Pelé: Uma Esguia Figura de Perfeição Atlética
Por Alex Yannis, 10 de junho de 1975
@nytimes
O que torna Pelé, o rei sem coroa do futebol, tão superior a outros craques?
O brasileiro de 34 anos, que deve assinar hoje um contrato multimilionário com o New York Cosmos, possui qualidades físicas e mentais que ele chama de “dádivas divinas de Deus”.
Exames médicos revelaram que o coração de Pelé, quando ele está treinando, bate de 56 a 58 vezes por minuto. O coração de um atleta médio em treinamento bate de 90 a 95 vezes por minuto. A capacidade aeróbica de Pelé é tal que ele consegue repetir um grande esforço em 45 a 60 segundos. Sua visão periférica é 30 por cento maior do que a do atleta médio.
Leonardo da Vinci certa vez desenhou um homem com os braços estendidos formando um círculo, para mostrar as proporções perfeitas do corpo humano. Pelé parece encaixar-se no molde.
Os pés de Pelé são paralelos, e o osso do seu calcanhar é excepcionalmente forte e desenvolvido, o que o obriga a inclinar-se para a frente ao correr e funciona como um amortecedor após um salto ou um chute alto. Isso também contribui para a sua agilidade.
Há alguns anos, especialistas médicos examinaram a esguia e atlética figura de Pelé durante semanas em um laboratório universitário. Cutucaram-no, ligaram fios à sua cabeça para fazer medições, mediram seus músculos e sua mente e, quando terminaram, anunciaram: “Seja lá o que este homem tivesse decidido fazer em qualquer empreendimento físico ou mental, ele teria sido um gênio.”
Mas o homem que nunca concluiu a quarta série faz pouco-caso desses exames. Ele é um católico devoto e está convicto de que seu talento é “o dom de Deus e a disposição de ser um perfeccionista”, disse.
“Sinto o dom divino de fazer algo a partir do nada”, afirmou. “É preciso equilíbrio, rapidez de raciocínio e força — há algo mais que Deus me deu. É um instinto extra que tenho para o jogo. Às vezes pego a bola e ninguém consegue prever qualquer perigo. E, então, dois ou três segundos depois, sai um gol. Isso não me deixa orgulhoso; deixa-me humilde, porque é um talento que Deus me deu.”
“Para aperfeiçoar o seu futebol, Pelé teve aulas de geometria e aprendeu a jogar xadrez”, disse Giora Breil, chefe do programa mundial de juventude da Pepsi-Cola e um dos homens que trabalharam de perto com Pelé na última Copa do Mundo. “Na verdade, quando ele joga futebol é como se estivesse jogando xadrez. Ele consegue prever, com cinco a dez lances de antecedência, o que o seu adversário fará.”
Sobre a condição física e o corpo de Pelé, Breil afirmou: “Se a natureza quis ser generosa, certamente exagerou com Pelé.”
Pelé e Breil continuarão a trabalhar juntos, ao lado de Julio Mazzei, amigo e conselheiro de Pelé, que também atua no programa da Pepsi-Cola. O programa rende a Pelé cerca de 200 mil dólares por ano.
Pelé consegue correr 100 metros em 11 segundos e saltar quase 1,80 metro de altura. Ele salta antes dos demais jogadores para cabecear a bola porque tem a capacidade de pairar por mais tempo no ar. Essa vantagem de uma fração de segundo é enorme no futebol.
“Se devidamente treinado, Pelé ainda poderia ser um dos dez melhores do mundo no decatlo”, disse Mazzei. “Ele joga vôlei e basquete magnificamente.”
Pelé marca com frequência, mas os gols que faz são muitas vezes ofuscados pela sequência aparentemente mágica que os precede — seu controle extraordinário, suas súbitas explosões de aceleração, seu posicionamento instintivo, seus passes criativos.
Em uma entrevista em Frankfurt, em junho passado, Pelé disse: “Não posso errar, porque muitas pessoas me tomam como exemplo. Mas sou humano e, obviamente, sou capaz de errar. O maior medo que tenho é ser algo que esteja além da minha capacidade.”
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Ralph de Carvalho noticiando que o Sport deve concluir a auditoria nos próximos 15 dias.
Mencionou a dificuldade do clube e, inclusive, um episódio que chamou atenção no início da gestão Matheus Souto Maior.
Quando o presidente atual pediu socorro à LIGA e conseguiu um ++
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“Fui até Vorcaro para dar um ponto final na relação”
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Caco Barcelos e Thiago Jock conseguiram entrar no Irã para cobrir a guerra. Que profissional extraordinário é o Caco. Terem retirado o Profissão Repórter da grade para voltá-lo como um quadro do #Fantástico é um desrespeito com sua trajetória profissional
José Trajano foi direto ao ponto no @CharlaPodcast: o grande problema dos comentaristas de hoje é que eles nunca pisaram na rua.
Saem da faculdade, entram num estúdio e já têm opinião formada sobre tudo.
Nunca foram a um treino. Nunca cobriram uma Série C. Nunca ouviram uma história no corredor do estádio. Nunca andaram no ônibus do time.
A escola antiga era diferente.
O repórter botava o pé na lama. Ia pra Copinha.
Ficava do lado de fora do campo conversando com quem estava lá.
E era exatamente nessa vivência que estavam as melhores pautas, os personagens mais ricos, as histórias que ninguém contava.
O pipoqueiro do lado de fora pode ser tio do artilheiro. O PM que ficou de costas pro Maracanã na Copa de 50 era o Zagalo.
Isso só aparece pra quem está presente, não pra quem assiste de longe e comenta de casa.
Quer falar de futebol inglês com propriedade? Vai pra Inglaterra. Passa 15 dias lá.
Vê jogo da segunda divisão, vai a treino aberto, entra num pub, sente o que a torcida sente.
Aí volta e fala.
O atalho do estúdio produz opinião vazia. A rua produz jornalismo de verdade.
📻 José Trajano no Charla.