O recado do império
Por Alexandre Favaro Lucchesi
Quanto mais os EUA explicitam o mando, menos legitimidade acumulam; o paradoxo é que a pretensão de subordinação acelera a erosão da própria liderança.
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#aterraéredonda#AlexandreFavaroLucchesi
BIG TECH, NEGÓCIOS E IMPERIALISMO TRUMPISTA
“Vamos trabalhar com o presidente Trump para resistir a governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando por mais censura. Os EUA têm as proteções constitucionais mais fortes do mundo para a liberdade de expressão. A Europa tem um número cada vez maior de leis institucionalizando a censura e dificultando a inovação. Países da América Latina têm tribunais secretos que podem ordenar que empresas removam conteúdos de forma silenciosa.
A China censurou nossos aplicativos, impedindo que eles funcionem no país. A única maneira de resistir a essa tendência global é com o apoio do governo dos EUA. E é por isso que tem sido tão difícil nos últimos quatro anos, quando até o governo dos EUA pressionou por censura” (Mark Zuckerberg).
Tradução:
“Decidi que é bom negócio me juntar a Musk e apoiar o projeto imperialista do governo Trump porque ele pretende empregar os meios de força do EUA para impedir que os demais países do mundo exerçam sua soberania para regular redes e atrapalhar meus negócios. Resolvi comprar essa história de que soberania nacional é comunismo. Reconheço que apoiar ativamente a extrema-direita americana virou um bom negócio para mim na escala global. Que se foda quem estiver no caminho de Trump na Europa e no Brasil”.
A mudança da cena internacional decorrente da adoção de uma política explicitamente imperialista por parte de Trump, à maneira de Big Stick, ressuscitando doutrinas de Monroe e Destinos Manifestos, vai impactar diretamente na cena política brasileira a partir deste ano e vai se refletir na eleição do ano que vem. A variável nacionalismo vs. entreguismo voltará provavelmente a ter importância, e poderá até borrar parte da polarização entre direita e esquerda. Será um ano decisivo.
“Banco Central independente não tem nenhum sentido; um engodo para aproximá-lo do mercado financeiro. É uma instituição de Estado que faz a gestão da moeda do país. Como dissociar isso da política econômica como um todo?”, opina a pesquisadora Simone Deos. https://t.co/lOj3d9A098
A Pós-graduação em Economia Social, Solidária e Ambiental já está no ar para inscrições. O curso será ofertado pelo Centro Universitário Assunção e terá aulas por transmissão online ao vivo com interação entre alunos e professores.
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Alguém sabe dizer se o jornalista Vinicius Torres Freire (Folha) é megalomaníaco? Ele é jornalista profissional com graduação em sociologia e mestrado (lato ou stricto sensu?) em administração, mas ontem resolveu chamar de “tosco-mágico” o campo de pesquisas teóricas e empíricas em economia que refutam o que ele vem repetindo há anos sobre déficit público e juros sem se preocupar em checar.
O nível da arrogância (sem base científica) do VTF é chocante, e normalmente deveria ser esquecido, mas temos que perder tempo com isso porque alguém está sendo desinformado. Cansei de desinformação. O campo estigmatizado como “tosco-mágico” pelo jornalista envolve hoje Nobels como Paul Krugman e (às vezes) economistas como o Blanchard, para não citar heterodoxos que já demonstram isso há muito mais tempo.
O argumento de VTF é que mais déficit público primário gera elevação de juros da dívida pública. Ele vem “prevendo” isso desde que o presidente Lula sugeriu a PEC da transição de novembro de 2022, que permitiu que o gasto federal aumentasse 9% esse ano, bem acima do PIB. Não se preocupou em checar se estava certo, mas voltou a repetir isso ontem.
O terrorismo bem tosco dos lobistas do mercado financeiro que o VTF repete é o seguinte: se o déficit público aumentar, isso vai elevar a taxa de juros cobrada do governo enquanto o governo absorve mais poupança privada, o que vai diminuir o consumo e o investimento privados. Com o aumento do déficit público e da taxa de juros, a confiança dos credores vai diminuir, logo a taxa de juros que o governo paga vai crescer ainda mais, assim como o de todo mundo.
O suposto é que o PIB está fixado como a renda de uma casa de família. Dada esta renda (o PIB), o que essa casa chamada Brasil gasta com o governo, o consumo privado e o investimento privado depende do déficit público. Se ele aumenta, o resto diminui. Logo, se o déficit público aumentar, os juros cobrados aumentam, a poupança privada absorvida pelo governo aumenta, diminuindo o consumo e o investimento privado, certo?
