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Comentário do Sandro Carvalho: “Se os artistas fossem somente artistas não teria tanta polarização como hoje. Aqui no Brasil eu particularmente deixei de ouvir muitos músicos (bons músicos diga-se de passagem) por conta de suas declarações e ofensas contra o intelecto do "cidadão comum" que acorda todos os dias e trabalha, estuda, empreende etc ... O povo em geral está cansado dessa elite intelectual que mais divide do que agrega. Esses dias estava assistindo ao documentário do Senna na Netflix e me dei conta de como deixamos de produzir heróis e gente que inspira. Não temos mais em quem nos espelhar ou nos orgulhar. Tudo virou política. Quando um ator, atleta ou músico abre a boca pra falar de política ele divide cada vez mais os brasileiros.”
O Sandro tocou em um ponto sensível: a perda dos heróis que inspiram. E sabe o que é curioso? Não é que deixamos de ter heróis, mas talvez tenhamos deixado de reconhecê-los. No auge de Senna, a admiração vinha pela excelência, pela dedicação, pelo exemplo de superação. Ele era um símbolo que nos unia, independentemente de política, religião ou classe social. Hoje, parece que trocamos essa busca por inspiração por uma necessidade de validação ideológica. Quem não canta na cartilha certa vira inimigo.
O problema não é um artista, atleta ou músico ter opinião. O problema é quando a opinião se transforma em ataque, em soberba, em uma visão deturpada de que o "cidadão comum" não é capaz de pensar por conta própria. Essa elite que o Sandro menciona, em vez de inspirar, afasta. Porque o trabalhador que levanta cedo, rala para pagar as contas e tentar dar uma vida melhor para a família, está exausto de discursos que desdenham de sua realidade.
E como eu disse no Cafezinho anterior, a polarização só aumenta porque tudo virou palco político. O que era pra ser arte, esporte, música — coisas que unem, emocionam e inspiram — agora é usado como arma. Não há problema em um artista expressar sua visão de mundo, mas quando ele coloca sua arte a serviço de divisões, ele perde sua magia. O brasileiro, já cansado do cotidiano, olha para esses artistas e não vê inspiração, vê militância.
A solução? Voltar ao básico. Excelência, trabalho duro, respeito pelo público e pela pluralidade. Não precisamos que artistas sejam neutros, mas que sejam maiores que suas opiniões. Que façam como Senna: mostrem, pelo exemplo, que é possível inspirar sem dividir.
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