30 de Janeiro #diadasaudade Saudade do pai, do amigo, do conselheiro, do porto seguro. É uma #saudade que ressalta todo o amor que recebi de vc ❤️ Obrigada por todas risadas que demos juntos! Vc faz falta… um dia nos reencontraremos 💔
In 1890, Brazilian finance minister Rui Barbosa issued a proclamation ordering the destruction of all government records relating to slavery. It then took several years to destroy all these records.
Thus, although 4.8-5.5 million enslaved Africans were forcibly taken to Brazil, there’s possibly less preserved evidence on the reality of Brazilian slavery than in North America.
In fact, some of the most detailed accounts come from European visitors who did not disguise the horrors of slavery.
Brazil’s destruction of its record is perhaps an apt illustration of racial inequality, in so far as a powerful elite could just destroy the evidence, rather than permit truth-seeking.
Uma boa noticia que penso homenagear dizendo que o grande antropólogo baiano Antonio Risério faz escola na sua luta contra o identitarismo de certos setores das esquerdas e defesa da mestiçagem da população brasileira e miscigenação da nossa sociedade
Movimentos negam o mestiço porque veem o branco como inimigo, diz autora de 'Parditude'
Beatriz Bueno defende que miscigenação é uma potência da sociedade brasileira
Desassociar pardos dos negros representa um avanço na ideia de diversidade, diz ela
Artigo de Paola Ferreira Rosa
Editora-assistente de Diversidade, escreve sobre raça, gênero e diversidade.
A escritora Beatriz Bueno, 28, afirma que movimentos progressistas colocam o branco como inimigo supremo e, por isso, negam o fruto da miscigenação. Para ela, desassociar a identidade parda da categoria "negros" não representa um retrocesso nas discussões raciais no Brasil, mas um avanço a partir do entendimento das diferentes experiências entre indivíduos lidos como negros e os que habitam o que chama de "limbo racial".
Fruto de uma família miscigenada, ela é autora de "Parditude: Um Guia para te Resgatar do Limbo Racial" (Planeta), em que busca explicar as individualidades da experiência parda.
A autora afirma que pessoas mestiças, como escolhe falar, habitam uma espécie de fronteira, em que são "brancas demais para serem negras e negras demais para serem brancas", ainda que sejam contabilizadas pelo Estatuto da Igualdade Racial como parte dos negros, categoria que inclui pardos e pretos.
Para ela, somente a aceitação de que pardos são descendentes de diferentes grupos raciais, incluindo os brancos, pode criar uma união entre as identidades no Brasil.
Expulsa da Universidade Federal Fluminense em janeiro deste ano, Bueno afirma que "estão atacando a mensageira para empurrar a sujeira para debaixo do tapete". Neste caso, "a exclusão dos pardos das políticas públicas", especialmente por meio das bancas de heteroidentificação racial.
Segundo a pesquisadora, a maioria de seus fãs e haters não entendem o que ela diz. "Vejo pessoas apoiando e falando coisas que não falo nem defendo. É um problema contemporâneo, as pessoas não leem tanto", diz.
Um desses equívocos seria o de que ela defende o conceito de pureza racial. Para Bueno, porém, tal ideal é um mito e gera preconceitos contra os pardos.
Você identifica a existência de oito tipos de parditude, considerando desde misturas étnico-raciais até a leitura fenotípica. Mas também reconhece que o racismo no Brasil é marcado pela leitura fenotípica.
Por que misturar marca e origem ?
Crio essa categorização para as pessoas entenderem onde se encaixam. Não é uma coisa científica, rígida. Eu vi a necessidade do público de entender a amplitude da questão da parditude. As pessoas que eu cito como indiscutivelmente brancas ou negras são as mestiças que têm poucos traços ambíguos e, na sociedade brasileira, são identificadas como brancas ou negras.
A Taís Araújo, por exemplo, tem traços fortes e demarcados. No Brasil, ela não fica sendo jogada para branca, por mais que as pessoas saibam que ela tem traços de miscigenação. Não estou falando da origem, mas do fenótipo. Ela não vive o que eu descrevo como parditude.
