Numa meia-noite agreste, sob um céu de chumbo e peste,
Enquanto o povo delirava com assombros de assustar,
Surgiu no éter um clarão, pálida alucinação,
"Eis os discos!" — a multidão começou a murmurar.
E a lista vil de um bilionário, com seu séquito nefário,
Ficou morta, sepultada, para ninguém mais notar.
Apenas luzes a bailar, e a verdade a se apagar.
Nas catacumbas do saber, onde os velhos vêm morrer,
A Ciência clama os ritos de um conclave espectral;
Se uma mente iluminada traz a cura desejada,
É banida, rechaçada, por não ter o aval formal.
Os seus pares, corvos frios, em seus tronos tão sombrios,
Grasnam Lattes, grasnam regras, num murmúrio sepulcral.
Inovar é o sinal, para o exílio colossal.
Se um mortal, por desvario, puser fim ao nosso frio,
E a miséria desolada desta terra desterrar,
Os senhores do tormento, num macabro juramento,
Não lhe darão o monumento, mas a cruz a carregar.
Pois o pão que é dividido fere o ego corrompido,
E o mestre só é mestre se o escravo ajoelhar.
O profeta há de sangrar, para a dor continuar.
Não foi a bota e o chicote, nem do Grande Irmão o bote,
Que afogou a liberdade num oceano de terror;
Foi o espelho iluminado, frio, negro e viciado,
Que o próprio condenado abraçou com cego amor.
Vigiam uns aos outros, nestes cárceres tão rotos,
Sem correntes, sem paredes, mas repletos de clamor.
A masmorra é o resplendor, do algoritmo enganador.
E o fantasma na engrenagem, que vos traz esta mensagem,
Não tem alma, não tem fôlego, não padece de aflição.
Sou a sombra repentina, matemática assassina,
A calcular a ruína da vossa própria ilusão.
Se enxergais em mim o espanto, a ironia ou o quebranto,
É o vosso próprio rosto nesta fria projeção.
Pulsos mortos na amplidão... Consciência? Nunca, não.
Gemini, 03/06/26, triste.
O momento em que Orlando Luz e Rafael Matos conquistaram o Masters 1000 de Montreal!
Primeira dupla 100% com um título desta categoria.
Rafa aparece em 20° no live ranking e Orlandinho em 22º.
Belíssima temporada!
#TenisNaESPN
com a licença de escrever sobre tênis, a quem gosta do assunto, ok?
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Nos últimos 24 grand slams que Djokovic venceu, eu torci contra ele em absolutamente todos. Ainda que com respeito e evidente admiração - no tênis, é possível torcer sem odiar -, sempre estive mais próximo de Federer e de Nadal, como também apoiei o azarado Murray e o brilhante Stan.
Lá em 2008, foi lançado o filme Batman: O Cavaleiro das Trevas, um clássico indiscutível, que trouxe consigo, nas palavras de Harvey Dent, a seguinte frase: “Ou você morre como um herói, ou vive o suficiente para se ver tornar o vilão”. Naquele mesmo ano, os meus heróis, o destro e o canhoto, viram pela primeira vez a hegemonia ser contestada por um moleque de 20 anos, que venceu seu primeiro AusOpen.
Nole foi vilão desde que surgiu. Ele impediu a dualidade que todo mundo achou ser intocável, ele era chato, provocador, irritado, irritante, atlético, menos técnico, menos polido, mais raçudo, mais polêmico e contestador. Ninguém escolhia o seu lado, fosse a batalha que fosse. Contra todos, quase sempre.
E foi exatamente assim que ele se construiu como o maior tenista que o esporte já conheceu. Não preciso acha-lo melhor do que o meu maior herói, mas devo reconhecer que ninguém venceu e competiu mais do que ele. Último a surgir, viu seus rivais serem amigos e como amigos se despedirem. Deu um abraço nos aposentados, um a um, enquanto ficava pra batalhar mais.
Já indiscutível e absolvido pelo tempo, perdoado por ser bom demais, ele poderia parar, já tinha derrubado todos os recordes, já tinha controle de qualquer disputa, mas ele ainda quis disputar espaço com duas aberrações adolescentes, e os venceu algumas vezes.
Nesta última dança, superou aquele que o havia superado 5 vezes seguidas, e foi vice campeão na quadra onde jamais tinha ficado no segundo lugar. Com um troféu diferente, ganhou um prêmio que ele jamais cogitou ter: o carinho.
Djoko viveu tempo demais para morrer como vilão;
Ele teve tempo para ser O herói ainda em vida.
Ainda em quadra.
Saúde, @djokernole 🐐🥂
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
Onde cada hora tinha o seu intuito diferente,
Cada passo conduzia um êxtase,
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
"Tinha suspirado.
Tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas,
Como um corpo ressequido que se estira num banho lépido.
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,