😱 Salários baixos em Portugal: o que os Patrões não querem que tu saibas
“A única forma de aumentar salários? É fácil, é aumentar os salários. Não há outra forma de aumentar os salários.”
— Paulo Raimundo, Filósofo e Ex-operário Português
Em nome da responsabilidade cívica e do compromisso para com o serviço público, hoje escrevo um texto difícil que pode afetar ex-clientes e patrões que no passado decidiram contratar os meus serviços para otimizar os “Custos com pessoal” — despedir, contratar, ajustar as políticas salariais e definir programas de incentivo — e contar-vos tudo sobre o que realmente se passa nos bastidores. Entre estes clientes estão pequenas e médias empresas industriais, grandes empresas do PSI-20 e multinacionais espanholas, francesas e alemãs.
Regra nº 1 (do Capitalismo): maximizar o valor para os acionistas, a médio e longo prazo, através de uma gestão eficiente dos recursos e da busca contínua por rentabilidade e crescimento (hoje em dia, já há várias versões desta regra, escolham a que vos fizer dormir melhor à noite)
Regra nº 2: nunca te esqueças da regra nº 1
Tradução: pagar o mínimo possível a todos os colaboradores — incluindo ao CEO — garantindo o máximo de produtividade e retenção/atração de talento
Leram bem, “pagar o mínimo possível”. As empresas mais bem geridas (as grandes e muito grandes) levam esta regra muito a sério e investem milhões de euros todos os anos em consultoria e recursos internos especializados para:
· Despedir trabalhadores cuja produtividade não justifica os custos salariais;
· Encerrar departamentos, fábricas e balcões que não geram lucro suficiente para cobrir os seus gastos operacionais;
· Definir sistemas de incentivos e bónus salariais que proporcionem um retorno substancialmente maior do que o seu custo (e.g., salário emocional 😂);
· Acompanhar continuamente a taxa de retenção, avaliando os custos totais de contratação e formação de novos funcionários;
· Definir grelhas salariais de forma a atrair e reter o nível de talento e qualificações necessárias a cada função;
· Encontrar o melhor CEO do mercado e negociar o pacote salarial mais baixo possível.
🗣�� “Oh gregório, isso é em Portugal. Lá fora os patrões pagam bem, olha vê o mapa que partilhaste”
Permitam-me introduzir um conceito que parece não ser amplamente conhecido entre os portugueses: o mercado de trabalho.
No mercado de trabalho, há dois fatores que influenciam os salários: a oferta de talento e a procura das empresas por esse talento. Quando temos talentos raros e altamente especializados — como em tecnologia, medicina ou gestão executiva — e um número significativo de empresas à procura dessas habilidades específicas, cria-se um cenário de grande concorrência. Essa concorrência eleva os salários, porque as empresas estão dispostas a pagar mais para garantir que os melhores profissionais escolhem trabalhar para elas e não para os concorrentes. Contudo, nunca esquecer que existe um limite superior nessa disposição em pagar mais, que está diretamente relacionado com a produtividade esperada para a função!
Por outro lado, para funções que exigem qualificações básicas — aquelas que um grande número de pessoas consegue realizar — e onde há uma oferta abundante desses profissionais, mas apenas um punhado de empresas a contratar, os salários são naturalmente mais baixos, frequentemente encostados ao salário mínimo decretado por lei. As empresas têm muitas opções e, portanto, não precisam competir para atrair e reter esses trabalhadores.
O equilíbrio entre esses dois extremos — raridade do talento e número de empresas à procura desse talento — é o que molda a estrutura salarial em qualquer economia. É uma interação contínua de oferta e procura.
☭ Cheat sheet labor market:
➖talentos e ➕empresas = salários ⬆️
➕talentos e ➖empresas = salários ⬇️
🗣️ “Oh gregório, não percebi nada... Por que é que os salários em Portugal não sobem? Não é porque temos maus patrões?”
Balhamedeus, não... É porque temos falta de patrões!
Temos a geração mais qualificada de sempre, mas o mercado de trabalho não acompanhou esta evolução — faltam-nos empregos que estejam à altura das suas capacidades. A falta de oportunidades, sobretudo nas áreas tecnológicas e outros setores de valor acrescentado, leva a que empresas estrangeiras captem facilmente a atenção dos nossos jovens. Muitos são atraídos para o estrangeiro com promessas de melhores salários, enquanto os que ficam acabam por ter de se conformar com a primeira proposta de trabalho que aparece.
Portugal não é o primeiro país a enfrentar este problema. Os países do Leste Europeu, depois de anos de comunismo, viram-se a braços com uma população altamente qualificada, mas sem um tecido empresarial desenvolvido. A solução, em teoria, é simples, e passa apenas por criar condições favoráveis agora para as empresas de amanhã.
Primeiro, é essencial aliviar a carga fiscal sobre os trabalhadores para permitir a acumulação do capital necessário para arriscarem abrir empresas. Segundo, é preciso deixar as empresas crescer, reduzindo a carga fiscal sobre as empresas e os encargos com o trabalho. Terceiro, é imprescindível a existência de um sistema judicial que garanta rapidez e eficiência nas transações comerciais e na resolução de litígios. Quarto, consolidação de um quadro político estável que assegure aos empreendedores que os sistemas fiscais e judiciais se mantêm consistentes e previsíveis a longo prazo. E por fim, é essencial expandirmos além-fronteiras; apenas através de empresas portuguesas com presença multinacional poderemos criar empregos e salários que superem as limitações do nosso pequeno mercado nacional.
-Dr Pedro Nuno fale-me da TAP
-Eu salvei a TAP
-Como?
-Então,da Direita
-Como salvou?
-Com €3,2MM
-Mas o dinheiro não é seu!
-Sim,mas os Portugueses irão receber de volta o q lá foi colocado
-Jura?
-Então…vamos ver
-Como?
-Vou vender
-A maioria do capital?
-Depende…
-😳
Ontem uma criança americana de descendência palestiniana foi esfaqueada 26 vezes. Uma criança. Por alguém que se julga motivado pelo conflito.
Há dois dias um professor foi esfaqueado na França por um extremista e casas de judeus foram marcadas como ameaça.
Tem de ficar claro que o ódio, a glorificação do ódio e o apelo à violência não podem ter lugar em território ocidental. Quem o faz terá consequências.
Que um continente como o europeu, há pouco tempo assombrado pelo terrorismo, tem de agir rápido em identificar e agir perante indivíduos perigosos. Para que não se confundam a maioria dos moderados com a minoria dos tolos.