Existem pessoas brancas que na Europa não são lidas como brancas e me procuram confusas, porque os europeus conseguem identificar esses traços; no Brasil, devido ao contexto muito miscigenado, não conseguimos.
Você classifica como "novíssimos movimentos sociais" mobilizações que discutem questões relacionadas à identidade. O que você faz é um desses movimentos?
Sim, eu sempre falo no Instagram que estou inserida numa geração. Esses estudos foram baseados nos textos do Rodrigo Perez [professor da Universidade Federal da Bahia]. Ele estuda como eram os movimentos revolucionários antes, mais focados na classe trabalhadora, como isso vai se transformando e o que tem a ver com o tempo histórico de diferentes gerações.
Eu me incluo na geração dos novíssimos movimentos sociais, a mesma do identitarismo. Me incluo nas discussões sobre o direito de definir uma identidade. Eu faço críticas à forma como os movimentos têm trabalhado, querendo definir essas classificações de forma binária. Estudei a partir do movimento negro, faço uma coisa muito parecida. Só proponho uma classificação para as pessoas mestiças que dê conta da realidade delas de forma mais completa.
Esses movimentos, na sua opinião, têm um espectro político predominante? Se sim, qual?
São tradicionalmente progressistas. O "parditude" é um movimento progressista. Sempre defendeu as políticas afirmativas e o direito das pessoas mestiças, da mesma forma que as mulheres defendem o direito das mulheres e os negros, os direitos dos negros. Eu parto da interseccionalidade, que aprendi estudando Djamila Ribeiro.
Quando as mulheres negras percebem que têm necessidades diferentes das brancas, interseccionam [gênero e raça] e criam o feminismo negro. Por décadas, elas tiveram dificuldade para explicar isso, porque as acusavam de estar separando as mulheres.
Mas o fato de entender as especificidades de uma experiência não significa que só vai aparecer mulher branca ou negra se tiver uma manifestação pelo direito das mulheres. O mesmo acontece na questão dos pardos e dos negros. Precisamos entender o que abarca, o que há em comum entre eles, e o que são as especificidades.
Quando seus vídeos furam a bolha, críticos te associam à direita, como parte de um movimento conservador. Por que isso acontece?
Porque vivemos uma polarização muito grande. O nicho progressista me coloca como uma conservadora de extrema direita, bolsonarista, enquanto os conservadores me colocam como uma militante do PSOL. Eu fico, também aqui, num limbo. Por trazer uma visão moderada, as pessoas me veem como o outro.
Relaciono isso à questão da parditude, que também se encontra numa fronteira. Pessoas brancas me veem como preta, pessoas pretas me veem como branca, e eu só estou tentando fazer justiça para pessoas pardas.
Vivi tanto isso que tento não defender candidato político. Defendo o direito de uma pessoa parda que foi negada injustamente numa banca. Isso é esquerda ou direita?
A Frente Negra Brasileira lutava contra o racismo junto com conservadores. Há divergência de opiniões, mas, assim como nos casos de violência contra mulheres e crianças, se acharmos que isso tem que ser de esquerda ou de direita, nos perdemos como sociedade.
Você fala sobre a "necessidade de autocrítica sobre as formas como se escolhe mobilizar em torno de discussões sobre identidade, para evitar fragmentações e não enfraquecer projetos políticos mais amplos de transformação social". Como vê o impacto de suas propostas a respeito da parditude?
Futuramente, discutindo a parditude, conseguiremos voltar a ter uma unidade. Acredito que, entendendo que o Brasil é um país mestiço, com as pessoas realmente mobilizadas a lutar por justiça, vamos conseguir resgatar uma identidade nacional, nos unir e parar de gerar fragmentações.
Uma crítica que faço aos movimentos atuais é que eles colocam o branco como o opressor, o inimigo supremo, e por isso querem negar o mestiço, porque o mestiço relembra que o branco pode ser a vovozinha que faz o bolo que você ama.
