São Tomás de Aquino dizia que a paz não é ausência de conflito.
é saber onde está o centro, quando tudo ao redor está se movendo.
é a pessoa que perdeu o emprego
mas ainda sabe quem é.
que está no meio da crise
e ainda sabe o que importa.
que recebeu uma notícia que muda tudo
e ainda consegue dormir.
serenidade em meio às tribulações não é indiferença.
é a confiança em Quem conduz
A partir de agora, veremos ainda mais comparações entre Paquetá e Gerson.
Mas a principal comparação que o torcedor precisa fazer é:
Gerson trocou o Flamengo por dinheiro.
Paquetá está trocando dinheiro pelo Flamengo.
Há jogos que não começam no apito inicial. Começam muito antes, quando um povo aprende, na marra, que existir já é um ato político. A final do Mundial, nesta quarta-feira, não é só Flamengo contra Paris Saint-Germain. É uma travessia histórica. É o povo entrando em campo contra a ideia de que o futebol - como a vida - pertence apenas a quem nasceu em berço esplêndido.
O Flamengo não nasceu elite. Nunca foi. O Flamengo nasceu do suor, da improvisação, da rua, da arquibancada apertada, do radinho colado no ouvido, da cerveja quente no copo plástico. Nasceu grande porque nasceu popular. E é justamente aí que ele encontra, curiosamente, a França - aquela outra França, não a dos salões, não a dos castelos, mas a da Revolução.
Em 1789, quando o povo francês cansou de sustentar uma nobreza que vivia de costas para a miséria, o grito não foi apenas político. Foi existencial. Liberdade, igualdade, fraternidade não eram slogans bonitos: eram necessidades básicas. O povo queria existir com dignidade. Queria voz. Queria futuro. O Flamengo, guardadas as proporções da história, carrega essa mesma pulsação. Um clube que sempre foi mais gente do que instituição, mais multidão do que diretoria, mais canto do que silêncio respeitoso. Um clube que representa milhões que, fora do futebol, ainda lutam pelo básico - mas que, dentro dele, aprenderam a se reconhecer como parte de algo maior.
E talvez seja por isso que o Flamengo incomode tanto. Porque ele lembra, o tempo inteiro, que o jogo não pertence só aos bem-nascidos. Que o povo pode chegar. Que o povo pode vencer.
Antes mesmo da Revolução, aliás, a França dos palácios já havia tentado se impor por aqui. No século XVI, quando ainda nem existia Rio de Janeiro como o conhecemos, os franceses tentaram fundar a França Antártica, na Baía de Guanabara. Vieram com projeto, bandeira e pretensão de domínio. Foram expulsos não apenas pela força portuguesa, mas pela aliança com os povos indígenas originários - gente da terra, que conhecia cada curva, cada mata, cada armadilha do território. Foi uma vitória - com algum exagero de minha parte, admito - resultante da articulação popular, de quem conhecia o chão que pisava.
O Rio nasce assim: de resistência, de mistura, de aliança improvável contra quem chega achando que tudo já lhe pertence.
O Flamengo também.
Quando entra em campo contra o PSG, o Flamengo não enfrenta apenas um time rico, moderno, globalizado. Enfrenta uma lógica. A lógica de que dinheiro compra destino. De que camisa é marca. De que história se constrói em balanço financeiro. Do outro lado estará um clube poderoso; deste lado, estará um povo inteiro empurrando, cantando, lembrando que futebol ainda é território de afeto, de memória e de pertencimento.
Zico não nasceu em palácio. Leandro não foi lapidado em castelo. Júnior, Andrade, Adriano, Petkovic, Gabigol representam o talento que brota apesar de tudo. Representam a revolução silenciosa que acontece quando o povo descobre que pode ser protagonista.
Nesta quarta-feira, quando a bola rolar, não será só uma final. Será mais um capítulo dessa história teimosa que insiste em se repetir: o povo contra a ordem estabelecida, a paixão contra o cálculo, a rua contra o salão.
E se a França um dia foi expulsa da Guanabara pela força de quem conhecia a própria terra, que o Flamengo, filho legítimo desse mesmo chão, saiba lembrar ao mundo que certas revoluções nunca terminam. Elas apenas mudam de campo.
Porque enquanto houver um rubro-negro cantando, acreditando e se reconhecendo no outro, liberdade, igualdade e fraternidade não serão apenas palavras bonitas. Serão jogo jogado. Serão vida vivida. Serão Flamengo.
Uma oração à Glória Eterna. Para quem carrega o espírito rubro-negro no coração e na alma. Para quem tem fé no Mengo. Vamos em busca dessa quarta estrela. SEREMOS. #Flamengo
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@DanielOpotiguar Você está mal informado ou mal intencionado. A pesquisa não cumpriu requisitos básicos, nem mesmo nota fiscal possui. É ela (e aqueles que a defendem) que está ao arrepio da ciência e em desacordo com a legislação. Criticar o trabalho da advocacia eleitoral não a torna correta.