Ninguém aborta por “capricho”. E ninguém tá falando que vai ser obrigatório abortar. O que a gente quer é ter o direito de decidir. Você pode ser contra mas não pode querer proibir uma mulher de decidir se ela quer ou não ser mãe, principalmente nessas condições.
Essa história dos influencers que abortaram um bebê com down mexeu comigo.
Eu tive uma tia "especial", brincava de bonecas, tinha um dinheirinho para comprar confeitos, comia pela mão da minha avó e não deixava ninguém dar banho nela. O termo "atípica" é coisa recente.
Ela foi a luz da família até os 39 anos, quando enfartou e morreu.
Minha avó pariu 13 filhos e adotou uma.
O que morreu na infância sempre foi lembrado. Inácio.
Nunca houve um dia que ouvi Vovó reclamar da condição especial da minha Tia.
Depois que essa Tia faleceu, as irmãs morreram de câncer, nasceram perfeitas, mas adoeceram na vida adulta. Não houve nada que minha avó pudesse fazer. Depois descobrimos que existia um componente genético nos diagnósticos delas, como o down.
Será que por saber que elas adoeceriam e deixariam de ser funcionais minha avó teria preferido abortar? pq só quem já viu câncer terminal se arrastar por anos sabe que a pessoa perde a autonomia.
Eu não tenho resposta pra isso pq agora minhas 4 tias estão junto com a mãe, mas acho muito difícil que Vovó tivesse feito essa escolha.
Eu sou abertamente contra o aborto por capricho. Uma coisa é a gestação que vem do abuso, a lei prevê as possibilidades, ponto, isso é escolha da mulher.
Mas, por achar que aquela criança tem alguma característica física que vai dar trabalho? Que vai sofrer? Que vai custar caro?
Alguém no passado decidiu que determinada população também não merecia viver e chamamos de Holocausto até hoje.
Enfim, muitas reflexões antes do primeiro café do dia.
@DLS4688 Eu respeito e admiro mt quem sustenta criar, e digo isso de crianças com ou sem qqr tipo de deficiência. Ter filhos é mt radical e é algo a ser mt bem pensado. Negócio é achar q uma experiência individual pode ditar uma lei, principalmente num país sem o básico de acessibilidade
@MarinaTaborelli + uma pauta pessoal vazia e sem nexo pra o contexto da discussão. Se você não é a favor do aborto em qualquer circunstância, o problema é seu e a sua opinião não é a lei. No mais, não tenho mais pq dar corda pra essa conversa que não está fazendo o menor sentido. Passar bem :)
@MarinaTaborelli + pq não consigo entender em que universo maluco tu começaste a achar que eu tentei atingir o teu gênero ou teu corpo. Eu realmente sinto muito se de alguma maneira entendeste algo sobre eu te invalidar, mas estás tentando desviar uma discussão sobre o direito das mulheres para +
@MarinaTaborelli + mães exaustas, deprimidas, em vulnerabilidade social e sem possibilidade de oferecer o básico pra si mesmas e pros seus filhos. Abandono paterno e estatal. Violência contra os filhos. Sabe pq tô falando tudo isso? +
@MarinaTaborelli + sou psicóloga e neuropsicóloga. Trabalhei no sus com crianças neurodivergentes, em grande maioria autistas. Já levei soco, mordidas, cuspes e até mijo de criança no meu trabalho. Isso ganhando menos do que um salário e tendo muita responsabilidade. Sabe o que eu vi? +
@MarinaTaborelli Você está partindo de um pressuposto de que eu nada sei do que falo. Eu não sou neurodivergente (apesar do meu psiquiatra afirmar que tenho TDAH, nunca fiz uma avaliação mais a fundo). Tenho TAG desde criança (que é um transtorno psiquiátrico, como deves saber) +
@darlintangerine Eles já abandonam sem nenhuma deficiência, imagina quando eles percebem que vão ter que priorizar a criança ao invés deles mesmos kkkk
@CassandraTelin1 Ah, sim. Então vamos tirar os direitos das mulheres de decidirem pela autonomia do próprio corpo pq tem 5 fudidos que abortam por fetiche.