Um corajoso artigo de um democrata comprovado e um intelectual respeitado - Augusto de Franco - que faz uma ánalise da grave crise política institucional que vive o Brasil e diz com mais gravidade ainda o que dessa realidade pode emergir.
Há um golpe em curso no Brasil
E não é um golpe dos bolsonaristas e sim do consórcio formado para reeleger Lula
Augusto de Franco
Revista ID - set 04, 2026
Jamais imaginei que estaria escrevendo isso. Há um golpe em curso no Brasil, mas não é um golpe de Estado como o intentado por Bolsonaro. E sim um golpe dos que acusaram o golpe bolsonarista, aquele que jamais chegou a se concretizar porque foi abortado pelos próprios golpistas por falta de força político-militar para desfechá-lo.
Não é um golpe apenas da ala governista do STF. É um golpe do consórcio formado para reeleger Lula de qualquer maneira. Dele participam Lula e seu governo, a banda podre do STF, a direção e as facções petistas da Polícia Federal, o Procurador Geral da República, os presidentes da Câmara e do Senado e parte da imprensa comprada pelo governo ou colonizada por militantes petistas.
No embate que se tornou público dentro do Supremo Tribunal Federal, o propósito da ala governista é retirar das mãos de André Mendonça todas as relatorias que ele exerce (INSS-Lulinha e Master). Se isso não der certo, David Alcolumbre já sinalizou que poderia pautar seu pedido de impeachment no Senado.
Sim, agora o Brasil tem que decidir se quer continuar sendo uma democracia ou se quer manter no STF o monocrata Alexandre de Moraes comandando há mais de 7 anos o chamado Inquérito das Fake News e usando esse instrumento de exceção como arma política para praticar corrupção em larga escala e cometer outros atos ilegais e autoritários, incriminar quem denunciá-lo e perseguir adversários da sua facção na corte e inimigos do governo Lula a ela consorciado.
Há muitas evidências de que a democracia no Brasil corre perigo. Comecemos com as coincidências.
Menos de 24 horas depois do levantamento do sigilo do relatório da Polícia Federal revelando as relações promíscuas e criminosas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, Procurador Geral da República, citado no relatório, soltou um documento pedindo a sua anulação.
Para incriminar Mendonça, Moraes se baseou num documento anônimo da Polícia Federal chamado de “relatório de inteligência”. Não é um documento tipicamente policial. O estilo é de um documento político (vazado em termos lulopetistas). Quem encomendou esse documento? Se foi Moraes, ele não pediu autorização ao presidente da suprema corte. Quem o assina? Ninguém.
Jogo de cartas marcadas. Ontem (03/09), pouquíssimo tempo depois do despacho de Moraes acusando Mendonça, Fachin já estava com outro documento pronto dando cinco dias de prazo para Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei se explicarem sobre as acusações do relatório clandestino da PF. Não daria tempo de redigir tal documento se ele, Fachin, já não soubesse do golpe que seria desferido por Moraes. Hoje (04/09) percebendo a mancada, para disfaçar ou tentar consertar as coisas, Fachin determinou que as acusações de Moraes sejam retiradas do inquérito das fake news e o caso seja incluído no procedimento aberto sobre os indícios encontrados pela PF contra Moraes.
Passemos agora às tentativas de transformar o escândalo em uma briga de egos entre Mendonça e Moraes.
Parte da imprensa comprou a narrativa da equivalência entre os erros de ambos. Ou seja, caiu no truque sujo de estabelecer uma equivalência entre dois supostos desviantes das regras. E, com isso, absolver preventivamente Moraes de seus crimes.
Para desmascarar esse truque bastaria fazer algumas perguntas:
A mulher de Mendonça assinou um contrato de 130 milhões com Vorcaro?
Vorcaro deu cartões de crédito com limite de 300 mil para os filhos de Mendonça?
Vorcaro colocou avião e helicoptero à disposição da família de Mendonça?
Mendonça avisava Vorcaro para que ele pudesse escapar da polícia?
