O Halloween é Pagão? Não.
Muito se é dito que a festa do Halloween (amanhã) é originado de ritos pagãos celtas, pelo fato de que eles supostamente tinham o "Samhain", um suposto festival pagão celta em que "os mortos vagavam", ou em que "as barreiras entre o mundo dos vivos e dos mortos era menor", ou que era uma festa em honra à morte, ou alguma baboseira do tipo, e a gente vai ver pessoas, até blogs e jornais alegando isso sem dar qualquer respingo de provas
Pra começo de conversa, a própria identidade celta já é alvo de questionamento acadêmico, visto que era um termo quase padrão pros povos bárbaros dos romanos, mas isso é outro assunto. O que a gente sabe é que o Samhain era celebrado na Irlanda, e quem sabe, nas Ilhas Escocesas, nas Terras Altas do Reino Unido e em Gales, mas isso não vem muito ao caso.
Se nos debruçarmos no que a literatura "celta" nos deixou sobre esse feriado, nós não vamos encontrar associações extraordinárias a espíritos dos mortos.
O Serglige Con Culainn descreve o Samhain como um cenário de abertura, descrevendo a assembleia (feis) da região de Ulster (província norte do Reino da Irlanda), e que ele duraria uma semana, sendo 3 dias como "véspera" e 3 dias de extensão, e que ele era celebrado na planície do distrito Murthemne e que era celebrado com "esportes, e feiras, e esplendores, e pompas, e banquete", seguidos de confrontos violentos como brincadeira lúdica.
O Tochmarc Emire menciona como o primeiro dos quatro dias trimestrais, e assim como o Serglige, menciona o Samhain como um tipo de festa que é entendido como o "fim do verão"
O Mesca Ulad fala que os Ulaid (um povo irlandês) quase foram queimados dentro de uma casa de ferro, e que celebravam o Samhain tomando bebida alcoólica, ou hidromel.
O Macgnímartha Finn descreve o Samhain como uma época em que o mundo as sidhé (fadas) costumam corriqueiramente aparecer à noite, junto de sua contraparte do calendário irlandês: O Beltane, a festa de verão.
O Togail Bruidne Da Derga menciona a morte de Conaire Mór, um rei lendário bem conhecido, ocorrendo em época de Samhain.
O glossário Sanas Cormaic, se refere aos druidas conduzindo o gado entre duas fogueiras rituais para protegê-los para o ano seguinte naquela data, mas não menciona o Samhain, muito menos quaisquer rituais associados a ele, embora São Beda, na Inglaterra, mencione que o mês de novembro era chamado de "Blodmonath" ("mês de sangue"/"mês das imolações") porque nele o gado era abatido em honra aos deuses, mas não está claro se eles eram oferendas ou se eles eram comidos pelos abatedores, visto que o mês de Novembro sucede o mês "Winterfilleth" (mês de inverno), onde seria necessário guardar suprimentos e abater gados devido ao período gélido que viria nessa época. Pode ser que simplesmente os druidas fizessem o mesmo pela época de inverno que se aproximava.
O Cyfraith Hywel divide o Samhain cataloga a festa como como "calendas [início romano de um mês] de inverno" , em 1 de novembro”, e era uma chave pra aprovação de leis novas.
E por fim, o relato de Jeffrey Keating, um padre irlandês do século 17 menciona sacrifícios druidas queimavam o gado vivo em sacrifício a deuses, mas também incendiavam pessoas vivas em fogueiras em época de Samhain na colina de Tlachtga.
O problema é que Jeffrey Keating é uma fonte bem mais tardia que essas fontes citadas, os "druidas" não existiam durante séculos antes dele, e essa narrativa n��o aparece em nenhuma fonte anterior. É mais especulado que o relato dele seja resultado de uma transferência equivocada de costumes, talvez inspirada nas práticas associadas ao Beltaine em que se era comum acender fogueiras. A ideia dele de uma Irlanda unida e coesa era conveniente no contexto da dominação inglesa protestante (que era rival cultural, religiosa e política da Irlanda na época de Keating, fora a contradição do relato dele com os outros.
Esses fatos levaram pessoas como Jeffrey Gantz a especularem que a Irlanda era uma festa de dosagem sobrenatural, assim como uma festa de ano novo.
Isso levou James Frazer, um antropólogo, somado ao fato de que o dia 2 de Novembro era tido na liturgia católica como a festa em honra aos mortos, nosso dia de Finados. Isso levou ele a acreditar que isso só pode ser fruto de uma Cristianização do feriado dos mortos, e o dia de todos os santos para suplantar e absorver o Samhain nesse mesmo dia.
O problema é que Frazer ignorava a evidência martirológica, e se utilizava de uma suposta data precoce dessa festa atribuída a São Beda, sua obra chamada Martyrologia, sob a justificativa da Inglaterra ser "fundamentalmente celta".
