Opa, idiota Manholi Manolo: e sobre aquele caminhão de combustível prestes a ser explodido no aeroporto de BSB?
Tome tenencia, homi!
@GloboNews#Empauta
Só mesmo a racinalidade de @flaviaol pra clarear as coisas neste lúgubre cenário...
Como pode ser possível que queiram abrir uma CPI para investigar o padre Júlio Lancellotti, um homem que dedica a vida a amar o próximo, os mais necessitados, um homem que tanto acolhe e ajuda pessoas em situação de rua?
Que políticos são esses?
É necessário e fundamental expor os nomes de todos os vereadores que assinaram para instalação da CPI.
Padre Júlio, o senhor tem toda a minha admiração e apoio. Na verdade, o senhor só me inspira.
Essas pessoas são totalmente avessas ao cristianismo.
Pessoas ruins, do mal, cheias de ódio no coração e na mente.
Eu já tinha feito a minha feira, estava tirando o carro do estacionamento, dando ré, quando vi, pelo retrovisor, sentada num batente, uma mulher, com a mão levantada, olhando para mim pelo espelho, como que pedindo um auxílio.
Consegui ficar exatamente ao seu lado, quando dei a ré completa.
— Olá, boa noite! Me desculpe, estou sem nada hoje.
— Tá bem! Pode deixar.
Ela não insistiu, não reclamou, nem se mexeu. Ela não tinha emoção nenhuma na sua voz. Na verdade, ele não aparentava nenhuma força em nada.
Era uma mulher de uns 24, 25 anos, muito magra, com o cabelo amarrado com um lenço branco. Usava uma bermuda jeans e uma camiseta amarela.
Eu saí do mercado, mas me intriguei com aquela moça. Fiz a volta no quarteirão e voltei à loja, desta vez pela parte de fora. Parei próxima de onde ela estava e buzinei. Ela ficou procurando de onde vinha aquele barulho. Quando conseguiu olhar na minha direção, dei com a mão, chamando-a.
— A buzina é para mim?
— É sim. Qual o seu nome?
— Ana.
— Ana, está desde que horas aqui no supermercado?
— Cheguei quando o sol estava começando a esfriar. Sei dizer a hora não.
Mesmo eu vendo que ela era de poucas palavras, tentei puxar mais assunto. Aquela moça precisava conversar.
— Ana, como eu te falei, eu hoje só vim com o cartão fazer a feira. Mesmo assim resolvi voltar para conversar com você. Me diga uma coisa, você não trabalha? Tem família?
— Trabalho não. — Ela falou e se calou. Fiquei debruçada na janela do carro, mais alguns segundos, esperando, para ver se ela falava um pouco mais. — Já trabalhei em casa de família, mas deixei de trabalhar quando o patrão veio tirar cabimento comigo. Como se eu tivesse obrigação de fazer o que ele quisesse, só porque era empregada dele. Sou pobre, mas minha mãe me ensinou a ser gente.
— Aí vive de quê, Ana?
— De pedir. Saí de casa e nunca mais voltei. Moro na rua.
— E o que aconteceu para sair de casa assim?
— Meu pai bebe muito, é alcoólatra, e minha mãe apanha dele quase todo dia. Um dia, me meti no meio da briga deles, e minha mãe mandou que eu deixasse eles em paz, que eles se entendiam. Pediu para eu não me meter na vida dos dois. Eu não me meti mais, mas aí ele veio bater em mim também. Eu não aguentei e saí de casa. Vim para Mossoró de carona.
— Você é de onde, Ana?
— Messejana, no Ceará.
— E aqui está dormindo onde?
— Ainda não tô com canto certo. Já dormi na praça dos Correios, no centro, na praça perto da maternidade. Mas fico com medo de alguém fazer alguma coisa comigo e fico sempre andando.
— E sua família sabe que você está aqui?
— Não. Acho que não. Estou aqui desde o mês passado e não falei com ninguém de lá. Não estou com dinheiro, nem celular, nada. Mas não quero voltar para casa não.
Impressionante como Ana não tem esperança alguma, nas palavras, nem no olhar.
Voltei ao supermercado, comprei algumas coisas de lanche para Ana e água mineral. Ela agradeceu sem muita empolgação e saiu andando. Não a fotografei. Fiquei pensando como foi o Natal e Ano Novo de Ana. Pensei também em como foi o meu.
Hoje, 19h38 do dia 2 de janeiro de 2024, conheci Ana, uma mulher que não tem endereço, nem felicidade.