Mendonça foi na degustação de whisky em Londres às expensas de Vorcaro (como foram Moraes, Gonet e Andrei)?
Mendonça organizou em sua própria casa uma reunião dos chefes dos poderes executivo e legislativo para que todos apoiassem a reeleição de Lula?
Até hoje Alexandre de Moraes não se explicou sobre nada disso. André Mendonça, entretanto, não tem que se explicar sobre nada disso, porque não cometeu nada disso.
Voltemos, porém, ao início. Há um golpe em curso. O golpe em curso é um golpe para impedir que Lula perca a eleição - o que, segundo os petistas, seria um verdadeiro golpe de Estado (uma espécie de continuidade do 8 de janeiro, nos seus delírios).
Para tanto, é necessário afastar todos aqueles que podem revelar escândalos que prejudiquem a reeleição de Lula:
As relações do Careca do INSS com o filho de Lula, Marcola, Berger e outros ministros lulistas.
O envolvimento de Frei Chico, irmão de Lula, com o roubo dos aposentados.
O envolvimento do PT da Bahia e de Jaques Wagner, líder de Lula, com o caso Master.
A investigação sobre os negócios escusos de Dias Toffoli (indicado por Lula para o STF) com Daniel Vorcaro.
A investigação sobre as conexões (e traficâncias) de Alexandre de Moraes (aliado de Lula), Paulo Gonet (indicado por Lula para a PGR) e Andrei Rodrigues (ex-segurança pessoal de Lula e Dilma - indicado pelo PT para chefiar a Polícia Federal) com Daniel Vorcaro.
Tudo isso tem que sumir para que não atrapalhe mais a eleição de Lula. E tudo vai começar pelo afastamento de André Mendonça, das relatorias que estão nas suas mãos ou do próprio STF.
Ano que vem Moraes, impune, assume a presidência do STF. De 2027 a 2030, se Lula for reeleito, nomeará mais quatro membros para a suprema corte, consolidando uma maioria governista incontornável naquele que se transformou, em aliança com a PGR, com o chefe do governo e com os presidentes da Câmara e do Senado, num poder monárquico absoluto no Brasil. Se isso acontecer, não estaremos mais numa democracia.
E vai acontecer. A menos que a sociedade brasileira se manifeste vigorosamente, nas ruas e em todo lugar.
Renan Santos is polling in the single digits, but his willingness to propose bold ideas is winning him prominent backers on the Brazilian right https://t.co/6sLa7YKYyu
Curiosa essa qualificação, @monicabergamo. Nada sobre meu currículo? Ou um PROFESSOR negro só pode falar sobre “coisa de negro”? Nada sobre meu primeiro livro, sobre meus 20 anos como profissional de TI, sobre meus 15 anos escrevendo artigos. Sou só um “negro contra cotas”. +
MALU GASPAR DETONA FOTO DE MINISTROS DO STF RINDO:
“É o deboche com a preocupação da população. Estamos falando dos guardiões da Constituição, que até outro dia se diziam heróis da democracia. Isso é um escárnio deliberado. Essa foto representa a atitude deles: dobrar a aposta contra a indignação da população. É dar risada na cara das pessoas porque acham que nada vai acontecer. O que estão dizendo é: ‘Dane-se, eu não estou nem aí, vou continuar rindo’. Não importa quantos milhões eu tenho recebido do Daniel Vorcaro, nem que a Constituição me coloque na posição de prestar satisfação às pessoas. Eu não vou ligar. Eu vou rir na cara dessas pessoas.”
@ICLNoticias No áudio, enviado no dia 30 de março de 2025, ao qual a coluna teve acesso com exclusividade, Nikolas chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro. Para ouvir áudio 8h, ao vivo, no @ICLNoticias
https://t.co/GUql7fccuT
🚨 INVESTIGAÇÕES DO CASO MASTER | Gonet e família aparecem 33 vezes em investigação que ele pede nulidade
Leia na coluna de @andrezamatais
https://t.co/iKoQABXhkX
Talvez o maior escândalo dentro do caso Master seja o sumiço do celular de Alexandre de Moraes.
