Confesso que estranhei essa postagem do Tabet, meu colega na Escola de Comunicação da UFRJ, com quem sempre mantive uma relação cordial e respeitosa. A referência ao editorial de 2018 “Uma escolha muito difícil” é evidente. A piada eu entendi, o que me escapa é o pecado que o Estadão teria cometido desta vez, na visão dele.
Fico portanto a imaginar que o Tabet tenha lido no jornal algo que o desagradou. Talvez o editorial que aponta o caráter partidário da atuação de Flávio Dino no episódio. Talvez a cobertura crítica à circulação da fake news segundo a qual Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
(Flávio, convém lembrar, não é uma figura exatamente aplaudida pelo Estadão, que na última quarta-feira publicou o editorial "Flávio e a sombra dos milicianos", alertando para o risco de uma eventual eleição do candidato do PL facilitar o acesso das milícias do Rio de Janeiro ao topo do poder da República.)
Sempre acompanhei com interesse e até admiração o trabalho do Tabet como humorista, em especial seu melhor personagem, o policial Pessanha. Mas a única ligação que conhecia entre ele e temas religiosos vinha dos especiais de Natal do Porta dos Fundos para a Netflix. O primeiro, "Se Beber, Não Ceie", de 2018 — os apóstolos de ressaca depois da Última Ceia, sem saber onde foi parar o Messias —, rendeu ao grupo o Emmy Internacional de melhor comédia. Uma semana depois de receber o prêmio, o grupo dobrou a aposta com "A Primeira Tentação de Cristo".
Vale lembrar a história. Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, volta de quarenta dias no deserto para a festa surpresa dos seus trinta anos e apresenta à família o namorado, Orlando, personagem de Fábio Porchat — que no fim se revela ninguém menos que Lúcifer (desculpem o spoiler). Na festa, Maria e José contam ao aniversariante que ele é adotado e que o pai verdadeiro é Deus. E Deus, Ele mesmo, é interpretado pelo Tabet: um Deus autoritário, egocêntrico e com um interesse pouco católico por Maria.
Houve protestos, acusações de blasfêmia e pedidos de censura. Até aí, manifestações que podiam ser discutidas e contestadas publicamente. Mas um tal Eduardo Fauzi entrou no debate de outra forma: com coquetéis molotov atirados contra a sede da produtora, na véspera do Natal de 2019. Depois, fugiu para a Rússia. Neste ano, foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão.
Não sou católico nem sigo religião alguma. Defendo o direito de Tabet fazer piadas com Jesus e seus apóstolos, assim como o dos cartunistas do Charlie Hebdo de caricaturar Maomé. Esse direito não pode depender da disposição do ofendido para rir. Como aprendemos com Orwell, a liberdade inclui o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.
Por isso mesmo, acho perfeitamente defensável o ponto de quem se voltou contra o ministro André Mendonça pela derrubada em massa de mais de mil postagens sobre o tema — como fez o próprio Tabet, na reclamação que acabou levando à decisão do ministro Flávio Dino.
Sejam bem-vindos os que só agora descobriram o valor da liberdade de expressão, inclusive os que até anteontem aplaudiam os arroubos autoritários do ministro Alexandre de Moraes no agora moribundo inquérito das fake news. (Millôr já tinha explicado o fenômeno: democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.) Mas também entendo os argumentos jurídicos de quem sustenta que o ambiente eleitoral, ainda mais na sua derradeira semana, não pode ser um vale-tudo.
O que é mais difícil de defender é o súbito interesse por símbolos do catolicismo. E que aflora, não por acaso, na reta final de uma eleição muito difícil para o presidente Lula, em que cada dia traz um tema novo — Nossa Senhora Aparecida na quinta, as bets na sexta —, sempre apresentado como a bala de prata que vai selar o resultado das urnas. Resultado que, a julgar por pesquisas e trackings, segue teimosamente em aberto. E que se decide nas urnas, não no altar.
Apesar de especulações em contrário, não é o cargo de padroeira do Brasil que está em disputa.
É o de presidente.
Vamos lá que começaram as ofertas daquela promoção mais tradicional que caixa de Maizena, o Prime Day da Amazon!
Já deixa teu retuíte nesse post e vai lendo o fio, jovem!
Ontem, respondi a uma conta fake distorcendo estudo científico para atacar os gays, com a velha mania mentirosa dos intolerantes de nos associar à pedofilia.
Agora, voltamos à programação normal.
Esta entrevista chapa-branca da Veja com a gerente de marketing da Latam mostra muito bem por que a dita (e fictícia) “comunidade LGBT” continua perdendo popularidade.
Em momento nenhum a entrevistada toca nas razões pelas quais isso está acontecendo, nem a entrevistadora demonstra curiosidade por isso. O que nos faz perguntar qual é o propósito da entrevista, já que os elefantes na sala seguem intocados. Esqueceram de marcar a entrevista com “informe publicitário”?
Nos últimos anos, vimos o grande grupo político que podemos chamar de progressismo identitário defendendo a inclusão de atletas do sexo masculino no esporte feminino. Parece que eles torciam que os fãs e profissionais do esporte simplesmente largassem sua paixão por mérito, indissociável do esporte, e colocassem no lugar o valor eminentemente progressista da “inclusão”, que infantiliza o “incluído” e o coloca em risco com tratamento especial. Observe as crianças: aquela mais reclamona, mimada e com uma tendência a levar suas injustiças percebidas aos adultos, pedindo punição às outras, é popular entre as demais? Não. Pelo contrário.
Não satisfeito, esse grupo político usou a popularidade de seus valores na ciência e na medicina para implantar o programa insensato, pouco científico e pouco hipocrático de bloquear as puberdades de crianças que insistem que querem pertencer ao outro sexo. Ignorando décadas de estudo cuidadoso, aquele que indicava que a maioria desiste com o tempo.
