Eu tenho dificuldades de falar sobre o Envoy de forma imparcial.
Tenho cerca de 400 perfumes na coleção, entre nacionais, contratipos, árabes e de nicho. O meu perfume mais barato é o do Cebolinha, que custa R$ 25. Os mais caros chegam à faixa dos R$ 3.000.
Não se assuste, eu trabalho com isso.
Em meio a essa variedade absurda de preços e propostas, o Envoy é, de longe, o perfume que mais me rendeu elogios na vida.
Ele não só me rendeu uma quantidade absurda de elogios como se tornou, até hoje, o único perfume que eu parei de usar com frequência só porque não aguentava mais ser elogiado. Já estava ficando constrangido.
E aqui vale abrir um parêntese importante: a perfumaria é, antes de tudo, para agradar a si mesmo. Se você busca elogios como objetivo principal, talvez essa carência precise ser resolvida com terapia, não com perfume.
Mas o fato é que o Envoy é avassalador.
Fixa demais, projeta como um monstro, é consideravelmente versátil, deixa rastro.
É um perfume carregado de ambroxan, um aromático sintético que gera sensação afrodisíaca. Talvez seja o perfume com mais ambroxan que eu conheço.
Quando eu trabalhava no Tribunal de Justiça, às sextas-feiras, sempre usava o Envoy com roupa esporte fino. Pessoas que estavam no prédio para audiências comentavam o cheiro que ficava no corredor. Era nesse nível.
O Envoy é unissex. Não é masculino. É predominantemente doce, muito potente, com uma estrutura tropical — frutas como manga e pêssego em evidência, dulçor de baunilha, um toque bem apimentado, que lembra manga com pimenta-do-reino.
Simplesmente imbatível.
A versão original, Ambassador, da marca suíça Gisada, é mais polida e "podada". O Envoy é mais explosivo: mais ambroxan, mais frutas, mais presença. Uma versão com as notas estouradas mesmo, no melhor sentido possível.
No Brasil, um país com cultura perfumística ainda recente, é um perfume que pode causar estranheza em alguns. Aqui, muitos homens foram ensinados que perfume tem que ser amadeirado, robusto, sério. O Envoy é o oposto disso: frutado, suculento, alegre, vibrante, informal.
Ele é fora da curva, mas não recomendo como perfume número 1. Para isso, o ideal é algo mais leve, fresco e confortável, e também recomendo que tenha também um perfume mais formal e elegante, para ter equilíbrio na coleção.
O Envoy, porém, precisa estar na coleção. Ele é a arma secreta, o monstro na jaula. Se adapte a ele. Vai valer a pena.
Genuinamente, é um dos melhores produtos da perfumaria nacional de todos os tempos.