Não foi entregue.
Não foi apreendido.
Não foi periciado.
A sociedade está impedida de ver as respostas do magistrado da mais alta Corte do país ao banqueiro mafioso que - a julgar pelo conteúdo das mensagens apontadas em relatório policial - pedia ao amigo para exercer advocacia administrativa em seu favor ou obstruir a justiça, enquanto pagava mais de R$ 80 milhões ao escritório da esposa e dos filhos dele, referentes a um contrato de R$ 131 milhões com o banco.
De quebra, Daniel Vorcaro chegou a consultar Moraes, dois dias antes da prisão, sobre se deveria fugir do país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”
E não sabemos o que achou o ministro do STF, que continua dentro.
Ele é blindado pelo PGR amigo e por colegas que igualmente curtiram os eventos patrocinados por Vorcaro e a degustação de charutos e whisky Macallan.
Moraes nunca revelou o conteúdo das referidas conversas, não representou contra o banqueiro, não encaminhou o caso a autoridades para que as solicitações nada republicanas fossem investigadas.
Dois meses antes da prisão de Vorcaro, na verdade, o magistrado alterou a configuração no WhatsApp, fixando o prazo de 24 horas para a exclusão automática das mensagens trocadas com o banqueiro.
“Alexandre de Moraes usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas. Todas as novas mensagens desaparecerão desta conversa após 24 horas”, diz um aviso do aplicativo, conforme print do chat de Vorcaro com o magistrado, presente no relatório da PF.
O próprio Moraes, ao votar pela condenação de Débora do Batom no caso do 8/1, apontou “desprezo para com as instituições republicanas” no “fato de que a ré apagou e ocultou provas de sua intensa participação nos atos golpistas”, “haja vista a conclusão apresentada pela Polícia Federal”, “relacionada ao celular de sua propriedade”.
Quando se compara o caso Master com o do jornalista do Maranhão, que teve notebook e celular apreendidos e sigilo da fonte violado, em busca e apreensão determinada por Moraes em razão de notícia verdadeira porém inconveniente ao colega Flávio Dino, nota-se também a dimensão da desigualdade entre um cidadão comum e um membro da casta, perante a oligarquia dos Poderes.
A casta não conseguiu bloquear a prisão de Vorcaro, mas bloqueou o acesso às respostas do marido de Viviane Barci de Moraes ao banqueiro. É escandaloso o que essa gente chama de “democracia”.
@BlogdoNoblat Lula, Bolsonaro, Moraes, Toffoli, Gonet, vários Governadores, legislativo, td mundo no esquema do Master. E esses figurões continuam transitando em Brasília como se nada tivesse ocorrido. Estão agora aguardando a salvação do sistema.
Moraes passou anos prendendo e censurando pessoas por supostamente disseminarem "fake news" (muitas vezes críticas ao STF). Agora, sabemos que ele mentiu para proteger seus próprios interesses em relação ao escândalo bancário mais importante da história do Brasil, negando seu envolvimento no contrato da BM "com sua esposa".
As relações de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro estão em destaque no noticiário de hoje.
Ambas as famílias faturaram direta ou indiretamente com o dono do Banco Master, cuja fortuna veio de fraudes que enganaram e prejudicaram milhões de brasileiros.
Registros indicam que Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões de sua esposa com Vorcaro. Mensagens mostram que o então banqueiro acionou o ministro do STF para travar investigações antes de ser preso.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, pediu o dono do Master, referindo-se ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao PGR, Paulo Gonet.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu ao ministro em outra mensagem, também obtida pelo Estadão.
Só se pede descarada e impunemente a uma autoridade que ela obstrua a justiça quando se tem abertura e confiança para isso; e/ou quando se subentende que um contrato de fachada pré-estabelecido daria direito a esse tipo de serviço informal.
Já Flávio foi pego em mais uma mentira sobre Vorcaro. O senador disse na TV, em 14 de maio de 2026, que “o último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025”.