Querem ter o inimigo bem estabelecido, sem entender a complexidade da realidade brasileira. Acredito que, olhando para essa perspectiva, tendemos a gerar mais unidade no futuro e entender que a miscigenação é uma potência da nossa sociedade, e não uma coisa horrível, que deve ser cancelada.
Qual é o perfil das pessoas que te seguem e das pessoas que te criticam?
As pessoas que me seguem são muito diversas. Há pessoas de todas as cores, de todos os posicionamentos políticos, de diversas famílias, mas a maioria são mães de filhos pardos que encontraram o meu trabalho. E as próprias pessoas pardas.
As pessoas que não gostam também são diversas. Geralmente são esses identitários mais ferrenhos, que são completamente contra qualquer outro tipo de opinião. Se você muda um pouco a cartilha que eles propõem, te colocam como perigoso. Tem muito a ver com a censura, com a expulsão que eu tive da universidade. E aí tem de todos os perfis: pessoas brancas, pretas, pardas, todas com esse perfil de intolerância com o pensamento diferente do delas.
Representantes do movimento negro e pesquisadores dizem que você está criando um racha no entendimento de negritude no Brasil, que poderia afetar as conquistas de pessoas negras e indígenas. Por que te definem dessa forma?
Porque sou a mensageira de um problema que ninguém tem coragem de falar. Mas não sou responsável pelo que acontece. Todos os dias pessoas são rejeitadas nas bancas de heteroidentificação e vivem crises materiais, porque têm que abrir processo judicial para entrar na vaga delas. Passam por crises de pertencimento, se perguntam o que são. Tudo isso acontece, mas ninguém fala, aí parece que o problema não existe e que pardos e negros concordaram com isso.
Eu mostro que há um problema para resolver, e eles querem colocar a questão embaixo do tapete. Mas aconteceu de novo, uma mulher parda foi exonerada de um cargo do Itamaraty [em junho, ela foi readmitida pós acordo com a AGU].
Vejo as pessoas sofrendo, pensando em suicídio, porque são perseguidas nas universidades, acusadas de fraude sem serem fraudadoras. É uma confusão em que ninguém quer botar a mão, todos têm medo de ser acusados de tudo o que eu sou [acusada]. Eu entendo, porque tentaram destruir a minha vida.
O que o indeferimento de pessoas autodeclaradas pardas nas bancas de heteroidentificação diz sobre a questão racial no Brasil?
Os indeferidos nas bancas são pessoas pardas que alguns consideram de pele clara, outros consideram de pele escura, e elas ficam numa insegurança, porque o mestiço é ambíguo.
Se a banca entendesse a realidade do brasileiro e avaliasse que a cota é para o pardo, seria uma coisa, mas a banca avalia a partir do negro. Se tem uma banca de cinco pessoas, duas falam que o candidato é apto, três falam que não é, ele está fora.
Mas de onde dois avaliadores tiraram que a pessoa é apta ?
Da ambiguidade. Se não, os cinco iam falar: "É branco", e tchau.
Nos concursos públicos, o que está em jogo é a profissão de alguém que estudou anos. É um erro considerar o pardo como negro, fica abstrato. Não tem objetividade nessas bancas e vira um problema.
As histórias são revoltantes. São pessoas pobres, vulneráveis, que estão passando por uma humilhação absurda. Isso é negligenciado porque acham que discutir isso vai destruir as políticas públicas.
O que seria o perigo da pureza racial, a que você se refere?
Aí abordo hostilidades que surgem quando os movimentos progressistas reforçam a narrativa de que o mestiço estaria atrapalhando e tem que se encaixar, ou para branco ou para negro. É quando pessoas que não estão interessadas em combater o racismo, que têm uma visão superficial, militantes de Twitter, pessoas reativas, pegam essa questão para produzir o racismo contra o mestiço.
