🪙 O estranho caso dos bitcoins que desapareceram da PJ
Em outubro de 2018 a Polícia Judiciária fez buscas em Vila Nova de Gaia e apreendeu 9,72 bitcoins, entre outros bens, que aparentemente provinham de operações de branqueamento de capitais.
Havia apenas um pequeno problema: aparentemente, na Diretoria do Norte da PJ ninguém sabia muito bem como aprrender aquilo.
Chamaram os "especialistas" da unidade de cibercrime, que criaram uma "paper wallet" e transferiram para lá os bitcoins que ficaram à guarda da PJ.
Para mexer no dinheiro era preciso uma coisa chamada chave privada.
Bens preciosos, apreendidos e que ficaram à guarda do Estado que era preciso guardar muito bem.
E a PJ guardou! Tão bem que as criptomoedas desapareceram!
O ficheiro com a chave privada esteve num computador da PJ, foi enviado por email, passou por inspetores, chegou ao Ministério Público e acabou impresso.
A magistrada titular do processo viria a explicar que a folha ficou junto ao scanner da impressora do gabinete.
Estamos perante segurança informática à portuguesa. Certamente, impresso num papel não apanha vírus.
Há até um pormenor delicioso.
O inspetor que enviou a chave da carteira avisou por email que o documento não devia ser junto ao processo porque alguém poderia digitalizá-lo e, palavras dele, fazer desaparecer o dinheiro.
Milagre: o dinheiro viria a desaparecer mesmo!
No dia 6 de outubro de 2018, quatro dias depois da apreensão, a carteira foi esvaziada em quatro movimentos.
Para movimentar aqueles bitcoins era necessária a chave privada.
Quem tinha a chave? Boa pergunta!
Tão boa que a Justiça passou anos a tentar responder.
O mais extraordinário é que ninguém parece ter dado pela falta dos bitcoins durante meses.
A descoberta aconteceu quando um inspetor preparava uma apresentação sobre...
apreensão de criptomoedas para o Banco de Portugal.
Foi consultar a carteira para preparar a apresentação e o inspector descobriu que o saldo era zero.
Aposto que foi PowerPoint memorável!
Abriu-se então um processo. Investigou-se quem teve acesso à carteira, por onde circulou o documento com a chave privada e para onde tinham ido as bitcoins.
Conclusão? Não foi possível descobrir quem as levou.
Processo arquivado. E é aqui que entra um nome hoje bastante conhecido.
Em outubro de 2018, o Diretor Nacional da Polícia Judiciária era Luís Neves, atual Ministro da Administração Interna.
O Diretor Nacional da PJ não soube que bitcoins apreendidos pela sua polícia desapareceram enquanto estavam à guarda da Justiça e do Estado Português?
Se soube, talvez fosse interessante saber o que fez...