Mas agora se sabe que o dono do Master enviou em 16 de setembro daquele ano mais US$ 1,666 milhão ao Havengate, o equivalente a R$ 8,5 milhões na cotação da época. Foi a 7ª parcela paga de um total de 14, somando mais de US$ 12,3 milhões, o equivalente a mais de R$ 65 milhões.
Duas semanas antes, em 3 de setembro de 2025, o Banco Central havia rejeitado a aquisição do Master pelo BRB após cerca de cinco meses de avaliação do caso. Os indícios contra Vorcaro já eram fortes.
Em 30 de setembro de 2025, a Folha informou que a PF abriu um inquérito sobre o Master após o BC ter passado informações ao Ministério Público Federal.
E há evidências de que, mesmo assim, Flávio pressionou e conseguiu mais um pagamento depois disso, como mostra a reportagem da revista Piauí, que teve acesso a um trecho inédito dos diálogos por WhatsApp entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar dinheiro para o filme.
Em 22 de outubro de 2025, Flávio cobrou o dinheiro, nem aí para sua eventual origem criminosa: “Estamos no limite. Se não der me fala que procuro urgente outro caminho.”
No mesmo dia, Miranda escreveu ao banqueiro: “Consegue liberar as parcelas do filme? Se não vai parar tudo por lá 😐.” Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”, ao que Miranda retrucou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb.”
O dono do Master então pediu que Miranda apresentasse suas desculpas a Flávio pelos “atrasos” das parcelas. Se esse outro pagamento de US$ 1,6 milhão foi realizado, o total desembolsado sobe para US$ 14 milhões de dólares, ou R$ 72 milhões.
Já o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, comprou até apartamento para a filha do petista Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, como já vimos.
Não existe, portanto, polarização entre alexandrismo, bolsonarismo e lulismo em matéria de ganhos familiares com empresários interessados em obter boa vontade nos Três Poderes.
O que existe é um eleitorado ludibriado por discursos diferentes de grupos políticos e demais autoridades que incorrem em uma série de práticas imorais comuns.
Um país em que magistrado edita impunemente contrato milionário de sua esposa advogada com um banqueiro interessado em sua influência no sistema de Justiça, e com o qual bebe whisky no exterior e troca mensagens de WhatsApp, não pode ser um país sério.
Ainda mais quando o empresário pede ao magistrado atuação nos bastidores para blindá-lo contra investigações.
Tudo indica que o banqueiro visava a obtenção desses serviços informais ao fechar um contrato acima dos padrões de mercado, até porque advertiu assim o tesoureiro do banco em relação a atrasos nos pagamentos:
“Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”.
É indecente, por si só, faturar com a geração tácita dessa expectativa de influência, que dirá manter em segredo os pedidos de obstrução de justiça feitos pelo contratante.
Que o Senado se omita em caso tão grave, é uma amostra de como uma indecência lava a outra na República do Escambo.
Metadados analisados pela PF apontam que Alexandre de Moraes editou, em 2024, uma minuta de contrato entre Daniel Vorcaro e sua esposa. Mensagens também mostram o banqueiro pressionando o ministro para adiar uma operação policial contra ele.
➡️ #GloboNewsRadar - de segunda a sexta, às 8h30, na #GloboNews.
Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de escritório de Viviane com Vorcaro, indicam registros; veja os documentos → https://t.co/xneHCa1Ood
Metadados do contrato enviado pela mulher do ministro do STF ao banqueiro registraram que perfil de nome ‘Ministro Alexandre de Moraes’ foi responsável por últimas alterações no arquivo; Moraes e Viviane confirmam que o ministro acessou o documento, mas negam irregularidade. A defesa de Vorcaro não se manifestou.
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A deputada federal Samia Bonfim usou seu perfil no X para criticar quem não informa seus perfis ao TSE.
Ela não informou o perfil ao TSE.
O Renan ao menos fez um adendo e informou as redes no dia 19. A Samia até agora não o fez.
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