O @FT publicou hoje o ranking mundial dos mestrados em gestão. O Mestrado Internacional em Gestão da @NovaSBE aparece em segundo lugar.
A série diz mais do que o número:
2014 — 48.º
2015 — 31.º
2018 — 30.º
2019 — 22.º
2020 — 16.º
2021 — 23.º
2022 — 15.º
2023 — 15.º
2024 — 8.º
2025 — 4.º
2026 — 2.º
Rebento de orgulho. Fui aluno desta casa e depois tive um papel no que se seguiu.
Em 2014 a Nova SBE era uma escola com uma ideia que na altura parecia excêntrica: construir um campus com donativos privados. Foram cinco anos a bater a portas. Cinquenta empresas. Mais de mil e quinhentas pessoas, muitas delas antigos alunos. Mais de cinquenta milhões de euros. O campus inaugurou em 29 de setembro de 2018.
Do 48.º ao 2.º lugar não se chega com um edifício bonito. Chega-se com professores extraordinários. Com career services que fazem placement em todo o mundo. Com 2.000 alunos de mais de cem nacionalidades.
Portugal não é segundo do mundo em mais nada que interesse. Nem no futebol.
Temos um mestrado, numa escola pública, à frente de quase tudo o que existe no planeta.
E quem olhar para a Nova SBE encontra ali a lição que falta à economia portuguesa. A escola recruta professores internacionais e paga-lhe a preço de mercado. Quem contrata um investigador para Carcavelos está a disputá-lo com o resto do mundo.
A maioria das empresas portuguesas não faz nada disto. Paga muito abaixo do que se paga na Europa e queixa-se de que não encontra gente.
A diferença não está na virtude de umas e no vício das outras. Está no mercado onde cada uma escolheu jogar. A Nova SBE compete internacionalmente por qualidade, e quem compete por qualidade paga por ela. A maioria do tecido empresarial português compete em preço, ou vive em mercados domésticos abrigados sem pressão para subir a fasquia. Os salários baixos refletem onde decidimos jogar.
O que me continua a espantar é que ninguém tenha copiado. Passaram oito anos. Está ali, à vista de toda a gente, a prova de que uma faculdade pública portuguesa consegue chegar ao segundo lugar do FT. Não conheço outra faculdade que tenha tentado fazer o mesmo. Não falta talento a Portugal. Falta ambição institucional, e isso não acontece — escolhe-se.
E falta dizer a parte que estraga a festa. As propinas de mestrado continuam congeladas. O Governo propôs descongelá-las em setembro do ano passado; o Parlamento chumbou em novembro, com o PS a apresentar o congelamento e o Chega a viabilizá-lo.
É populismo bacoco, e é caro. Uma escola que disputa os melhores professores do mundo tem de poder cobrar ao aluno de mestrado o que o serviço vale, e usar a diferença em bolsas para quem tem mérito e não tem meios. Um teto artificial impede exatamente isso. Congelar a propina não protege o aluno pobre: protege o aluno rico, que podia pagar e não paga, e retira à escola o dinheiro com que se financiaria a bolsa do outro.
Parabéns Nova SBE 🙌
De quantos ricos se faz um pobre?
Em 1870, António Alves de Amorim abriu uma fábrica de rolhas em Mozelos. Hoje a Corticeira Amorim é a maior empresa de transformação de cortiça do mundo, vende a mais de vinte e sete mil clientes, em mais de cem países, e fornece a indústria aeroespacial e automóvel a partir da casca de uma árvore portuguesa. É exatamente o tipo de empresa que Portugal tem a menos. João Rodrigues escreve sobre a família que a construiu e chama-lhe "porno-riquismo".
Deixemos os adjetivos e façamos a única coisa que este género de texto nunca faz: contas.
A fortuna da família Amorim ronda os 4,5 mil milhões de euros. Somos dez milhões e meio. Confisquem tudo — a cortiça, a Galp, os restaurantes, as herdades — e distribuam. Dá quatrocentos e trinta euros por cabeça. Uma vez. No ano seguinte não há nada, porque o que foi distribuído já não produz.
Agora o outro número. O produto por habitante em Portugal está mais de vinte por cento abaixo da média europeia, e está assim há um quarto de século. Essa diferença não se paga com quatrocentos e trinta euros. Paga-se todos os anos, em salários que não existem, em empresas que não escalam, em filhos que emigram.
É aqui que o texto se desmonta sozinho. Chamar "porno-riquismo" à cobertura dos ricos é porno-populismo. Portugal não é pobre porque alguns portugueses são ricos. Portugal é pobre porque produz pouco. São proposições diferentes, e confundi-las durante quarenta anos é parte da explicação para o declínio que o próprio autor lamenta.
Sobre os "verdadeiros criadores". Escreve-se que a riqueza está "tão desfasada dos trabalhadores, os seus verdadeiros criadores". Isto é a teoria do valor-trabalho, e é apresentada como se fosse uma evidência moral em vez de uma proposição económica que a profissão abandonou por razões que se podem enunciar. Se o trabalho é o único criador, explique-se porque é que o mesmo trabalho, as mesmas horas, as mesmas mãos, produzem cinco vezes mais na Alemanha do que aqui. A resposta é capital, tecnologia, organização e instituições — exatamente o que o autor nega existirem como criadores. Um operário da Corticeira Amorim é produtivo porque trabalha com máquinas, processos e mercados que alguém teve de construir e arriscar. Negar isso não é justiça social. É contabilidade errada.
Sobre Adam Smith. Foi hábil ir buscá-lo, porque Smith é o santo do outro lado. E Smith diz mesmo que a adulação dos ricos corrompe os sentimentos morais. Só que a citação está cortada em dois sítios convenientes. Smith condena a adulação dos ricos e condena o ressentimento contra eles: são os dois desvios da simpatia, o mesmo vício em espelho. E, sobretudo, o remédio de Smith nunca foi "alterar as relações sociais que regem a produção". O remédio de Smith foi a Riqueza das Nações — um livro inteiro sobre como uma sociedade comercial enriquece os pobres através da acumulação e da especialização. Citar a Teoria dos Sentimentos Morais contra a economia de Smith é usar metade de um homem para atacar a outra metade.
Sobre os aparelhos. Diz-se que "eles têm todos os aparelhos ideológicos e o Governo ao seu serviço". Se o capital português controlasse o Estado, teríamos uma carga fiscal das mais altas da Europa? Um Estado a gastar perto de metade do produto? Um código do trabalho que torna caro despedir e por isso caro contratar? Se isto é o governo ao serviço do capital, o capital devia pedir a devolução do dinheiro.
Uma última observação sobre o título. Pornografia é a contemplação repetida de uma coisa que não se tem, sem consequência e sem produção. Pelo critério do próprio autor, um blogue que há vinte anos volta obsessivamente ao mesmo assunto — quanto têm os outros, como o gastam, com quem casaram — não está a denunciar o género. Está a praticá-lo. É o que fazem os @LadrBic.
Diz que não há preconceito contra a riqueza em Portugal. Há uma coisa pior: indiferença perante a pobreza, desde que ninguém se destaque.
O Chega, que se auto-intitula “o único partido de Direita de Portugal”, acabou de votar contra a nova lei laboral e foi aplaudido pela CGTP e pela UGT. PS, PCP, L, Bloco e Chega! Todos juntos! Ahahahahahahahahahah
DEIXA DE ENGANAR OS JOVENS, VENTURA!
Ganha coragem de dizer os jovens que vão ser eles com as suas vidas a pagar a tua proposta de baixar a idade da reforma.