capital.
A lição, ainda não compreendida pelos governantes, é que forçar a produção local contra os custos de mercado destrói valor econômico. Protecionismo sem rigor técnico e dados não gera riqueza sustentável; gera atraso.
Fonte: Folha de S.Paulo | videocast Desenquadrando
Empresa ruim precisa de governo bom. Empresa boa vai com governo ruim mesmo.
Em um cenário dominado por eleições, fica aqui uma ótima reflexão do André Esteves.
Fonte: Na Prática | Como Ser um Protagonista? Entrevista Exclusiva com André Esteves
"Se algum dia você se sentir tentado a buscar aprovação externa, saiba que comprometeu sua integridade. Se precisar de uma testemunha, seja a sua própria." — Epicteto
Quando você busca aprovação externa, está entregando o critério do seu valor a terceiros. Para Epicteto, isso já é um sinal de que algo se deslocou: você deixou de agir porque é certo e passou a agir para ser visto agindo certo.
Durante a Apollo 11, Michael Collins virou-se para Neil Armstrong e Buzz Aldrin: "É impressionante como a gente se adapta rápido. Não parece nada estranho olhar lá fora e ver a Lua passando." O feito mais extraordinário da humanidade já havia virado paisagem.
Daí a definição de "suficiente" proposta por Morgan Housel: é quando as expectativas finalmente passam a crescer mais devagar que a renda. Sonhar continua essencial, pois é a base do progresso. Mas parte da riqueza está em aproveitar o que já se tem.
Ninguém consegue aquecer um oceano. Brian Chesky, cofundador do Airbnb, usa essa imagem para explicar por que a maioria das empresas persegue escala cedo demais.
Fonte: Invest Like The Best | How Brian Chesky Is Redesigning Airbnb for the AI Era
“Todas as grandes indústrias do mundo foram reinventadas por empresas de tecnologia, exceto o setor bancário. 95% dos serviços financeiros do mundo ainda estão com as grandes instituições tradicionais. É quase como dizer que 95% da distribuição de vídeo no mundo ainda pertence à Blockbuster, ou que a JCPenney domina no lugar da Amazon, ou os táxis no lugar do Uber. Isso vai mudar. Pode levar mais uma década, pode levar duas. Mas os maiores provedores de serviços financeiros do mundo serão empresas de tecnologia. E nós temos chance de ser um deles.”
— David Vélez, cofundador do Nubank, em entrevista à @colossusmag
Talvez o maior erro ao analisar a IA seja começar pelos chatbots.
Jensen Huang faz o caminho inverso: começa pela eletricidade.
A partir daí, ele constrói um mapa de 5 camadas para entender a economia que está surgindo ao redor da inteligência artificial.