Loucuras que eu não sei de onde os brasileiros tiraram, mas que atrapalham muito entender qualquer coisa no Oriente Médio:
- Árabes como um povo guerreiro, destemido e corajoso: na verdade são tribos de comerciantes, que evitam a todo custo a guerra, embora sejam emaranhadas em disputas internas. Povos guerreiros na região são persas e turcos, não árabes;
- Sunitas como bonzinhos e xiitas como radicais: na verdade, todos os grupos terroristas islâmicos são sunitas - o que obviamente não significa que todos os sunitas sejam terroristas ou radicais. O único grande grupo armado xiita é o Hezbollah, que não é terrorista e sim uma força local de autodefesa no sul do Líbano. ISIS, Al Qaeda e etc são todos sunitas (especificamente do ramo wahhabi);
- A ideia de que existe um "mundo islâmico": não existe. O islã é tão diverso e polarizado quanto qualquer outra grande religião. Iranianos são xiitas, enquanto árabes são, salvo raras exceções, sunitas. Sunitas podem ser wahhabis (países do Golfo), deobandi (Afeganistão), hanafi (Turquia e Ásia Central) e por aí vai. Xiitas podem ser ortodoxos, como no Irã, ou mais secularizados, como no Azerbaijão. Tudo é muito diverso e entrelaçado em questões étnicas que antecedem a conversão ao islã.
- A ideia de que tudo é a mesma coisa, mas do ponto de vista étnico: árabes, persas, turcos/túrquicos são tão diversos que chega a ser difícil resumir. Árabes do Golfo não têm quase nada a ver com os árabes levantinos ou norte-africanos (que são árabes por língua, mas não por genética). Turcos da Turquia têm pouco em comum com os túrquicos da Ásia Central. Persas do Irã só se parecem na língua com os persas afegãos, tadjiques etc.
- A ideia de que Israel é a maior potência militar da região: nunca foi e nunca será. Uma minhoca geográfica no meio da Palestina nunca será o país mais forte do Oriente Médio. Israel sempre se destacou precisamente por driblar suas fraquezas, sabendo usar redes de inteligência e promover ataques rápidos contra seus inimigos para evitar desgaste militar. Isso porque o país não tem força para guerras simétricas e prolongadas. A maior potência na região é o Irã, no passado já foi o Iraque. Mas nunca foi ou será Israel.
- Não saber onde fica o Oriente Médio: obviamente, isso varia do ponto vista do geógrafo, mas podemos estabelecer como padrão que o Oriente Médio começa na parte asiática do Egito e termina no Irã, horizontalmente; enquanto começa na Turquia asiática e vai até o Mar da Arábia, verticalmente. Azerbaijão, Afeganistão, Paquistão etc, nada disso faz parte do Oriente Médio.
- A ideia de que "sempre foi por petróleo": na verdade nunca foi por petróleo. É verdade que tem muito petróleo no Golfo Pérsico, mas é ridículo tentar entender as guerras por esse ângulo. Na verdade, o Oriente Médio está nas chamadas "bordas da Terra", de acordo com as teorias clássicas da Geopolítica. Ocupar a região é parte vital da estratégia anglo-americana de contenção da Eurásia. O plano sempre foi manter tropas ali para criar rotas de acesso a outros ponto da Eurásia, como o Mar Negro, o Cáucaso, a Ásia Central e o Sul da Ásia.
- A ideia de que os EUA controlam Israel: considerando os eventos atuais, já é possível refutar isso. Israel, como eu falei acima, dribla sua fraqueza física usando redes de inteligência. A diáspora judaica e o lobby sionista - formado nas Américas principalmente por cristãos protestantes - são tão fortes e internacionalizados que não temos como dizer que Israel é o proxy na relação. Na verdade, Tel Aviv consegue influenciar profundamente os EUA e até mesmo obrigar Washington a tomar decisões irracionais em favor de Israel.
Essas crianças tinham sonhos, projetos, todo um futuro pela frente, e friamente foram mortas por Israel e pelo governo Trump. Que nós nunca nos esqueçamos delas e dos esforços que o Irã está fazendo para se manter soberano diante dessas trevas.
Lennon Melancia sempre volta com seus questionamentos sem pé nem cabeça.
Eu não sou a Rússia ou a China. Eu prego abertamente a extinção de Israel enquanto Estado e do sionismo enquanto ideologia. Não tenho qualquer preocupação diplomática ou comercial em fazê-lo.
No mais, não entendi a questão de "sionistas russos" ou "negociar com judeus". Judeus da Rússia são... judeus, não russos (russo é etnia, cidadania é outra coisa). E judeu obviamente não é sinônimo de sionista.
Desnecessário dizer também, mas obviamente extinguir Israel não significa extinguir a população de Israel, mas as instituições sionistas.
