Short thread recommending literature on the dual identity of Latin American white elites as both colonising white supremacists (inter-regionally) and anti-imperialist radicals (extra-regionally), since Argentina seems to have broken the Anglo-European world’s mind
uma disposição para vencer que supera a limitação técnica. Além da total conexão com a torcida e com o país, comportamento oposto ao que vemos no Brasil.
P.S.1: Enzo Fernandez, que fez o gol de empate, deveria ter sido expulso aos 3min do primeiro tempo
P.S.2: Domingo é La Roja!
Minha antipatia contra a Argentina é meramente futebolistica, não gosto do jogo retranqueiro, da catimba, da deslealdade. Torço contra assim como torço contra os adversários do meu time.
Isso não me impede de reconhecer que o futebol argentino tem o que o nosso não tem:
A PESQUISA COMO ENREDO
Há uma diferença antiga entre medir a opinião pública e organizá-la, e a nova rodada Genial/Quaest, lida com a atenção que os seus 121 slides não esperam receber, pertence menos ao primeiro gênero do que ao segundo. Os números podem até ser honestos. O questionário não é neutro.
Comecemos pela pergunta que o instituto guardou para o fim, quando o entrevistado já atravessou mais de uma hora de estímulos: "O que te dá mais medo hoje: mais um governo Lula ou a família Bolsonaro voltar ao poder?". Um manual introdutório de metodologia reprovaria o enunciado em três pontos. Primeiro, o verbo. Pergunta-se sobre medo, uma emoção, e não sobre preferência, avaliação ou expectativa, que é o que pesquisas eleitorais sérias medem. Segundo, a assimetria dos objetos comparados: de um lado um governo, entidade institucional e abstrata; do outro, uma família que "volta ao poder", vocabulário de dinastia e de restauração que nenhum entrevistado escolheu, mas que o instrumento lhe entrega pronto. Terceiro, a nota de rodapé, quase tímida, avisando que os percentuais de "não sabe" e "não respondeu" foram removidos do gráfico "para facilitar a legibilidade". Facilita também a manchete.
O mesmo desenho assimétrico reaparece na pergunta sobre moderação. Lula é comparado ao PT, seu partido, uma referência política. Flávio Bolsonaro é comparado à "sua família". Um candidato ao Planalto é medido contra uma sigla; o outro, contra um sobrenome. A escolha do padrão de comparação já contém a tese que a pergunta finge investigar.
Depois há a aritmética da atenção. São doze slides, do 72 ao 83, dedicados ao desentendimento entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Doze. E o instrumento não se limita a medir o que o eleitor sabe: ele informa. A pergunta que abre o bloco, "você já sabia desses vídeos ou ficou sabendo agora?", admite no próprio enunciado que uma parte da amostra tomou conhecimento do episódio pela boca do entrevistador, para em seguida opinar sobre aquilo que acabou de lhe ser narrado. Chama-se a isso medir uma opinião que o próprio questionário fabricou.
O contraste com o tratamento dado ao caso Jaques Wagner e ao Banco Master é instrutivo. Ali o questionário oferece ao entrevistado, dentro do enunciado, a alternativa exculpatória: "outras pessoas acreditam que não houve nada de errado". E acrescenta uma pergunta de isolamento, se o caso é "uma questão pessoal do senador" ou "uma questão institucional do governo Lula", corredor semântico pelo qual o entrevistado pode proteger o presidente do escândalo. Flávio não recebe corredor equivalente. A crise da sua família é apresentada como crise da sua candidatura; a crise do senador do PT é apresentada como episódio biográfico destacável do governo que ele integra.
Resta a estatística, que é onde a imprensa costuma parar de ler. A margem de erro declarada vale para o agregado nacional e sob a hipótese, sabidamente falsa em amostras por cotas, de sorteio aleatório simples; a ponderação posterior carrega efeito de desenho que ninguém reporta. Nos recortes que alimentam as manchetes, por posicionamento político, por religião, por renda, a margem real facilmente dobra ou triplica, e diferenças celebradas como movimento são, com frequência, ruído. Acrescente-se o que 2018 e 2022 ensinaram e os institutos preferem esquecer: a entrevista presencial, face a face, num país onde declarar voto à direita ainda constrange diante de um entrevistador com prancheta, subestimou sistematicamente o campo conservador nas duas últimas eleições presidenciais. Não há na ficha técnica nenhuma correção declarada para esse vício conhecido.
Nada disso prova adulteração, e não é essa a acusação. A acusação é mais melancólica. Uma pesquisa que pergunta sobre o medo de uma família antes de perguntar sobre o futuro de um país já escolheu a história que quer contar. O eleitor que aparecerá nas manchetes desta semana não foi apenas ouvido. Foi, em alguma medida, ensaiado.
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@ggaspari@rnishimura "Art. 17. A divulgação de pesquisa sem o prévio registro das informações constantes do art. 2º desta Resolução sujeita as pessoas responsáveis à multa no valor de R$ 53.205,00 (cinquenta e três mil, duzentos e cinco reais) a R$ 106.410,00 (cento e seis mil, quatrocentos e dez .."
OPINIÃO | 📊 ECONOMETRIA FÁCIL | A manchete diz que brasileiros preferem pagar menos impostos a receber serviços públicos. Mas será que a pergunta do survey permite concluir isso?
Neste vídeo, mostro por que o desenho de uma pergunta importa tanto quanto a resposta. Quando uma mesma questão mistura impostos, saúde, educação, serviços privados e confiança no governo, diferentes motivações acabam produzindo a mesma resposta.
Em pesquisa, uma boa pergunta é aquela que consegue medir exatamente o que pretende medir.
📌 Referência: Stantcheva, S. (2023). How to Run Surveys: A Guide to Creating Your Own Identifying Variation and Revealing the Invisible. Annual Review of Economics, 15, 205–234.
📲Leia mais na #Folha: https://t.co/5dWo8gUpj9
📊 Victor Rangel (@EconometriaFaci) é bacharel em economia e mestrando do Insper
Um detalhe no quarto gol da Bélgica, que sacramentou a eliminação do Estados Unidos da Copa do Mundo:
Os jogadores belgas comemoraram fazendo a “dancinha” do Donald Trump! 😂🇧🇪
1. Vamos às notas.
Alisson: 7,5 [Fez uma boa partida, e praticamente pegou um "pênalti" na chance de Odegaard no 1º tempo. Uma saída providencial que tirou um gol de Haaland quando Endrick já estava sendo vencido do lado direito da defesa. Sem culpa nos gols.]
O BRASIL E A ERA NEYMAR
1. O pior momento de um torcedor da Seleção é explicar a eliminação. Mas algum tem de fazer o serviço sujo. O plano de jogo do treinador foi correto. Apesar da angústia de Everaldo Marques com a pequena posse de bola, esse era o meio mais