@diegoescosteguy A nossa desigualdade social mostrará sua cara de modo impiedoso. Toda a ignorância e arrogância de nossa gente, também. Pobres ou ricos. Está sendo um encontro indisfarçável com o « barro » do qual somos feitos. Exemplo? Como lavar as mãos onde inexiste o básico saneamento?
Algo tem me incomodado nas análises que me pedem sobre a conjuntura eleitoral - eu gostaria de compartilhar com vcs. Fala-se da direita ou da esquerda (que fez isso, planejou aquilo, está de olho naquilo outro) como se fossem 2 entidades ou organizações que decidem as eleições
“A Betty (Faria) não gostava de mim”
“A Regina (Duarte) não é uma pessoa ruim”
“Foi o maior privilégio que eu tive como atriz”
Maitê Proença falando sobre Betty Faria, Regina Duarte, Ney Latorraca, Fábio Porchat, Lima Duarte, Boni, Adriana Calcanhotto e outros.
A temporada de caça promovida pelos ideólogos e ativistas das pautas identitárias foi pródiga esta semana. Como era de se esperar: 1) o campo de caça predileto é a cultura; 2) o alvo predileto são os progressistas de esquerda, os únicos sensíveis a estes ataques coletivos.
O Brasil foi hegemônico no futebol durante dois períodos. Hegemonia é caracterizada por domínio.
De 1950 a 1970, a seleção disputou seis copas, foi finalista em quatro e saiu vitoriosa em três. Tornamo-nos "o país do futebol".
Entre 1994 e 2002, o Brasil disputou três copas: venceu duas e foi finalista em outra.
A hegemonia de 1994 a 2002 poderia ter se estendido pelo menos até 2006, uma vez que naquele ano a base da seleção era a mesma do time campeão quatro anos antes. Não tinha mais Rivaldo, o maestro de 2002, mas Kaká e Juninho Pernambucano, no auge, estavam lá, além de Adriano, um dos melhores centroavantes do mundo na época.
Todos sabemos que o grupo de 2006 tinha tudo para pelo menos chegar à final, mas faltaram os elementos principais: compromisso, respeito à torcida, vontade. Foi triste e um prenúncio do jejum que viria na sequência.
Com o vexame de hoje, ficaremos pelo menos 28 anos sem vencer uma copa do mundo, a maior seca desde sempre (as copas começaram a ser disputadas em 1930; teve copa em 1934 e 1938, mas, por causa da segunda guerra mundial, o torneio só foi retomado em 1950, no Brasil).
Este é, portanto, o maior jejum efetivo da história da seleção brasileira.
Para o país do futebol, este é um fato que nos faz pensar: ainda somos o país do futebol?
Corremos o risco de sermos lembrados como o país do futebol quando o esporte era dominado pelo amadorismo. O retorno à elite não depende do surgimento de craques do nível de Pelé, Didi, Garrincha, Tostão, Rivellino, Rivaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno.
Depende de trabalho, seriedade, do fim de corrupção no futebol, da profissionalização definitiva dos clubes, da mudança radical da gestão da nossa principal liga, de uma revolução na CBF, da transformação do futebol brasileiro num espetáculo vendável ao mundo, na distribuição equitativa dos direitos de transmissão.
No fim da década de 1980, os ingleses, criadores do futebol, chegaram ao fundo do poço, com a exclusão por cinco anos, pela UEFA e a FIFA, da seleção e dos clubes ingleses de torneios internacionais. A razão era a violência nos estádios, característica que provocou uma tragédia inominável.
O desastre de Hillsborough, ocorrido em 15 de abril de 1989, vitimou 97 torcedores do Liverpool e deixou centenas feridos devido à superlotação e a falhas de controle de multidões durante a semifinal da Copa da Inglaterra contra o Nottingham Forest.
A tragédia puniu os times e seus torcedores - imagine o Flamengo, o Palmeiras e o Fluminense serem proibidos de disputar a libertadores durante cinco anos! Pois é, os ingleses foram rigorosos e a punição criou uma oportunidade de redenção.
Os clubes sentaram-se à mesa para reformular tudo e, dali, foi criada a Premier League. A evolução foi extraordinária e tornou a Inglaterra o principal centro do futebol mundial.
A volta do Brasil à glória do futebol depende de nós, brasileiros.
O futebol é o esporte mais bonito já inventado. E pelos motivos mais loucos.
Em primeiro e mais importante lugar, porque decidiu contrariar o corpo humano.
Parece exagero, mas não é. A nossa espécie passou milênios se gabando das mãos. Polegar opositor, ferramenta, escrita, espada, bisturi, controle remoto, celular. Quase tudo o que fazemos bem passa por elas. A mão é a arrogância anatômica do ser humano.
O futebol olhou para isso e disse que não.