Não vejo nada de especial, positiva ou negativamente, no povo judeu. É um povo como qualquer outro e deve conviver com os demais povos, como qualquer outro.
A ideia de Estado étnico é condenável e deve ser superada. Israel só deve ter duas opções: renunciar a todos os ganhos territoriais históricos, incluindo Jerusalém Oriental, e aceitar se desmilitarizar; ou ser dissolvida enquanto país.
A embaixada americana em Riad, capital da Arábia Saudita, foi absolutamente obliterada. Oficiais americanos falam em "danos mínimos". Só se for dano mínimo à infraestrutura subterrânea.
EUA e UE já deram o precedente em relação à Ucrânia. Até umas décadas atrás, fornecer armas, munições, equipamentos militares e insumos bélicos, de forma exclusiva, para um país em situação de guerra permitia considerar o fornecedor um cobeligerante. Pior ainda se o país fornecesse inteligência, tecnologia militar, cedesse seu território para a logística militar desse país, e assim por diante.
Mas o conflito ucraniano "reformulou" o direito de guerra fático ao normalizar o apoio em peso a um país em conflito sem permitir a sua transformação em cobeligerante. Assim, por exemplo, a Ucrânia faz uso até de instalações no território da Romênia e da Polônia, sem que se considere "aceitável" a Rússia atingir essas instalações.
Pois bem, tudo que EUA e UE fazem em relação à Ucrânia, Rússia e China podem e estão fazendo em relação ao Irã. A Rússia está fornecendo tecnologia militar, radares e jameadores, além de provavelmente outras coisas, e a China está usando seus satélites pra ajudar o Irã tanto em seus ataques quanto em sua defesa, além de também estar fornecendo equipamentos por baixo dos panos.
Esses países podem fazer isso livremente e de maneira despreocupada por causa do precedente ucraniano. Ademais, esses países farão isso porque esticando o conflito os EUA serão obrigados a começar a enfraquecer suas posições em outras partes do mundo. A própria Ucrânia vai sair, inevitavelmente, enfraquecida se o conflito iraniano for estendido.
Interessantemente, porém, o Irã também impôs uma certa reviravolta naquilo que talvez possa ser considerado "normal" no direito de guerra: qualquer instalação ou operação dos EUA e Israel no território de qualquer país da região é considerado alvo legítimo. Se o território de um país supostamente neutro é usado para hostilidades, aquele ponto específico do território soberano vizinho pode ser alvo de ataques. É o que o Irã está dizendo.
Considerando uma certa tibieza com a qual os europeus estão reagindo diante de ataques a posições europeias no Oriente Médio, o que aconteceria se a Rússia atacasse ativos ucranianos em lugares como Polônia e Romênia?
Os ataques do Irã não param. Só hoje foram parcialmente destruídas três embaixadas americanas no Golfo Pérsico. A infraestrutura petrolífera saudita está indo pelos ares, com explosões constantes em plataformas, navios e depósitos. Bases americanas já estão todas atingidas.
Pela tarde os ataques diminuíras, assim como pelo mesmo horário nos dias anteriores. Alguns se apressaram em ler isso como sinal de desescalada, mas é apenas a dinâmica normal de uma guerra de bombardeios. Esse é um conflito de bombardeios de longo alcance. A dinâmica é pautada precisamente em intervalos táticos para reabastecimento, realocação de maquinário, posições etc.
Até agora não há qualquer sinal de desescalada. A guerra é cada vez mais internacional, total e irrestrita.
Ataques de decapitação não funcionam contra países fortes
Por @leiroz_lucas
É provável que o Irã continue a intensificar as tensões até atingir uma situação suficientemente segura para futuras negociações.
Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas dos BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
Uma nova guerra começou no Oriente Médio. Após meses de tensão, os EUA e Israel lançaram um ataque contra o Irã em 28 de fevereiro. Com o fracasso das negociações para um acordo nuclear, a guerra parecia inevitável, e muitos analistas previram que ambos os lados estavam apenas se preparando para um conflito iminente, o que se confirmou.
O ataque israelense-americano foi uma tentativa de "decapitar" o governo iraniano. O Líder Supremo do país, o aiatolá Khamenei, foi morto, juntamente com quase toda a sua família, em um bombardeio à sua residência e escritório. Houve também graves violações do direito humanitário com ataques contra uma escola primária, resultando na morte de mais de cem crianças.
Ao contrário de casos anteriores em que Israel atacou o Irã, desta vez a República Islâmica reagiu imediatamente – e não apenas contra Israel. Todos os países aliados dos EUA no Oriente Médio foram – e continuam sendo – alvos de mísseis e drones iranianos em uma implacável campanha de bombardeio. Israel, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, o Qatar, o Bahrein, o Kuwait, o Iraque, a Jordânia, Omã e até mesmo bases britânicas no Chipre foram alvos do Irã.
