É impressionante ver torcedor defendendo o Textor a essa altura.
Ou é falta de informação sobre o que realmente está acontecendo, ou é paixão cega.
Tudo bem, ninguém de fora conhece todos os detalhes. Mas o básico da história dá para entender, né?
Basicamente, Textor colocou uma arma na cabeça do Botafogo e transformou o clube em refém. Ou o controle continua com ele, ou quem tentar tirá-lo herda uma bomba.
Vamos ao contexto.
Tudo começa quando John Textor compra o Lyon sem ter o dinheiro necessário. Para fechar a operação, ele se endivida pesadamente com fundos como a Ares Management e entrega como garantia as ações da Eagle Football, holding que controla seus clubes, incluindo o Botafogo.
Quando o Lyon entra em crise financeira, os credores apertam o cerco. A Ares começa a se mover para executar as garantias e tomar o controle do grupo. Se isso acontecer, Textor perde praticamente todo o império.
É nesse momento que o Botafogo vira a última peça do tabuleiro.
O clube já estava pressionado por dívidas e acabou sofrendo transfer ban. Mesmo que Textor tivesse dinheiro próprio, dificilmente colocaria nesse momento. Ele está em guerra societária. Ninguém reforma uma casa que pode ser tomada pelo adversário no dia seguinte.
Essa era a sinuca de bico dele.
Um empréstimo normal também não viria. Nenhum banco ou investidor tradicional financia um clube mergulhado em crise e no meio de uma disputa de controle internacional.
Aí ele arruma uma solução que mata dois coelhos com uma cajadada só. E que pode matar o Botafogo de tabela.
Surge um empréstimo de cerca de 50 milhões de dólares, com juros capazes de fazer a dívida dobrar a cada quatro meses. Algo próximo de 700% ao ano.
Uma operação que simplesmente não existe no mercado financeiro normal.
A leitura imediata é desespero. Quem dera fosse desespero. A outra hipótese, bem mais plausível, é muito mais grave.
Ao carregar a SAF com uma dívida explosiva, Textor transforma o Botafogo em uma bomba financeira. Quem tentar tirá-lo do controle pode acabar herdando um passivo bilionário.
Pior: isso só faria sentido estratégico para ele se o empréstimo tiver sido estruturado com fundos ligados a ele próprio ou a aliados próximos. Um fundo laranja.
Se a Ares tomar o Botafogo, pode ter que pagar uma fortuna para um credor que, na prática, estaria do lado do próprio Textor. Ou até ser o próprio Textor.
Nesse caso, as alternativas da Ares ficam péssimas. Ou assume uma bomba financeira e ainda transfere dinheiro para um fundo alinhado ao Textor — algo que dificilmente faria — ou desiste da disputa e aceita sair da jogada por algum acordo, deixando o controle com o próprio Textor ou com esse fundo laranja.
E aí aparece um fenômeno curioso. Parte da torcida começa a dizer que, agora que o empréstimo foi feito, não há mais o que fazer. Que tirar o clube do Textor ou impedir o fundo credor de assumir seria pior.
Isso já parece síndrome de Estocolmo.
Vale mesmo deixar o Botafogo na mão de alguém operando dessa forma?
Será que Textor quer reconstruir o clube no longo prazo, como diz? Ou está tentando sugar o máximo possível enquanto mantém o controle?
Algumas movimentações levantam suspeitas — e digo suspeitas porque não tenho dinheiro para advogado.
Transferências repetidas com clubes estranhamente aliados, como o Nottingham Forest do seu parceiro Evangelos Marinakis, em valores abaixo do mercado, chamam atenção.
Operações assim podem indicar
deslocamento de recursos para fora da estrutura do Botafogo.
Imagine um exemplo simples. Um jogador que poderia valer 50 milhões é vendido por 10 milhões. O Botafogo recebe 10. Mas quem comprou pode compensar a diferença em outra estrutura financeira, fora do clube — dando uns 30 milhões para o Textor por outras vias. E ainda vejo gente dizendo que Textor é bobinho, desesperado e vende barato.
Enfim, tudo indica que o clube vai continuar sangrando por meio dessas engrenagens.
Essa é a lógica mais assustadora de todas: transformar o Botafogo em refém permanente. Ou fica com ele para sugar. Ou quem tomar herda a bomba e ele suga. Ou o clube continua sangrando no meio da briga.
A única saída real talvez seja o associativo conseguir provar judicialmente que houve irregularidades graves, retirar o controle de Textor e anular um empréstimo potencialmente criminoso antes que ele destrua o clube.
@CarlosWalger Pior do que isso é o torcedor que dá audiência pra esses caras.
Quem desses ai tá de fato "batendo", cobrando a pífia janela do Botafogo?
@canaldomedeiros Azar o dele, se tivesse roubado o país seria presidente da república
Quanta hipocrisia nos comentários, apontando o erro do cara e elegendo ladrão