No futebol, a parte mais habilidosa do corpo é quase proibida. As mãos ficam ali, inúteis, penduradas, como se fossem um acessório constrangedor. Só um sujeito pode usá-las, justamente aquele colocado para impedir a alegria dos outros. O resto precisa resolver a vida com os pés, com a cabeça, com o peito, com o ombro, com o improviso e com uma dose generosa de erro.
Isso muda tudo.
Com as mãos, o corpo obedece. Basta ver um jogo de basquete para entender. A bola parece extensão natural do atleta. Ela vai, volta, quica, gira, entra. Há beleza nisso, claro. Mas há também uma certa obediência do mundo. A mão manda e a bola aceita.
Com os pés, a bola negocia.
Ela escapa meio metro. Ela bate na canela. Ela quica no gramado ruim. Ela trai o craque e humilha o perna de pau. Ela transforma um domínio simples em pequena tragédia. Ela permite que um passe fácil vire lateral e que um chute torto entre no ângulo.
Essa é uma parte enorme da graça. O futebol é difícil porque é jogado contra a própria anatomia. Um drible perfeito vale mais porque não deveria ser tão limpo. Um lançamento de quarenta metros vale mais porque saiu de uma parte do corpo que, em tese, foi feita para caminhar. Uma bicicleta vale mais porque desafia a física, o bom senso e a lombar.
Com as mãos, muita coisa parece possível. Com os pés, quase tudo parece improvável. O futebol nasce desse quase.
O segundo motivo é igualmente insano. O futebol é o único esporte em que tudo foi pensado para ter o mínimo possível de pontos ou gols. Foi desenhado para torná-lo raro.
O impedimento existe para atrapalhar o gol. O goleiro existe para atrapalhar o gol. A defesa existe para transformar o caminho até a rede em um labirinto de pernas, faltas, desvios, tropeços e gritos de “sobe”.
Sem goleiro e sem impedimento, o futebol seria outra coisa. Talvez um esporte de placar alto. Talvez mais palatável para quem precisa de pontuação constante para acreditar que algo está acontecendo. Mas seria menos futebol.
O futebol vive da espera.
Boa parte da partida é feita de aproximações. Um passe que não entra. Um cruzamento alto demais. Um atacante que sai um segundo antes. Uma bola na trave. Uma defesa impossível. O jogo vai acumulando tensão. A torcida sabe que o gol pode não vir. E justamente por isso, quando vem, ele rasga tudo.
O gol não é apenas um ponto. É uma explosão, uma libertação de toda a tensão acumulada.
É gente abraçando desconhecido. É pai lembrando do filho. É filho lembrando do pai. É cerveja voando e todos achando razoável. É arquibancada virando corpo coletivo por alguns segundos. Ninguém comemora uma cesta de três pontos como comemora um gol aos 43 do segundo tempo. Não há equivalência possível. O gol é raro demais para ser tratado com educação.
Por isso o futebol incomoda tanto aqueles que se acostumaram a muitos pontos. Ele não entrega recompensa em intervalos regulares. Ele não promete justiça proporcional. Um time pode ter a bola o jogo inteiro, criar quinze chances, chutar na trave, obrigar o goleiro adversário a fazer a melhor partida da carreira e perder de um a zero em um escanteio mal defendido.
Isso não é falha do futebol.
É futebol.
A retranca pode ser feia, mas pode funcionar. A posse de bola pode ser elegante, mas nem sempre resolve. O time inferior pode se fechar, sofrer, gastar tempo, buscar uma falta lateral e achar um gol chorado no fim. O empate pode ser grande resultado. O zero a zero pode ser uma operação de sobrevivência.
Resto em
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#Elections «On a aujourd'hui deux gauches, une radicalisée et une sociale-démocrate, et deux droites, une également radicalisée et une plus modérée. On aboutit à une quadripartition. Les débats entre gauche et droite n'existent plus» @Luc_Rouban@LesEchos https://t.co/K69C8qBdRq
EDITORIAL | Um grito de socorro pelas universidades – “Os novos fariseus e zelotas podem vestir a linguagem emancipatória da inclusão social ou racial e, ainda assim, excluir brutalmente ideias e convicções”. Leia o texto completo em @opiniao_estadao → https://t.co/it9wQIhIWi
@willgomes O presidente de esquerda e o vice de direita. Quanto ao Câmara, há que se considerar tb que poucos se elegem com os próprios votos, à esquerda ou à direita.
Defender o pluralismo nas universidades é urgente. Convido a ler e assinar o manifesto pela liberdade acadêmica no site https://t.co/MQd4Yq8pOK
O texto publicado hoje no jornal O Globo está aqui https://t.co/rvnGHuPNis
@igoreckert@Soll_OPC A luta dos cientistas n é por neutralidade, mas por autonomia. A ideologia, crença ou cultura do cientista n muda o fenômeno. Pode mudar a explicação; que se estiver errada, será corrigida por outros cientistas. "Simples" assim.