Errado. Essa estória da economia doméstica é uma bobagem para quem já passou da época dos manuais simplórios de nível basicão de macroeconomia. Para começo de conversa, o volume de ativos financeiros no mundo é muito maior que o PIB mundial. O mesmo vale no Brasil, em que apenas o estoque da dívida pública bruta em relação ao PIB chega a 74,4%, para não falar do resto. Afora o fluxo de crédito novo, o estoque de “poupança” disponível para investimento financeiro não é um pedaço do fluxo anual do PIB.
A curto prazo, os juros são definidos pelo Banco Central, e o governo não precisa se endividar antes de gastar, pois tem o poder de emitir. E vários estudos mostram o óbvio: o PIB não é dado, e o gasto público estimula sim o crescimento do PIB, embora nem sempre compense inteiramente uma desaceleração do gasto privado se o estímulo não for forte o suficiente dado o tamanho da desaceleração.
VTF não precisa saber teoria econômica, mas poderia pelo menos checar os dados, jornalista econômico que é. Parece que isso é pedir demais para um “sabe-tudo”. Olha o gráfico seguinte. É de um site de consultoria privada de acesso livre (https://t.co/QtjQSkjUy2).
O que mostra o gráfico? Que, de um ano para cá, quanto VTF fez sua previsão sobre a elevação de juros gerada pela PEC da transição, e hoje, quando VTF repete o argumento sem checar os dados que refutam a sua fantasia teórica, a taxa de juros para títulos públicos caiu!
Aliás, no último mês, quando o terrorismo do mercado financeiro e da imprensa “especializada” aumentou por causa do debate sobre o déficit público zero em 2024, a taxa de juros além dos nove meses voltou a cair. Cadê a relação entre trajetória do déficit público e da dívida pública, de um lado, e os juros, de outro, que a egotrip do VTF diz existir?
Eu não vou explicar agora o que aconteceu com os juros dos títulos de seis e nove meses de um mês para cá, mas a explicação também refuta o VTF. Quero ler antes a nova explicação genial do VTF.
O dito jornalismo profissional está incomodado com o tom de Lula em relação ao governo de Israel. É a mesma turma que normalizou o genocida e apoiou um impeachment sem crime de responsabilidade. Os democratas de pandemia estão passando pano para terrorismo de Estado. Lula está certo. Um Estado não pode se comportar como uma organização terrorista. Este é o ponto. Israel promove genocídio em Gaza. O nome certo é terrorismo de Estado. Netanyahu, o Bolsonaro de Israel, tem de responder perante cortes internacionais. Mas o problema é Lula usar a palavra terrorismo. Haja óleo de peroba.
Sinto que nem o Putin nem o Zelensky estão falando em paz agora. Parece que os dois estão convencidos que alguém vai ganhar. Mas somente a paz vai fazer com que não morram mais pessoas. Brasil, China, Índia e Indonésia são alguns países empenhados em construir a paz. Todos nós condenamos a ocupação territorial da Ucrânia, os russos não tinham o direito de fazer isso. Mas isso irá até quando?
Conversei com o ministro @CamiloSantanaCE sobre o novo ensino médio. O @min_educacao vai fazer um debate com alunos e professores, para fazer uma nova proposta. Vamos fazer o que for melhor para os estudantes.
Conversei com o ministro @CamiloSantanaCE sobre o novo ensino médio. O @min_educacao vai fazer um debate com alunos e professores, para fazer uma nova proposta. Vamos fazer o que for melhor para os estudantes.
A convicção e a argumentação clara de André Lara Resende no Canal Livre, comparadas com a posição defensiva de Roberto Campos Neto, no Roda Viva, fortalecem os ataques de Lula aos juros altos do BC. Pressão cresce…
É triste concluir que se o território Yanomami tivesse sido tratado pelas Forças Armadas com o mesmo carinho com o qual protegeram os acampamentos golpistas em frente a quartéis, uma tentativa de genocídio teria sido evitada e crianças indígenas estariam vivas.
Estoure o seu cartão de crédito em apenas R$ 1k e tente negociar a dívida para ver o que acontece. Já os bilionários, como os donos das Americanas, tem prazos e desconto de até 70%! Esses que exigem "austeridade fiscal" do Estado e têm "recuperação judicial" para suas empresas..
Flávio Dino em resposta a Zema: “Fica feio se colocar como um sub-Bolsonaro”
Em entrevista à Fórum, ministro da Justiça chamou governador mineiro de “candidato” e classificou como “deplorável” sua fala afagando terroristas. Leia a réplica completa
Leia: https://t.co/Vvz2g9axpx
Palmas para o @thiamparo, que deitou e rolou nesta imperdível coluna. Como eu vivo dizendo, dá para ser didático e bem humorado ao mesmo tempo. Mais mastigado do que isso, só desenhando. Leiam e compartilhem!