"Ô pacato cidadão! Te chamei a atenção, não foi à toa não..."
Quem se lembra do Acústico do Skank reconhece a melodia de primeira. Mas aqui, no solo onde a lei foi transformada em instrumento de perseguição, a canção ganhou uma continuação amarga: te chamei a atenção e não foi à toa não, porque nessa terra de injustiça o STF está metendo a mão.
Existe um princípio básico sobre o feitio da alma brasileira que a esquerda e o consórcio no poder simplesmente esqueceram. Ou talvez tenham se deslumbrado com o controle simultâneo dos poderes — o Judiciário alinhado, o Executivo, a grande imprensa no papel de quarto poder e setores da Igreja atuando como quinto poder — a ponto de acreditarem que poderiam colocar a bota sobre o pescoço do homem comum sem qualquer reação.
Eles esqueceram aquilo que eles mesmos exploraram com maestria nas décadas de 1990 e 2000.
Para entender a loucura do que estamos vivendo hoje, vale olhar para trás.
Desde o regime militar na década de 1960, a esquerda construiu uma narrativa muito eficiente: a ideia de que fazer oposição ao regime era sinônimo exclusivo de liberdade, de democracia, de cultura e de amor. Enquanto os militares passavam a imagem de violência e autoritarismo, a esquerda vendia a imagem de cultura, tolerância e civilidade.
Essa narrativa seduziu muita gente por anos. Inclusive eu.
Eu já um fui petista. Eu tive a carteirinha do partido, fui formalmente filiado ao PT, votei no Lula e fiz campanha para ele na primeira eleição em 2002.
Lembro exatamente do tom da propagando vitória: foi a consagração do "Lulinha paz e amor". O sindicalista belicoso cortou a barba, colocou terno sob medida feito pelo Ricardo Almeida, aproximou-se do mercado financeiro, montou uma aliança com o centro e vestiu o manto de apaziguador da nação. Prometia comida no prato, pacificação política e respeito aos valores das famílias.
A esquerda venceu em 2002 porque entendeu com perfeição o desejo do brasileiro médio: viver em paz.
O brasileiro médio não vive para ideologias. Ele só quer o que aquele rap clássico dos anos 1990, "O Rap das Armas" dizia: "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci". O brasileiro acorda cedo, trabalha duro, quer pagar as contas, alimentar os filhos, tomar uma cervejinha no fim de semana e ver o jogo de futebol no domingo.
Mas essa pacatez tem limites. E quem melhor explicou isso na história política brasileira foi o professor Plínio Corrêa de Oliveira.
Em 14 de dezembro de 1982, escrevendo para a Folha de S. Paulo, o Dr. Plínio publicou um artigo profético intitulado "Cuidado com os pacatos!".
Ao analisar o avanço eleitoral da esquerda na esteira da abertura política em estados como São Paulo, Rio e Minas, ele deixou um alerta que define o Brasil com exatidão cirúrgica:
"Se a esquerda for açodada na efetivação das reivindicações 'populares' e niveladoras com que subiu ao poder; se se mostrar abespinhada e ácida ao receber as críticas da oposição; se for persecutória através do mesquinho casuísmo legislativo, da picuinha administrativa ou da devastação policialesca dos adversários, o Brasil se sentirá frustrado na sua apetência de um regime bon enfant, de uma vida distendida e despreocupada. Num primeiro momento, distanciar-se-á então da esquerda. Depois ficará ressentido. E, por fim, furioso. A esquerda terá perdido a partida da popularidade."
Para fundamentar seu raciocínio, Plínio lembrava da história da França: o rei Luís XVIII, ladino e tolerante, compreendeu a necessidade de distensão e morreu em paz no trono em 1824. Já seu sucessor, Carlos X, sem nenhuma sutileza política, governou com perseguição obsessiva aos adversários, quebrou a calmaria e terminou derrubado do poder.
E Plínio concluía com uma frase que merece ser emoldurada:
"Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes..."
Essa profecia está se desenrolando agora diante dos nossos olhos.
A aura de que a esquerda representava a paz começou a ruir nas manifestações de junho de 2013. Aqueles atos começaram convocados por grupos radicais de esquerda e marcados pela violência dos Black Blocs quebrando tudo. Só que o povo pacífico, exausto do descaso, tomou a avenida e assumiu a pauta dos protestos.
Nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, ficou ainda mais evidente: multidões de famílias nas ruas repudiando de imediato qualquer sinal de arruaça. O homem comum percebeu que a decência e o amor ao país estavam com quem marchava pela ordem, não com quem destruía patrimônio.
Em 2018, ocorreu uma virada decisiva. Eu já vinha estudando: assistia às aulas do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho, conhecia o documentário O Teatro das Tesouras do Brasil Paralelo e compreendia as engrenagens revolucionárias. Mas para o cidadão comum, o despertar foi provocado por um acontecimento dramático: a facada covarde em Jair Bolsonaro em Juiz de Fora.
Bolsonaro já atraía multidões nos aeroportos e ruas por onde passava, mas a tentativa de assassinato mudou tudo. O brasileiro pacato odeia perseguição e violência covarde. Quando viu o atentado na televisão, o povo pensou: "Se estão tentando matar esse cara, é porque ele está enfrentando o sistema". A indignação popular diante do ataque virou uma onda de votos.
Em 2022, a história virou. A postura ríspida de Bolsonaro e falas duras exploradas fora de contexto pela imprensa — como no episódio do "coveiro" na pandemia — feriram a sensibilidade pacata do eleitor comum. Isso desgastou sua margem nas urnas e facilitou o retorno da esquerda ao Palácio do Planalto.
Só que a esquerda voltou ao poder achando que tinha carta branca para a vingança e para o aniquilamento dos seus opositores.
E o instrumento para essa perseguição já vinha sendo forjado há tempos: o Inquérito das Fake News no STF, conduzido por Alexandre de Moraes.
Um inquérito ilegal, instaurado de ofício sem provocação da PGR, no qual o mesmo magistrado atua como vítima, investigador e juiz. Sob o pretexto de combater boatos, montou-se uma máquina de caça às bruxas. Pessoas que nem sequer estavam em manifestações passaram a ser perseguidas, tiveram redes sociais derrubadas, contas bancárias bloqueadas, passaportes confiscados e visitas da PF. Não precisava cometer crime: bastava manifestar apoio a Bolsonaro ou simplesmente criticar o Lula ou STF para ser tratado como criminoso contra o Estado.
Foi em cima desse laboratório de arbítrio que se deu a orquestração do 8 de janeiro de 2023.
Quem olha os bastidores sabe muito bem que aquilo foi arquitetado e politicamente aproveitado pela cúpula do poder: Flávio Dino no Ministério da Justiça, o próprio Presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Sabiam das caravanas, foram alertados com antecedência pelos órgãos de inteligência e, convenientemente, afrouxaram a segurança da Esplanada para que os prédios fossem invadidos. Precisavam do quebra-quebra para gerar imagens de choque, decretar intervenção federal e alimentar a narrativa de uma suposta "tentativa de golpe".
Mas a mentira não se sustenta diante dos fatos: os manifestantes estavam desarmados. Não havia armas de fogo, tanques, fuzis ou um confronto militar sangrento televisionado como a Guerra do Vietnã. Houve vandalismo, sim, mas o que o governo e o Judiciário fizeram em resposta foi instaurar um verdadeiro gulag em pleno Brasil.
Mais de mil pessoas foram amontoadas no ginásio da Polícia Federal e jogadas no sistema penitenciário sem individualização de pena.
O caso mais revoltante e emblemático foi o do vendedor ambulante que estava na Esplanada apenas vendendo camisas do Brasil para colocar comida em casa. O homem não quebrou nada, não invadiu gabinete, não tinha relação com motim algum. Foi preso, atirado no camburão e trancado no cárcere do 8 de janeiro como se fosse guerrilheiro, simplesmente por estar vendendo camisas verdes e amarelas.
Ao lado dele, vimos penas desumanas de 14 a 17 anos de cadeia para donas de casa e manifestantes pacíficos; uma mulher processada e presa por riscar com batom na estátua da Justiça; e a tragédia imperdoável de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, homem doente mantido encarcerado na Papuda até a morte, mesmo com parecer da PGR pedindo sua soltura imediata.
O cidadão olhou para tudo isso e perguntou: desde quando prender camelô, trancar velinhas e deixar um trabalhador morrer na cela é defender a democracia?
E o que vimos na mais recente sessão do Supremo Tribunal Federal foi o último prego no caixão dessa farsa.
A começar pelo próprio objeto da sessão: tratava-se de decidir se Alexandre de Moraes deveria ou não ser investigado e afastado. E qual foi a aberração? O próprio ministro participou da votação e votou a favor de si mesmo. Ele foi o juiz do próprio julgamento, garantindo a sua própria impunidade.