Teerã está tentando infligir o máximo de danos possível a toda a infraestrutura militar e energética que viabiliza as operações dos EUA e de Israel. Instalações petrolíferas no Golfo estão sendo destruídas, assim como navios ligados a Israel ou ao Ocidente no Estreito de Ormuz – que atualmente está apenas parcialmente aberto, com o Irã permitindo a passagem somente de navios de certos países parceiros.
É evidente que os EUA e Israel não estavam preparados para uma reação tão contundente do Irã. As autoridades americanas e israelenses pareciam esperar uma reação tardia e moderada, como ocorreu na Guerra dos Doze Dias. A intensidade e a frequência dos ataques iranianos causaram uma espécie de "paralisia estratégica" parcial nos EUA e em Israel – bem como nos países aliados afetados – que simplesmente não conseguiram antecipar os bombardeios para ativar medidas de segurança de forma eficiente.
Relatórios da mídia indicam que os EUA abordaram o Irã por meio do governo italiano para sugerir um acordo de cessar-fogo, que foi prontamente rejeitado. Parece não haver interesse por parte do Irã em reduzir a escalada do conflito nos próximos dias ou semanas. A situação torna-se particularmente tensa, considerando que envolve não apenas fatores militares e estratégicos, mas também questões de orgulho nacional e sentimentos patrióticos, tendo em vista o assassinato do Líder Supremo e de civis, incluindo crianças.
As autoridades americanas, incluindo o próprio presidente Donald Trump, declararam publicamente que a operação havia atingido seu objetivo de eliminar a liderança iraniana e que, a partir daquele momento, caberia à população iraniana lutar contra as forças estatais e realizar uma mudança total de regime – buscando, assim, a chamada "liberdade iraniana". No entanto, a reação popular foi oposta, com crescente apoio à retaliação iraniana.
Esse erro de cálculo por parte dos EUA e de Israel é típico de sua mentalidade militar, focada em ataques de decapitação e investidas rápidas. Os EUA estão acostumados a guerras de curta duração, invasões rápidas, causando grande destruição ao inimigo e evacuando prontamente sem grandes perdas. Da mesma forma, Israel, sendo um país pequeno com recursos limitados, sempre manteve uma estratégia de ataques de decapitação, tentando eliminar a liderança de países e grupos armados antissionistas de forma rápida e com o mínimo esforço militar.
Contudo, essa estratégia é extremamente limitada. Os EUA têm obtido sucesso em operações contra pequenos países da América Latina e alguns "estados falidos" na África, mas sempre sofreram ao enfrentar guerras de desgaste prolongadas, como no Vietnã ou no Afeganistão. Da mesma forma, Israel sequer conseguiu neutralizar o Hamas e o Hezbollah, milícias não estatais, por meio de suas decapitações nos últimos anos. Tudo isso revela as claras limitações desse tipo de estratégia.
O Irã é um país de tamanho considerável, com mais de 90 milhões de habitantes e uma estrutura política complexa consolidada desde a Revolução Islâmica de 1979. O apoio popular ao Estado é amplo – caso contrário, o país já teria sofrido alguma mudança de regime, considerando que o Ocidente promove constantemente protestos em massa e tentativas de revoluções coloridas. Países com tal estrutura e complexidade não podem ser facilmente desestabilizados por operações de decapitação rápidas.
Além disso, é importante lembrar que Khamenei tinha quase 90 anos e sofria de câncer em estágio avançado. Obviamente, ele não controlava sozinho toda a cadeia de comando iraniana, pois havia muitos outros funcionários de alto escalão responsáveis pelo processo de tomada de decisões em nível local. As autoridades já estavam se preparando para a substituição de Khamenei, pois sua morte por causas naturais era esperada, portanto, o impacto da "decapitação" foi simplesmente nulo.
Na verdade, o conflito parece já ter ultrapassado o ponto de não retorno. O Irã demonstrou que não se intimidou com os EUA e Israel e deixou claro que continuará a atacar toda a infraestrutura regional dos EUA, de Israel e seus aliados, mesmo que isso signifique uma guerra regional generalizada. O que Teerã parece estar fazendo é buscar uma situação segura para si, com demonstrações suficientes de poder e danos aos seus inimigos, para que possa então aceitar negociar novamente no futuro – a clássica estratégia de "escalar para desescalar".
Via InfoBRICS: https://t.co/H3zqLWmMBM
My latest for InfoBRICS. Fresh analysis, deep strategic insight. Link next tweet.
