Passei os últimos dias abrindo na mão as 129 companhias que já divulgaram o 2T26. Não é o tipo de coisa que dá vontade de fazer, mas foi o que mostrou o que a manchete não mostra. Vou te contar três coisas.
A primeira. Quando você olha a mediana de crescimento de EBITDA das 127 companhias com base comparável, dá 9,6%. Parece um trimestre ok, né? Aí você abre por setor e o negócio muda de cara. Óleo, gás e petroquímica fez mediana de 117,4%. Metais e mineração fez 26,3%. Do terceiro lugar para baixo desaba tudo. Varejo e consumo fez 1,0%. Papel e celulose encolheu 3,9%, alimentos encolheu 5,5% e o agro encolheu 27,7%. O crescimento do trimestre inteiro cabe num setor só!
A segunda é a que mais me incomodou. Das 127 companhias, 29,9% entregaram EBITDA menor do que um ano atrás. Fora das commodities esse número vai para 30,5%. Em óleo e gás, nenhuma encolheu. Nenhuma mesmo. Ou seja, quase um terço da bolsa brasileira teve trimestre de contração operacional enquanto todo mundo chamava a temporada de mista. Mista para quem?
A terceira é onde estão os extremos, e aqui vale ler a letra miúda. No topo: Braskem com 1.130,2%, Vibra com 257,2%, PRIO com 218,5%, Boa Safra com 180,0%, Ultrapar com 149,1% e Light com 135,3%. No fundo: MRV com 232,7% negativos, Agibank com 68,7%, Even com 55,3%, EZTEC com 50,4% e 3tentos com 49,0%. Agora a letra miúda. As altas de óleo e gás e da Boa Safra vêm de base deprimida do 2T25, então calma. E o buraco da MRV é impairment não caixa da Resia, também não é o que parece. Já as quedas do agro e das construtoras de médio e alto padrão são operacionais de verdade. Essas doem.
Duas coisas eu levo daqui para o 3T26. A primeira é que o ciclo de crédito virou por aqui e ainda não está no preço: o Estágio 2 do Bradesco foi para 5,5% da carteira vindo de 4,9%, a cobertura caiu 8,7 pp para 152%, a despesa de provisão subiu 22,6% a/a e a formação de inadimplência do Banco do Brasil mais que dobrou t/t. A segunda é que a inadimplência já saiu do banco. Equatorial, Energisa, Sabesp, Copasa e Sanepar reportaram, todas, aumento de provisão para perda. E olha, conta de luz e conta de água a pessoa paga até o fim. Quando começa a não pagar, o recado não é sobre a companhia. É sobre a renda de quem paga a conta.
Daqui a pouco eu volto com a parte dos nomes, que é onde fica interessante de verdade.
Recomendo esse post. Objetivo, preciso e atemporal.
Em 2014, fundamos a Arbor justamente com essa aposta: "nadar a favor da maré sempre será uma escolha mais inteligente". Ou, colocando de outra forma: never bet against the future.
O futuro é (i) tecnologia, (ii) crescimento de produtividade e (iii) estruturas de capital otimizadas para aumentar a velocidade do equity (retorno) - o juros precisa ser BAIXO!!
São os únicos três componentes estruturais que importam no longo prazo para compor capital a taxas substancialmente maiores do que a renda fixa.
O resto é trade de oferta e demanda (fluxo) de commodities: afinal em uma old economy nenhuma empresa tem vantagem competiva durável, todas serão disrupted eventualmente.
profissão?
comerciante de preços.
No call do 2T26, o CEO da $AMZ apresentou a defesa mais objetiva que eu já vi da equação de ROIC do capex de IA que vimos desde a explosão do chatGPT. E a razão para o “ROIC” de balanço enquanto em hyper growth sempre parecer baixo. 👇
O framework separa o investimento em dois ativos com ciclos de capital fundamentalmente diferentes: o real estate do data center, onde o desembolso começa dois anos antes da monetização mas que permanece produtivo por mais de 30 anos, e os chips e equipamentos de IT, comprados apenas meses antes do deployment, contra uma demanda que já é visível e cada vez mais contratada por prazos de cinco anos ou mais.
Os investimentos em GPUs da Nvidia atingem break-even de caixa em "um pouco menos de três anos" contra uma vida útil de cinco a seis anos, então cada shell de data center abriga cinco a seis gerações sucessivas de servidores sem repetir o investimento civil inicial, e as margens do workload de IA estão seguindo a mesma trajetória que o cloud core da AWS percorreu no estágio equivalente de maturidade — "na verdade, um pouco à frente" segundo o Jessy.
Como base nesses comentários qualitativos:
Modelamos um único datac center ao longo do seu ciclo completo de 30 anos para testar o que esses comentários qualitativos implicam quantitativamente. A variável mais importante é o payback de caixa dos chips. "Um pouco menos de três anos" significa que cada dólar de capex de IT gera aproximadamente US$ 0,36 de contribuição anual de caixa — tudo parte desse comentário. Ao longo de uma vida útil de seis anos, isso representa ~2,2x cash-on-cash por geração de servidores, uma IRR desalavancada próxima de 30% apenas na camada de IT. O real-estate dilui a primeira geração, mas como o investimento civil nunca é repetido, as gerações dois a seis rodam sobre infraestrutura já amortizada e os retornos convergem de volta para a economia unitária dos servidores.
Nas premissas do caso-base — payback de 2,75 anos, vida útil de seis anos para os servidores, 30% do capex no shell — o data center produz, no ciclo completo, uma IRR desalavancada pré-impostos de aproximadamente 17%, um múltiplo de caixa de 2,4x e break-even da instalação no ano cinco. Introduzindo uma estrutura de capital convencional de 50% de dívida a Treasuries + 150bps (~6,1% hoje), a IRR do equity salta para ~37% pré-impostos.
O que torna essa tese das hyperscalers interessante não é o patamar dos retornos – no vácuo, mas a combinação deles com escala e duração. Um retorno desalavancado de mid-teens e ~35% alavancado é alcançável em outros lugares; mas alcançá-lo desembolsando mais de $200 bilhões por ano, com demanda contratada anos à frente, sobre uma base instalada desenhada para compor ao longo de seis gerações de equipamentos e três décadas, é algo que talvez quatro ou cinco empresas no mundo consigam fazer.
A Amazon está, na prática, executando um dos maiores build-outs de infraestrutura da história corporativa, com uma visibilidade que as utilities invejariam com um ROIC que as utilities jamais sonharam ter. A ansiedade do mercado com o free cash flow é um argumento de timing.
BMEB4/BMEB3
As ações do Banco Mercantil e outros bancos estão caindo consideravelmente nas últimas semanas em grande parte por conta da narrativa de hoje que é o aumento da inadimplência em geral.
Em especial no Mercantil pesa a questão da inadimplência contabilizada por causa do crédito consignado privado.
Eu acho que nesse momento seria interessante gastar uma energia hoje e detalhar mais sobre o assunto e poder auxiliar no receio ou desconforto aos acionistas.
É bom enfatizar também que minha opinião tem conflitos de interesse já que o Mercantil é a maior posição da minha carteira pessoal e que representa várias vezes minha renda mensal.
Segue:
@SimplesInvestor Os maiores mercados consumidores tbm passam pelo mesmo problema, apesar da alta interna, os preços lá fora tbm estão subindo.... No fim acho q tem q aceitar um preço maior do BR