O plenário exibiu um Gilmar Mendes completamente alterado; um Alexandre de Moraes desarticulado; enquanto Flávio Dino e Zanin tentavam posar de intelectuais apaziguadores, citando versículos bíblicos e frases forçadas de Aristóteles — que o filósofo provavelmente nunca disse — para tentar maquiar o arbítrio.
E para coroar a censura institucional, calaram e cortaram a fala do ministro André Mendonça, impedindo-o de expor suas divergências.
Quem acha que essa vergonha ficou trancada na bolha da internet não entendeu nada. Ontem, em uma transmissão do jornalista Cláudio Dantas, uma ouvinte mandou um super chat contando o que aconteceu na fábrica onde trabalha: ela é a única mulher em meio a dezenas de operários. Naquela tarde, o patrão mandou parar todas as máquinas, suspendeu a linha de produção e ligou um telão no galpão para que os trabalhadores assistissem ao vivo à sessão do Supremo.
Eram operários comuns, homens que não acompanham política e não vivem de militância ideológica. Conforme assistiam à arrogância dos ministros, aos gritos de Gilmar e às falas de Moraes votando em benefício próprio, o chão de fábrica inteiro foi tomado por um sentimento unânime de revolta e indignação.
O pacato cidadão viu, com os próprios olhos e em tela grande, a podridão do sistema.
Enquanto esse teatro acontece nos tribunais, o brasileiro do mundo real acorda cedo para enfrentar comida cara, inflação alta, novos impostos criados a cada semana pelo Ministério da Fazenda e uma grande mídia que funciona como assessoria de perseguição estatal.
A esquerda que há trinta anos vendia a fantasia de democracia, literatura, amor e direitos humanos hoje se transformou no símbolo da perseguição covarde, do arrocho tributário e da violência estatal contra o cidadão indefeso.
Eles cometeram o maior erro da história política brasileira: tiraram o pacato da sua pacatez.
O brasileiro médio tolera quase tudo. Tolera fila de posto de saúde, tolera burocracia, tolera descaso. Só não tolera ter a sua paz roubada e ver a covardia virar método de governo.
Primeiro, o povo se distanciou em silêncio. Depois, ficou profundamente ressentido. Agora, o ressentimento virou fúria.
Quando chegar o dia 3 de outubro diante das urnas, o sistema vai descobrir que nada resiste ao despertar feroz de um povo pacato que foi levado ao limite.
@levisback Graças ao nosso Senhor Jesus Cristo. Os novos padres são todos tradicionais, quer dizer, pelo menos não são modernistas e estão muito longe da TL, né? Graças a Deus.
@gu_afonso Graças ao nosso Senhor Jesus Cristo. Os novos padres são todos tradicionais, quer dizer, pelo menos não são modernistas e estão muito longe da TL, né? Graças a Deus.
@folha Bom, não tem que derrubar porra nenhuma, mas isso mostra um ponto. Eles estão querendo criar um burburinho pra falar que a censura não é só de um lado. Mas isso não é verdade. É só você ler, ver o inquérito das fake news.
O ponto é que as pessoas não conseguem conceber o comunismo na realidade. Eles consomem usando a utopia como defesa de tudo que eles fazem. Esse que é o problema. Porque o comunismo ele é feito de falácias, de mentiras. Então por isso que acontece isso.
Uma tarefa hercúlea: explicar para um esquerdista o que é ser de esquerda; explicar para um marxista comunista o que é, na prática, ser comunista.
Os objetivos declarados dos comunistas são apenas cenouras de burro. O objetivo real não é abolir a elite, e sim se tornar a elite, e através dela chegarem ao exercício total de poder e controle.
Dois pontos. A questão é que tem os católicos de IBGE, ou seja, aqueles que se declaram católicos, só que não vão na missa desde o Natal de 1979. E também a questão da revolução da igreja, que foi profunda. Até hoje a gente ainda tem muitas paróquias da TL, muitas paróquias ainda são de esquerda e tal. Mas o verdadeiro católico, ele não vota na esquerda, até porque, como diz São Pio X, como diz não, tratou numa bula papal que aquele que é comunista está automaticamente excomungado.
@LEME12 Do Lula faltou o principal, o Foro de São Paulo que era uma Pátria Grande clandestina a qual decidi tudo o que acontece na Latino America e tem membros como As FARCS, Sendero Luminoso e Cartel de los Soles.