De repente, a figura associada à pauta da “diversidade” sexual deixou de ser Harvey Milk, deixou de ser a história triste de injustiça contra o casal fictício de Brokeback Mountain, e passou a ser associada a mimados que achavam que ninguém faria nada se colocassem homenzarrões musculosos para tirar títulos de mulheres na natação, no levantamento de peso, no vôlei etc.
É uma mentira, aliás, chamar de pauta da “diversidade”. Na verdade, era uma pauta de uniformização de pensamento, perseguição inquisitorial a quem pensasse diferente, inclusive a gays, lésbicas e trans que pensassem diferente. Era a mesmice tediosa fazendo crossdressing de diversidade. Mas a maquiagem colorida era mal aplicada e não convencia. Todo mundo podia ver o volumão de intolerância ali, despontando nela.
Ademais, desde quando é normal empresas abraçarem pautas políticas? Quando quiseram que a gente se escandalizasse com a procissão de empresários das Big Techs na posse de Donald Trump, era tarde demais. Já estávamos dessensibilizados depois que as mesmas empresas tentaram expurgar opiniões contrárias ao progressismo do ambiente público. É difícil se escandalizar com a vida sexual de prostitutas.
Nunca houve uma comunidade LGBT. Uma comunidade compartilha mais que espaços físicos e estilos musicais: é um nexo cultural de gerações. A “comunidade” LGBT é um balaio de gatos de pessoas que são o que são por acidentes de nascença, modas ideológicas (certamente o caso dos "não binários") e até, crescentemente, fetiches — como se muita gente estivesse ansiosa por saber que uma fração pequena das pessoas gosta de se vestir de cachorro para fazer sexo.
Rosana, a fotógrafa lésbica da minha cidadezinha mineira, responsável por gerações de fotos de eventos e das formaturinhas das crianças, faz parte da nossa comunidade local, onde é bem quista, ou tão quista quanto qualquer outra pessoa ali. Ela certamente não faz parte de uma “comunidade” que inclua Dylan Mulvaney, um ator fracassado da Califórnia que saiu do musical Book of Mormon e descobriu de repente, por coincidência quando isso estava na moda no TikTok, que na verdade ele era “mulher”. Daí virou “garota” propaganda da cerveja Bud Light, causando prejuízo de 20 bilhões à cervejaria Anheuser-Busch InBev por boicote dos consumidores. ( https://t.co/XXKaZ98h7o )
Meu ponto não é atacar trans. Na verdade, eu defendo há anos a tipologia de Blanchard e acho que transexuais homossexuais não deveriam levar a culpa pelo que autoginéfilos fazem.
Meu ponto é que basicamente quase tudo o que se fez em nome desse balaio de gatos desde a conquista do casamento gay foi errado — do papo furado da “comunidade” aos excessos do autoritarismo woke.
Todo mundo ocupa alguma minoria. Basta viver o bastante: ou você começa a integrar a minoria dos deficientes, ou a minoria dos idosos cujos amigos na maior parte já morreram. Pela combinação da sua personalidade, seus gostos peculiares, sua genética e os acidentes pelos quais você passou, ninguém é igual você.
O que a gente faz consensualmente entre quatro paredes, ou quem a gente escolhe como companheiro de vida, diz muito pouco sobre quem nós somos. Quem é inteligente faz essa conclusão facilmente e segue a vida, ignorando barulho irrelevante como qual sinalização de virtude a Latam está fazendo atualmente como parte de seu desperdício de dinheiro com marketing.
A entrevista é parte disso. Insiste na sinalização de virtudes, ignora os problemas que o público corretamente enxergou nisso. Os publicitários estão sempre numa espécie de guerra armamentista com o público: para cada ferramenta de manipulação que o publicitário inventa, o público cria uma resistência de ceticismo, motivando a próxima mentirinha branca do publicitário sobre o produto ou o serviço que ele oferece. Essa relação ecológica, às vezes conflituosa, às vezes harmônica, mais reflete do que causa os ventos culturais.
O erro do publicitário militante é achar que o giro da biruta causa a direção do vento. O vento mudou e não há nada que ele possa fazer a respeito. Não foi ele que fez a biruta virar a favor do woke antes, aliás.
@cegadede@fgpetter@maicontargz Desculpe, mas acho difícil o i5 ter qualquer hardware novo, tirando, se tanto, o armazenamento. Nada ali ainda é produzido. É golpe para pegar leigo. Pode caracterizar o art. 66 do CDC, mas preciso ver todo o anuncio. Dito isso, o Pi está totalmente contra a proposta original.
@rafaelkriek Sendo político o critério para a escolha (observados os requisitos), políticos podem ser os fundamentos da rejeição. Quanto ao bloqueio, concordo que não deveria o senado poder atrasar sine die sabatina. Nem o presidente fazer isso com a nomeação.
@neoerickbr@RaphaelMemes Ignorem. Ou é troll ou só ignorante mesmo. Primeiro cita lei de SP (18.083), que so se aplica a eventos com mais de 250 pessoas. Contestado manda link para Lei de Curitiba que fala de publicidade em eventos. Não alimente os Trolls.
@leonardo1opes@gballve_prof De fato o povão não fala muito - como aqui. Mas me estive lá há uns 15 anos e me lembro de programas de de auditório - tipo esses de domingo - em que os participantes competiam justamente para ver quem tinha melhor domínio do inglês. Era bastante incentivado aprender.
@izzynobre@grok @arquivocurioso Estender a camisa entre os braços e usar como uma vela, abanando para cima e para baixo, não geraria algum impulso, uma vez que há ar?