Não é o racismo que eu sofri na infância, contra características negras, mas o racismo por não ser pura. Isso é reproduzido de diversas formas. Falar que miscigenação é extermínio, ou que o mestiço é filho do estupro, expressa uma narrativas extremamente hostis e pejorativas, e uma forma de racismo. Quando as pessoas não estão conscientes, podem favorecer esse tipo de narrativa.
Você propõe "encarar a herança branca para avançar plenamente na luta antirracista". De que forma isso poderia ajudar?
Os brancos fazem parte do nosso contexto. São pais, mães. Quando alguém nega parte da sua realidade e fala "não, eu sou negro" ou "sou branco", mas é um pardo que não quer se identificar por alguma razão, não está enfrentando aquele problema tal como é.
Está num estado de negação. Para mudar as coisas, precisamos reconhecer. Eu não vejo as pessoas brancas como inimigas. Existem pessoas brancas que são ótimas. Os brancos e a colonização negaram completamente a cultura e a aparência negra e indígena. Isso aconteceu historicamente, mas ir para o outro extremo também não é a solução.
Eu acredito na integração. É claro que nela é preciso entender quem foram os escravizados, quem foram os oprimidos, e reparar isso. Mas reparar não significa apagar e fingir que uma pessoa não é mestiça para se adequar a uma narrativa que não se encaixa na realidade.
O capítulo final do livro defende que o pardo deveria ser uma categoria única. No IBGE isso já acontece, enquanto o Estatuto da Igualdade Racial une pretos e pardos na categoria "negros". Por que você propõe isso?
Essa é a proposta do "Parditude". Reconstruir essa categoria é um direito. O IBGE mantém a categoria "pardo" porque é um órgão rígido, que trabalha com ela há muito tempo, mas a pressão dos movimentos sociais era para que não tivesse mais.
Buscaram fazer essa anulação com o Estatuto da Igualdade Racial, que acaba sendo simbólica e institucional, porque o levam em consideração como se o IBGE não falasse que pardos são mestiços.
Por isso eu defendo que, se as bancas de heteroidentificação entendessem a categoria do meio, não teriam que encaixar uma pessoa parda em dois extremos. Ela não disputaria vaga com uma pessoa preta, cuja identidade não se discute. As pessoas pretas teriam seu lugar reservado. O mesmo em termos de representatividade, em que pessoas pretas se incomodam com as pardas falando que são negras. Cada um falaria a partir da sua experiência.
Isso não geraria um risco de pretos e pardos se enfraquecerem enquanto grupos raciais ?
De forma alguma. Hoje existem estatísticas distorcidas. Quando falam que a maior parte das mulheres vítimas de violência doméstica é negra, imaginam todas com características negras fortes. E a maioria é parda, porque 45% da população é parda.
Aí aquela mulher ribeirinha, de características indígenas, que não tem o fenótipo que o senso comum enxerga como negro, fica apagada. Quando há apagamento de uma parcela, não tem como gerar uma união justa. Só dá para fazer isso reconhecendo a diversidade. Se todos são respeitados e vistos, vamos nos unir de forma harmônica.
Hoje temos uma união artificial, mas, nos ambientes de convivência, a pessoa parda está sempre subordinada a pessoas pretas, vista como um negro menos negro, uma subcategoria. Isso não gera uma união legítima, gera mais visibilidade para um grupo que é minoria, enquanto pessoas pardas são invisibilizadas.
A partir do momento em que se dá visibilidade para essa injustiça e se reconhecem as diferenças, a gente consegue gerar uma união, não só entre pardos e negros, mas também com os indígenas. Para se unir, não precisa ter a mesma identidade.
Se acontecesse da forma que você imagina, os pardos que se diriam negros seriam apenas aqueles que não estão nesse lugar de dúvida ?
A gente não tem esse termo "pardo negro". Dentro do estudo da parditude, negro é uma categoria que compreende as pessoas com características predominantemente pretas. E pardo é o mestiço, a pessoa de características ambíguas —os mulatos, os caboclos. Senão você acaba mudando o significado da palavra "mestiço".
