Sou carioca. Nascido e criado no Rio de Janeiro. E, graças à minha profissão, tenho oportunidade de viajar por todo o Brasil, o que me fez identificar um fenômeno interessante.
Em São Paulo e nas regiões sul e centro-oeste, sempre brincam ou comentam comigo sobre as mazelas do estado onde nasci. Fazem piada sobre as origens do Peçanha, demonstram receio da violência, perguntam sobre a pobreza, desorganização, milícia etc. Além disso, recorrentemente, exploram o estereótipo fluminense. “Carioca é muito folgado…”; “Carioca se acha…”; “Carioca é tudo malandro…”, dizem.
Pois bem. Não coincidentemente, são estas mesmas pessoas que caem na conversinha do clã Bolsonaro e votam consistentemente em Flávio e companhia. Sim! Eles elegem e apoiam justamente quem nasceu, cresceu, representa e, em enorme medida, são direta ou indiretamente responsáveis pelo caos que tanto criticam.
Passei muito tempo perguntando-me por quê. E tenho uma teoria: homens, brancos, olhos claros e sobrenome à italiana.
Ah! E antes que o detratores coloquem os dentinhos pra fora, isso aqui não é tentativa de lacre ou, como alguns idiotas pregam, “racismo reverso”. Minha teoria é mais ligada à notória “vira-latice” que ostentamos. Uma mistura de preconceito com apreço por grife.
Se Trump tivesse o shape do Evo Molares, quantos babacas estariam com o boné do MAGA em Barretos? Pois é.
Há quem dirá que gente como Nikolas Ferreira provaria o contrário, mas não. Insisto: falei de áreas bem específicas e Minas Gerais não é uma delas. E São Paulo deu uma votação recorde a um Pavanato que, convenhamos, perderia uma partida de damas contra um pombo.
Respondam sinceramente: se Jair e seus filhos fossem Teixeira, Pereira ou Almeida e também menos brancos, contariam com o eleitorado, a complacência e a impunidade que os cercam desde sempre? Sobretudo nas regiões que mencionei acima?
Duvido.
O único que parou brevemente atrás das grades precisou tentar um Golpe de Estado e arquitetar o assassinato do presidente, do vice e de um Ministro do STF pra isso. E ainda corre o risco de ser solto já, já.
Bom… esta derrota de Lula para o filho de Jair Bolsonaro no 1º turno joga luz sobre problemas que cercam o atual presidente há décadas. Sem exagero.
Para começar, a péssima comunicação. O campo progressista perdeu-se na autossuficiência. Enquanto a direita assimilava a linguagem do TikTok e surfava nas redes, a campanha da esquerda seguiu apostando na cirandinha de chamar artistas milionários (gente até com problema na Justiça que, se não fosse da patota, estaria cancelada) para fazer clipe bonitinho. Artificio que era tendência lá em 1985.
Depois, mais presunção. Houve tempo de sobra para construir outra liderança, mas todas as possibilidades foram sufocadas. Dino foi empurrado pro STF, Haddad deslocado para segurar as buchas, Boulos ficou em banho-maria e as mulheres… bem… que mulheres? Os machistas elegeram mais senadoras que os feministas. Curioso, não?
Ah! E isso tudo tapando o sol da rejeição ao lulopetismo com uma peneira. A síndrome do protagonista parece ser mais contagiosa que a tal vontade de lutar pela democracia.
Aí, tome desconexão com a realidade! Desta vez, com o trabalho informal. Muita lacração e poucas ideias para motoristas de aplicativo, pequenos empresários, autônomos, influenciadores e motoboys. Prova disso foi a maneira atabalhoada com a qual jogou no ventilador a MP das BETs. Poderia dialogar, planejar, estipular um prazo ou ir em cima só de cassinos, mas preferiu tratorar e subestimar outra paixão do brasileiro: o futebol. Incomodou você? Bem… você e a torcida do Flamengo. Flamengo, Corinthians, Santos, Vasco e outros… literalmente. Bastava ler a repercussão aqui para ter a medida.
Na real, dá para resumir tudo aí em cima em uma palavra: vaidade.
Enfim… dá tempo de consertar? Algumas coisas? Sim. A eleição tá perdida? Não. Dá para virar. São dois turnos e só acaba quando termina. E mais: este pleito tá provando que o improvável tá bem distante do impossível. E todas… absolutamente todas as pesquisas erraram. Cravar o que vai acontecer não é um exercício fácil.
Resta saber se, em três semanas, a imprensa, a opinião pública, políticos, instituições e o eleitor brasileiro estão mesmo a fim de um país que, segundo notícias e rumores, poderia acabar com o Pix, soltar Vorcaro, liberar o Tigrinho, empoderar Igrejas Evangélicas, manter a escala 6 por 1, queimar mais florestas, privatizar praia, dominar o STF, virar quintal de Trump etc.
Quem viver verá.
@iarawiski Eu ficava com uma guria que trabalhava na locadora.
Nessa época eu era muito fudido, maioria dos nossos rolês era ficar em casa vendo filme, gastava pouco e me divertia; win-win.
É só conferir o chart:
1. Brasil
2. Latinos (menos Argentina)
3. Africanos
4. Países woke e anti-imperialistas
5. Leste/Sudeste asiáticos
6. Oceania
7. Oriente médio
8. Leste europeu
9. Argentina
10. Demais países da Europa
11. Estados Unidos