Manet, embora Monet
Há tardes que parecem ter sido pintadas para os amantes: a luz demora-se nas árvores, os caminhos perdem a pressa, os cavalos aguardam em segredo.
Corpo de Deus
O meu olhar deteve-se nos seios, deslizou até ao umbigo e às partes íntimas, apreendendo o corpo inteiro. Os mamilos eram orgulhosamente erectos. Os pêlos púbicos seguiam a curva da coxa e convergiam sob o ventre, como os veios de uma folha que se unem no caule.
Portanto, pelo que depreendo do lixo que me tem caído na caixa postal, um gajo que tem uma casa em condições, uma máquina de cortar relva, um carro — não pode ser de esquerda, não pode aderir a uma greve, não pode discordar da estrutura social e tem de calar a matraca.
É isso?
Ao contemplar esta fotografia de Marilyn Monroe, compreendo por que o seu nome se tornou eterno. Há no seu olhar uma sedução natural, quase hipnótica, e na sua beleza uma rara capacidade de desafiar o tempo. Não é apenas um ícone de sensualidade — é a personificação do fascínio.
Quarta-feira, 3 de Junho, não é sobre um setor, não é sobre uma profissão, não é sobre aquele "caso isolado" que, curiosamente, acontece todos os dias.
É sobre todos aqueles que ainda acreditam que "trabalho digno" devia ser o normal — e não um manifesto revolucionário.
Amanhã?
@fodaille Meu Caro, permita-me uma pequena rectificação: "trabalho digno" e não "um trabalho digno".
Agora a resposta:
Se ainda é preciso perguntar o que é trabalho digno, talvez esse seja precisamente o problema.
Ao contemplar esta fotografia de Marilyn Monroe, compreendo por que o seu nome se tornou eterno. Há no seu olhar uma sedução natural, quase hipnótica, e na sua beleza uma rara capacidade de desafiar o tempo. Não é apenas um ícone de sensualidade — é a personificação do fascínio.
A infância é um país de onde nunca parti verdadeiramente. Mudei de casa, de cidade, de rosto. Aprendi a medir o tempo por calendários, compromissos e relógios. Mas continuo a viver, em segredo, numa tarde antiga de verão.
Serralves
Morena, olhar profundo, cabelo acobreado, pele fresca, seios cheios, cintura miraculosa dentro de um vestido preto, fino, frio, de mangas curtas, e uma carteira a abarrotar de fantasias. Esbelta e rápida de movimentos, ansiosa por ver e por ser vista. Também estava só.
A manhã vestiu-se de neblina: fresca, misteriosa, atiradiça. Eu, porém, já estou comprometido com outro encontro. Um robalo pescado à linha, repousado sobre uma cama de grelos, ambos acariciados por um fio de azeite que os unirá numa declaração de amor feita sem palavras.
Por mim, vivia no meio dos relvados: horas a fio, todos os dias, qual navegador obstinado a ir e voltar nestes mares de verdura, sulcando, ao sextante, o coração dos jardins. Deixar atrás de mim a ilusão dum mundo pacificado, de uma natureza submissa e de uma vida sem surpresas.