Mas aí não cai na ideia dessa pureza racial que você está criticando ?
Porque até as pessoas retintas podem ter uma mistura racial dentro da família.
Não cai na pureza racial, porque eu estou falando de fenótipo. Eu não estou falando da origem, como o movimento negro faz. A pessoa com aparência ambígua é a pessoa parda, e a que não tem ambiguidade é uma pessoa negra. Isso é [pensamento do sociólogo] Oracy Nogueira. A questão é que o fenótipo mestiço é diferente do negro e do branco. É um meio-termo.
O que estão dizendo sobre seu livro?
Confesso que gostaria de ter mais pessoas que leram o livro falando sobre ele, porque, infelizmente, o que mais tem são pessoas criticando ou apoiando sem saber exatamente o que é. Eu vejo pessoas apoiando e falando coisas que eu não falo nem defendo. É um problema contemporâneo, as pessoas não leem tanto.
Nenhum país do mundo enriqueceu sem trabalhar - e isso deveria ser a base de qualquer discussão sobre emprego e renda no Brasil.
Veja no vídeo da economista Rita Mundim.
🚨 O “LEGADO” DA JUÍZA DO CASO HENRY BOREL🚨
A juíza que concedeu perdão judicial a Monique é a mesma que, em 2011, soltou um assassino confesso que degolou, com um caco de vidro, uma jovem de 21 anos na escola onde ela trabalhava, por ter recusado um beijo.
Ela está indo tão bem que agora pode ser promovida a desembargadora.
Quantos assassinos ela terá de “perdoar”? Quantas vítimas ficarão sem justiça? Quantas famílias serão destruídas para que isso se torne credencial de ascensão no Judiciário brasileiro?
ISSO É UM ABSURDO!
After Japan battled the Netherlands to a 2-2 draw, the Japanese fans stayed behind and cleaned up every single piece of trash from their section at Dallas Stadium after the game.
Será que o MEC e as Universidades brasileiras vão fazer avaliações e autocriticas sobre a sua atual realidade ?
Vale a pena ler o editorial do Estado de São Paulo.
A universidade que o Brasil não construiu
Como mostram os rankings internacionais, a universidade brasileira perderá se não se abrir para o mundo e para o setor produtivo e não adotar governança profissional e meritocracia
Quase 90% das universidades brasileiras caíram no ranking do Center for World University Rankings (CWUR). A principal razão foi a piora dos indicadores de pesquisa. Não se deve atribuir valor excessivo aos rankings. Seus critérios e metodologias podem ser questionados. No detalhe pode haver idiossincrasias estatísticas. Mas no conjunto o ranking capta uma degradação sistêmica.
O Brasil tem uma deficiência crônica de produtividade, cresce menos do que poderia e sofre para transformar conhecimento em inovação. Nesse contexto, universidades têm um papel estratégico. Formam profissionais, produzem pesquisa e preservam e renovam o patrimônio intelectual de uma sociedade, determinando sua capacidade de competir numa economia cada vez mais baseada em conhecimento e tecnologia.
O País expandiu significativamente o acesso ao ensino superior. Multiplicaram-se vagas, matrículas, campi e diplomas. Uma sociedade complexa e urbana não pode limitar a educação superior a uma pequena elite. O problema é que a expansão avançou sem que o sistema fosse redesenhado para sua nova escala. O Brasil massificou a educação superior preservando uma arquitetura concebida para um universo muito menor. Objetivos distintos operam em estruturas homogêneas.
Em todo o mundo, a ampliação do acesso veio acompanhada de diferenciação institucional. Universidades de pesquisa coexistem com faculdades voltadas ao ensino, institutos tecnológicos, cursos mais curtos e trajetórias profissionais variadas. Cada instituição responde a missões específicas. A eficiência e o prestígio acadêmicos não dependem de todas fazerem a mesma coisa.
