Hoje, o desejo de milhões de angolanos é apenas um: deixar o país, fugir da crise e procurar uma vida digna na Europa
Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que os melhores cérebros do país faziam o caminho inverso.
Há precisamente 49 anos, no dia 27 de Maio de 1977, o destino de Angola mudou para sempre.
- Uma jovem angolana de 24 anos
Estudante de medicina em Portugal fez exatamente o oposto
Ela abandonou o conforto de Portugal e decidiu regressar para dar a vida por Angola, literalmente mas foi brutalmente assasinada
Foi executada em 27 de Maio de 1977 precisamente hoje, há 49 anos
Antes de regressar a Angola, Sita já era uma lenda em Portugal. Em pleno regime fascista de Salazar, ela tornou-se uma das principais líderes da resistência estudantil na Faculdade de Medicina de Lisboa
Tinha um futuro brilhante na Europa
Em 1975, com a independência de Angola, ela abdicou de tudo. Voltou para ajudar a construir a sua terra natal
Envolveu-se na política e afilhou-se ao partido político MPLA
Mas como o poder corrompe
O MPLA dividiu-se em dois blocos. De um lado, a elite liderada pelo então presidente da república Agostinho Neto. Do outro, uma ala dissidente, mais à esquerda, liderada por Nito Alves
Sita acusava o então presidente da república de trair o povo, de corrupção e de privilégios para a nova elite política. Ela queria uma revolução real, não apenas discursos bonitos.
Essa divisão culminou no trágico 27 de Maio, apontado pelo governo como uma tentativa de golpe de Estado
Sita foi capturada. Com apenas 25 anos, após semanas de tortura e possivelmente estupro , foi executada por um pelotão de fuzilamento
Por mais de 40 anos, a história da Sita Valles e de vários outros angolanos que decidiram regressar para ajudar a construir o país foi um tabu e algo proibido de falar ou de ser ensinado nas escolas de Angola
Se hoje a história parece confusa, é porque tentaram apagá-la
49 anos depois, Angola continua a viver de discursos, não há revolução e o desejo de milhões de angolanos é abandonar o país, nem que for apenas com a roupa do corpo