Tem um erro de cálculo básico quando falamos de consumo de tokens, de IA custar caro demais e de não ter ROI.
Usar IA direito não é dar licenças ilimitadas ou limites de tokens gordos para todo mundo na empresa e dizer que a empresa virou AI first pra sair em alguma reportagem tosca comprada na Exame ou na Forbes.
A realidade é que usar IA direito exige um conjunto de práticas que poucos sequer conhecem, dominam ou estão dispostos a aplicar: specs bem feitas, user stories bem construídas, objetivos claramente declarados, evals bem desenhados e skills personalizadas por projeto. Exige também o já famoso, porém ainda desconhecido na prática, harness: a camada que envolve o modelo com contexto, ferramentas, validações e fluxos de revisão para transformar prompt solto em execução confiável.
Não adianta usar IA pra arrastar card no Jira/Linear/ClickUp. Ou pra ficar fazendo pesquisa como se estivéssemos na era do Stack Overflow. Pra gerar 435 versões de uma imagem ou de um vídeo meme de 15 segundos. Isso não é usar IA, isso é projetinho de ciências do ensino fundamental.
É por isso que existe uma diferença brutal entre quem tem capacidade de aplicar IA com as melhores práticas e quem não tem. Isso se tornou tão claro quanto o dia.
A frustração com o consumo desenfreado de tokens e com a conta salgada se dá pela ilusão de substituição sumária de funcionários por um prompt nível “não cometa erros” e de que dá pra construir e tocar uma empresa usando Hermes Agent ou OpenClaw. Isso é uma piada de mau gosto. E tem muito aproveitador faturando alto com o desespero apocalíptico criado pelos porta-vozes dos laboratórios de frontier models que, agora, em parte, recuam fortemente das afirmações inconsequentes de destruição total de todo e qualquer emprego no universo.
Sim, é possível eliminar uma quantidade considerável de gerentes. Porque eles sempre foram inúteis, para começo de conversa. Não é a IA que está substituindo esse grupo. É o bom senso mostrando que esses gatos gordos adicionam burocracia, bloqueios e lentidão unicamente porque são dotados de uma síndrome de porteiro indelével.
E também sim, as empresas, mesmo as gigantescas, deveriam ter muito menos camadas. Elas sabem disso. Mas, depois do estrago, como conserta? Precisam de um bode expiatório. E a IA pareceu a desculpa perfeita para agir e dar aquela enxugada mais que necessária.
Agora, quem fala que IA necessariamente vai custar mais barato do que ter funcionários não sabe o que está falando. Isso está longe de ser uma verdade universal. Ao mesmo tempo, pode ser que um time menor, mesmo custando mais por usar IA do que um time maior, produza mais, entregue mais e alcance mais resultados. Se mover rápido tem um valor profundamente subestimado. E é aqui que muitos não entendem. O negócio não é sobre custo de tokens. É sobre times mais eficientes, menos burocráticos, com menos pedágios, menos politicagem corporativa e mais leveza para testar, iterar e evoluir com muito mais velocidade e muito menos barreiras desnecessárias.
Ok, dito isso, não adianta nada achar que você vai produzir muito mais funcionalidades, entregar muito mais software e que isso vai automaticamente aumentar seu faturamento horrores. Que agora você será capaz de construir um Salesforce ou uma SAP e roubar clientes deles em dias. Se você acha isso, seu problema nunca foi IA. Seu problema é que você é... burro. Sim, me desculpe falar dessa forma, mas é o que é.
Quantidade de funcionalidades não significa mais receita. Não é assim que funciona. Não adianta nada cuspir dezenas de recursos que ninguém usa. Que ninguém pediu. De que nenhuma alma vivente precisa. Existe uma limitação pouco mapeada, que é a capacidade do ser humano de usar as coisas. Criar desejo, construir comportamento, é um negócio que demanda tempo. E aqui não adianta sair enfiando funcionalidade goela abaixo do usuário. Ele não vai adotar. Não adianta.
Pra que você vai vomitar mais 483 funcionalidades no seu software em velocidade recorde? Ninguém vai usar, velho. Não é assim que se constrói produto. Assim como software não se resume a escrever código, produto não se resume a um conjunto de funcionalidades coladas com fita crepe e jogadas na cara do usuário. Não é assim que as coisas funcionam.
Percebe? A questão não é IA, nem se ela custa caro ou barato. A questão é que a gente é mestre em se enganar e em ser enganado querendo comprar atalhos quando eles nunca existiram, e nem existirão.
Vou repetir: nunca foi, e nem será, sobre a ferramenta em si. É sobre a nossa tentativa permanente de tapar ineficiência, preguiça e falta de clareza com uma solução mágica. Isso não vai acontecer. Seja com IA ou com qualquer outra coisa que aparecer amanhã.
Pela atenção, obrigado.
gm
@ayushg0500 Try to learn the lowest layer of the stack possible. So instead of the API framework, learn about servers, then caching, then networking, etc.
For CS, things like data structures, algorithms, Big O, etc are helpful for a broad level understanding.
Que loucura esse hype todo com IA. Acabou o hype do n8n (faz até um tempo já) e começou forte com o clawdbot/moltbot. O projeto só tem 3 meses e parece que só se fala disso agora. Tempos doidos esses em que vivemos.
The amount of crap I get for putting out a hobby project for free is quite something.
People treat this like a multi-million dollar business. Security researchers demanding a bounty.
Heck, I can barely buy a Mac Mini from the Sponsors.
It's supposed to inspire people. And I'm glad it does.
And yes, most non-techies should not install this.
It's not finished, I know about the sharp edges.
Heck, it's not even 3 months old.
And despite rumors otherwise, I sometimes sleep.