O Brasil seguiu outro caminho. A universidade tradicional tornou-se a referência para o sistema inteiro. A pesquisa passou a ser uma aspiração difusa, mesmo onde faltavam escala, recursos ou vocação para sustentá-la. Ao mesmo tempo, modalidades voltadas à formação tecnológica e profissional permaneceram em posição secundária. O resultado é um sistema que patina, simultaneamente, na educação em larga escala e na produção de pesquisa de classe mundial.
O impacto internacional da atividade científica é abaixo da crítica para um país do porte do Brasil. A inserção em redes globais é limitada. O intercâmbio de professores e estudantes é provinciano. A distância entre universidades, empresas e ambientes de inovação é grande. Estruturas administrativas burocráticas e rígidas dificultam ajustes, recrutamento de talentos, parcerias e estratégias de longo prazo.
Não é que o País precise optar entre inclusão e excelência. As experiências bem-sucedidas mostram o contrário. Países que ampliaram rapidamente sua capacidade científica e tecnológica construíram sistemas diversos, capazes de acomodar funções distintas. Algumas instituições concentram pesquisa de ponta. Outras se dedicam à formação profissional. Há espaço para ambas.
Uma universidade forte é indispensável para o crescimento econômico, mas não só: ela amplia horizontes intelectuais, forma lideranças cívicas, produz conhecimento e fortalece a capacidade de uma sociedade compreender e enfrentar seus desafios. Num mundo moldado pela revolução digital e pela competição tecnológica, esse patrimônio tornou-se ainda mais valioso.
O debate sobre o ensino superior brasileiro costuma se concentrar na disputa por recursos ou na expansão do acesso. São temas relevantes. Mas a universidade não pode ser reduzida a instrumento de “justiça social”. O País precisa de um sistema mais coerente com as exigências da educação superior de massas e da economia do conhecimento. Isso exige universidades de pesquisa mais fortes, percursos tecnológicos mais valorizados, autonomia acompanhada de responsabilização por desempenho, maior integração internacional e formas eficazes de sinergia entre produção científica, inovação tecnológica e atividade produtiva.
O desafio brasileiro é estrutural e mais profundo. Trata-se de construir instituições capazes de transformar expansão em qualidade, conhecimento em inovação e talento em prosperidade. Nenhum ranking dará a receita para esse trabalho. Mas poucos indicadores lembram com tanta clareza o quanto ele continua inacabado.
@mspbra Chatão Bueno não dá. Ja era!!! Prefiro o Luiz Carlos Jr na Sport TV. E qdo nao to em casa, ainda bem que hj temos Caze TV pelo Youtube, mesmo com delay.
Editorial do jornal "Estado de São Paulo".
A desmoralização internacional do STF
Itália rejeita extradição de Carla Zambelli porque Moraes não poderia ser juiz e vítima ao mesmo tempo. O Direito precisou atravessar o oceano para chegar a uma conclusão tão óbvia
( óbvio também, que não devemos tratar os graves equivocos do STF como questão de soberania palavra fácil do repertório político do governo atual e muito menos com uma reles politicagem . )
Eis o texto:
"A decisão da Corte de Cassação da Itália que anulou a extradição da deputada Carla Zambelli deveria ser lida com menos paixão partidária e mais zelo institucional. Ao examinar o pedido brasileiro, os magistrados verificaram “diversos elementos capazes de suscitar dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação”.
A reação previsível de muitos foi transformar a controvérsia em mais um capítulo da guerra política brasileira. Erro crasso. A questão relevante não é saber se Carla Zambelli – condenada a dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para emitir uma ordem falsa de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes – merece simpatia ou reprovação. Tampouco se resume à figura de Moraes, relator do processo. O que a Justiça italiana examinou foi a compatibilidade de um processo brasileiro com garantias elementares de um Estado de Direito.
Os vícios destacados pelos magistrados italianos não são novidade. Há anos juristas, advogados, associações profissionais e até ministros do Supremo levantam preocupações semelhantes. A expansão contínua do inquérito das fake news, a utilização extensiva da conexão para atrair casos diversos a uma mesma relatoria, a concentração de decisões relevantes em poucos gabinetes, a erosão do princípio do juiz natural e o enfraquecimento da colegialidade já foram objeto de críticas reiteradas.