O Félire Oengusso e a Martirologia de Tallaght do século 9, dois calendário litúrgicos irlandeses, colocam o Samhain como uma festa ocupada por uma festa em honra a 3 santos, chamados Lonan, Colman e Cronan, como parte dos vários seguidores de Hilário de Poitiers, e como "enobrecedores do tempestuoso Samhain". Isso é condizente com a carta Gregório I a Melito de Canterbury menciona a conversão de festas das ilhas britânicas em honra a santos, tipicamente locais. As festas litúrgicas mais universais, no máximo faziam o que festas pagãs se aglutinassem às festas universais, como por exemplo, o Sigrblot nórdico (por volta do final de Abril) e o Beltane (por volta de 1 Maio), duas festas entre a Primavera e o Verão, durante a Cristianização foram assimilados com fogueiras acendidas em época de Páscoa.
Nesse mesmo Félire, a festa em honra a todos os santos da Europa era em 20 de Abril. Nessa mesma época, Roma já havia antes, ante a controvérsia iconoclasta, celebrado uma festa em 1 De novembro como homenagem à inauguração de Gregório III da capela de Todos os Santos, e bispos ingleses de York seguiram essa tradição. O Martyrologium Poeticum, a edição tardia da Martyrologia de Beda, e a carta de Alcuíno a Arno de Salzburgo mencionam uma festa de Solenidade a Todos os Santos em 1 de Novembro, décadas antes dessas martirologias irlandesas mencionarem tal festa.
Só no final do século 12 DC, com a martirologia de Drummond, a festa de Todos os Santos na Irlanda viria a ser celebrada no mesmo dia de Samhain. Se o objetivo da Igreja cristã é absorver uma festa para atrair pagãos, eles fazem isso como uma festa local no próprio território que eles querem Cristianizar. A Irlanda foi uma das últimas a seguir tal tendência, por influências de igrejas germânicas. Se a festa dos Santos fosse para "atrais pagãos celtas ao Cristianismo absorvendo o Samhain", ela deveria ser a primeira região a criar tal festa, não a última.
Sempre foi comum celebrar festas grande em suas vésperas, como o Natal com a Missa do galo, ou a Páscoa com a Sexta-Feira Santa. A festa de todos os santos tinha, nesse caso, sua "vigília de todos os santos". Halloween ("All Hallow's Eve") significa "Véspera de Todos os Santos" no inglês médio.
Enquanto a festa dos mortos foi criada por um santo reformador da Igreja Católica, Odilo de Cluny, que ouviu após uma peregrinação em Jerusalém que tinham demônios torturando a alma de pecadores arrependidos em vulcões, e para evitar isso, criou missas solenes em fevereiro para os mortos que estivessem sofrendo. Essa festa foi inicialmente inaugurada em fevereiro, mas posteriormente passada para o dia seguinte à festa de Todos os Santos.
O motivo pra essa transferência é especulado, mas consiste em: Como os santos eram considerados intercessores pela patrística pós-nicena, em nome das orações dos Cristãos, e o conceito de uma "purgação" de pecadores mortos estava sendo desenvolvido na época de Cluny, isso mais tardiamente floresceria na doutrina oficial completa do Purgatório, e talvez se alinharia completamente com essa doutrina deixar o dia em homenagem a todos os mortos proceder o dia todos os santos. Como os os pagãos oravam aos mortos enquanto os cristãos oravam por eles, os cristãos primitivos do século 3 já acreditavam na eficácia de orações para auxiliar as almas dos que partiram com seu progresso e status na vida após a morte.
E por fim, essa atmosfera fúnebre dos mortos depois de uma festa a santos, só seria alvo de uma atmosfera de Terror por volta do século 16 DC, com autores como Alexander Montgomerie. Antes o termo original era simplesmente "Vigilae Omnium Sanctorum", "Vigília de Todos os Santos", e com autores como Alexander encontramos pela primeira uma associação dessas festas ao Sobrenatural, e o nome "alhallow evin" em sua obra The Flyting of Montgomerie and Polwart.
Essa ideia de que o Halloween veio de uma tentativa católica de uma absorver festa pagã dos mortos não sobrevive à luz das evidências documentais presentes.
Rio de Janeiro tá parecendo a Faixa de Gaza, os traficantes tomaram conta da cidade inteira, de acordo com o governador, o Lula negou 3x a ajuda das Forças Armadas.
Só que isso é literalmente uma invasão, o Comando Vermelho invadiu a cidade toda, as Forças Armadas deveriam agir.
@mendonca_photos Isso que é o complicado, não é permitido que eu frequente os cultos religiosos da IPB (apesar de que eu não sei a posição atual da IPB sobre ele frequentar a divina liturgia da minha)
Inclusive, essa foi uma das justificativas pro divórcio, falaram que era jugo desigual+
@mendonca_photos Não foi sozinho, a gente conversou e conversou com a igreja.
Primeiro pq a gente ainda não tinha casado na igreja, somente no civil, e as minhas crenças se tornaram bem diferentes a um ponto de que o casamento não iria prosseguir corretamente
Retornei depois de meses pq mostraram que estão revivendo a polêmica da Morte, dito isso, ela é minha personagem favorita e eu sempre uso ela como icon