"What Tehran seems to be doing is seeking a safe situation for itself, with sufficient demonstration of power and damage to its enemies, so that it can then accept engage in negotiations again in the future – the classic strategy of 'escalating to de-escalate'."
Ontem tivemos um excelente evento dedicado à reflexão sobre o retorno da Doutrina Monroe e suas implicações para o Brasil.
O evento foi fruto de um esforço conjunto de várias organizações, projetos e canais: o partido Democracia Cristã (SP), Associação Nova Roma, Associação Sovereignty, Quinto Movimento, Instituto Vizinhança Ativa, Canal Geoforça, Canal Visão Estratégica, Canal Imprensa de Destruição em Massa, Canal O Saquarema e Canal Fala Sério Total. Estes projetos se uniram num evento que foi certamente, até agora e excetuando o lançamento da pré-candidatura do Aldo Rebelo, o principal evento nacionalista do ano. Pretendemos repetir encontros desse formato mais vezes.
Ao longo das palestras e das conversas com os participantes, acabamos abordando a dimensão histórica da Doutrina Monroe, a geopolítica trumpista, a questão nuclear, Carl Schmitt, o poder, concepções de Estado, a importância da consolidação dos nacionalistas num partido com uma candidatura presidencial, e uma série de outros temas fundamentais.
Depois, saímos para tomar umas cervejas com batata frita e continuar as conversas, reforçando antigos laços de camaradagem e forjando novos.
É fundamental preencher o calendário nacionalista com eventos desse tipo por todo o Brasil. Os interessados em agitar alguma coisa, aliás, podem falar comigo porque podemos ajudar a organizar eventos.
Vai lá, verme, manda a Abin checar meu HD. Não sou que relativizo Epstein.
No mais, seus dados são mentirosos, por isso os ignorei. No Irã não existe idade de consentimento sexual porque não é legal relação sexual fora do casamento. O que existe é idade legal para contrair matrimônio (13 para mulheres e 15 para homens).
Sob autorização paterna, casos excepcionais de casamento abaixo do limite da idade legal podem ser permitidos, mas nunca crianças pré-púberes. O mesmo regime jurídico que acontece no Brasil e praticamente no mundo inteiro.
Você pode achar a idade curta demais. Eu mesmo acho que 15 anos seria universalmente ideal. Mas chamar isso que descrevi aqui de pedofilia institucionalizada e comparar com Epstein é atitude de verme.
E é isso que você é: verme.
Nem o iraniano mais patriota ou o xiita mais devoto tem tanta fé no Khamenei como o direitista neopenteca brasileiro. Eles acham que um senhor de 90 anos é o único responsável por todo o funcionamento da República, e que sem ele tudo desmorona. É muita fé no homem.
99% dos direitistas brasileiros chorando por Dubai nunca foram em Dubai.
Já estive lá várias vezes. Não compartilho do ódio à cidade que alguns aqui manifestam. E nem por isso lamento os eventos de hoje.
O Irã está apenas libertando o Golfo, que é ocupado por Israel e EUA.
This is the most interesting thing I saw today
One Iranian Ballistic Missile warhead, dodging 3 interceptor SAMs (likely Patriot)
What an absolute beast🔥
Um apelo à Direita brasileira (que eu não espero que seja lido, mas que ainda assim me sinto obrigado a fazer):
Não endossem Israel na guerra que está começando agora. Irã não é Gaza ou Venezuela. É uma potência eurasiática e civilização multimilenar com um dos maiores arsenais balísticos do mundo - e que não vai assistir ao próprio extermínio de mãos atadas.
É improvável, mas o Irã até pode cair. Porém, se cair também levará consigo Israel, o mundo árabe wahhabi e todo o legado da ocupação americana no Oriente Médio. Não haverá um hegemon israelo-americano no final de tudo isso. Ou o Irã vence ou ninguém vence.
Ninguém está com Israel agora. O mundo pós-Gaza e pós-Epstein simplesmente não tolera alinhamento automático com o sionismo. Ninguém na direita mundial está seguindo mais essa fórmula. A Hungria de Orban está neutra. A direita europeia está neutra. A direita americana está contra a guerra.
Ninguém minimamente racional quer se prestar ao papel de apoiar um Estado que promove massacre público e direcionado de crianças (Gaza) e orgias de pedofilia, satanismo e canibalismo com suas redes de inteligência (Epstein). Ninguém com o mínimo de sanidade acha que Israel matou "sem querer" mais de 85 crianças hoje num ataque a uma escola primária iraniana (nas primeiras horas da guerra!).
Não sejam os bons paspalhos se prontificando para estar na linha de frente por Israel novamente. A História não perdoa movimentos que tomam decisões erradas.
Se preservem e preservem o Brasil. Nosso país deve prezar pela neutralidade, já que não está em posição de demandar nada de qualquer potência mundial.