A Corte italiana, portanto, não descobriu uma patologia desconhecida. Encontrou sintomas que há muito tempo inquietam quem acompanha a evolução institucional do Brasil.
A defesa da democracia serviu de álibi para essas inovações. Houve ameaças golpistas e tentativas fraudulentas de minar a confiança no sistema eleitoral. Nenhuma democracia séria poderia ignorar fatos dessa natureza. Mas circunstâncias graves não suspendem princípios básicos de imparcialidade, contraditório e devido processo. Sua importância cresce justamente nos momentos de maior tensão política.
A Corte italiana não questionou as motivações dos ministros brasileiros nem absolveu a ré. Em outras palavras, não entrou no mérito da causa, só examinou as condições sob as quais ela foi julgada. Ao fazê-lo, verificou “violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz” e acusou o “acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução” na figura de Alexandre de Moraes. Não se trata de linguagem partidária. É a linguagem do Estado de Direito.
Tribunais de países democráticos divergem entre si com frequência. O que chama a atenção neste caso é a natureza da divergência. A mais alta instância judicial italiana concluiu que havia comprometimento de garantias processuais fundamentais para a tradição constitucional democrática.
O precedente espanhol no caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio, cuja extradição foi negada pela Justiça da Espanha porque esta considerou que o pedido brasileiro tinha “motivação política”, torna o quadro ainda mais desconfortável. São situações distintas, examinadas por tribunais distintos, em países distintos. Ainda assim, ambas produziram resistência à cooperação judicial solicitada pelo Brasil. A coincidência não pode ser descartada como mera manifestação de simpatia política por figuras associadas ao bolsonarismo.
Durante anos, críticas dessa natureza foram repudiadas como reações partidárias ou tentativas de “extremistas” de deslegitimar o Supremo. Agora, parte delas retorna ao País traduzida para a linguagem técnica de uma corte estrangeira.
A passagem mais severa do acórdão italiano afirma que a “violação macroscópica” da “garantia constitucional fundamental e irrenunciável” ao direito de defesa comprometeu “toda a equidade do processo”. Convém refletir sobre esse diagnóstico antes de atribuir à decisão italiana uma mera divergência ideológica. Não deveria ser necessário que o Direito atravessasse o oceano para chegar à óbvia conclusão de que Alexandre de Moraes e o STF extrapolaram."
Conheça o padrão de #arte e #cultura que um governo dá a seu povo (no caso, o vídeo fala sobre #musica ) e vc entenderá os reflexos na sociedade como um todo…
Sou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos para crimes violentos. Enquanto isso não ocorre - a base do Lula no Congresso é contra, voto a favor de projetos de lei que ampliam o período de internação de adolescentes responsáveis por atos de violência contra pessoas.
Esse foi o motivo que deixei de assistir a @tvglobo e a @GloboNews em 2014. De lá pra cá, apenas assisti a noticias esporadicas, como exemplo, a cobertura da m0rt3 da #MariliaMendonca Tenho cerebro para interpretar. Nao preciso de opiniao formada de ninguem!
Eu trabalhei durante 15 anos para o Grupo Globo: na CBN (Sistema Globo de Rádio) e GloboNews. Não posso negar que aprendi muito na companhia de grandes nomes do jornalismo.
Mas eu entendo perfeitamente a sensação da jornalista Edna Gomes, que deixou a GloboNews e vem a público dar nomes aos bois: ela descreve perfeitamente cada um dos analistas/comentaristas e suas falhas e contradições na realização de uma militância ideológica travestida de jornalismo.
É muito ruim para a emissora, mas ainda pior para a audiência!
Via ℹ️IaraGB 🐒💨L🌻👉🇧🇷
@iaragb
@reportersalles@SaturnoLibra O Plano Real foi um dos maiores projetos econômicos da nossa história.
E mesmo assim o PT conseguiu destruir nosso poder de compra.