Ainda não me tinha debruçado sobre este tema.
Talvez por desinteresse ou se calhar interesse excessivo. A relação entre o amor e sexo, entre o mundo e o domínio, a carne e a alma, o prazer e o espírito. Um tema fascinante, que grita de desejo, e pede para ser explorado, bocadinho a bocadinho.
A verdade é que sinto alguma relutância neste suborno descarado ao algoritmo.
Amor e o sexo habitam territórios vizinhos, mas moram em ruas distintas.
O sexo pertence à carne: é desejo incontido, impulso animal, sede pelo prazer, dominado pela atração. O sexo está lá sempre, haja ou não amor. É fogo na lareira, ou na clareira de uma floresta.
Já o amor domina uma terra mais vasta, numa influência transversal: o amor deseja, mas cuida, é cúmplice, preocupação e vulnerabilidade. O amor quer conhecer; o sexo, muitas vezes, só quer possuir. O amor pode ser frágil como vidro, o sexo duro como aço. Da metamorfose de ambos nasce a linguagem de uma relação, e o próprio corpo torna-se num poema.
Há amor sem sexo - as grandes amizades afetos impossíveis, paixões vadias. E há sexo sem amor - relações intensas e inesperadas, porventura sinceras, mas que pertencem ao domínio do instante. Podem ser singularmente inesquecíveis...
Creio que a diferença mora na temporalidade. O sexo vai querer agora. O amor questiona: E depois de agora? Até quando vais querer?
O mistério daquilo que só desperta o corpo, e daquilo que desperta também a alma.
E de alguém que desperta ambos.
Ambos exigem respeito mútuo. Sem respeito, o sexo perde valor. Sem respeito, o amor sucumbe, perdendo a vida.
O sexo une corpos. O amor é a metamorfose impossível mas deliciosa de dois mundos distintos.
Bom, vou jantar.
@VelSatys Sim, o amor tenta vencer a morte através da extensão: cria 1 fio condutor na história, promete o "para sempre", tenta eternizar-se na memória.
O sexo tenta vencer a morte através da Intensidade.O milagre é encontrar ao mesmo tempo, a paz da permanência e o fogo do instante.
@AnaMaars2020 Tu levantas sempre as questões mais pertinentes...👏 nunca pensei nisso.
Aquele momento em que o mundo fica em suspensão, porque simplesmente não vamos querer saber.
Quanto ao Amor, acredito que vivencia-lo prolonga a nossa existência.