🚨Depoimento de duas médicas australianas, voluntárias em Gaza:
Elas dizem que decidiram gravar este vídeo porque “podem morrer a qualquer momento”.
Contam que a grande maioria dos seus pacientes são crianças e mulheres grávidas.
Uma delas diz ter feito uma cesárea em uma gestante de 9 meses que teve a cabeça decepada…
O cenário relatado por elas é de ataques israelenses contínuos, completa falta de condições sanitárias para cirurgias e falta de insumos e medicamentos.
Digo eu: o julgamento da História será implacável.
Há um genocídio em curso em Gaza, e "Um dia todos dirão terem sido contra", de Omar El Akkad, é a melhor radiografia que li do silêncio que o cerca. O título é a tese inteira: quando estiver consumado, todos jurarão que sempre estiveram do lado certo.
Em registro ensaístico — memória, reportagem, reflexão política costuradas em fragmentos —, El Akkad expõe com ironia rara as hipocrisias do ocidente liberal: a linguagem que oculta o agressor, a neutralidade aplicada conforme conveniência, a lógica do mal menor que naturaliza o intolerável. Livro reflexivo, profundamente honesto, e desconfortável na medida exata em que precisa ser. O valor da vida humana, deixa claro El Akkad, virou variável — pesa muito quando o morto é dos nossos, pesa pouco quando é o outro.
O nazismo também teve seu bufão sinistro. Julius Streicher não era exatamente estimado entre os colegas do Terceiro Reich. Corrupto, sádico, obsceno até para os padrões daquela camarilha, acabou destituído de seus cargos partidários — mas Hitler o tolerou, porque havia utilidade no homem disposto a ir além do que outros hesitavam em fazer ou dizer em voz alta. Streicher publicava propaganda antissemita pornográfica e degradante, incitava a perseguição dos judeus sem eufemismos e defendia medidas de exclusão e aniquilação. Foi enforcado em Nuremberg por crimes contra a humanidade.
Itamar Ben-Gvir manteve por anos em sua sala um retrato de Baruch Goldstein, o homem que massacrou 29 palestinos enquanto rezavam. Declarou, sem constrangimento, que seu direito, o de sua mulher e o de seus filhos de circular pela Cisjordânia valia mais do que a liberdade de movimento dos árabes. Gravou um vídeo diante de prisioneiros palestinos deitados de bruços e amarrados no chão. Em declarações sobre a pena de morte para prisioneiros palestinos acusados de terrorismo, afirmou que, depois de lhes retirar direitos e condições carcerárias, queria também tirar-lhes a vida. Ontem, postou que sonha com forcas.
Qual a distância moral?
Israel’s National Security Minister Itamar Ben-Gvir has posted a video saying he ‘dreams’ of nooses, featuring a montage of AI-generated images in a nod to the death penalty law targeting Palestinian detainees.
"não é imprescindível que a possibilidade de perda do cargo público conste da denúncia, porquanto decorrente de previsão legal expressa, como efeito da condenação, nos termos do art. 92 do CP." (HC 305.500/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 04/10/2016)
Difícil supor que alguém minimamente alfabetizado no mundo de hoje atribua o cálculo de um engenheiro à calculadora por ele utilizada. Qualquer LLM, ChatGPT e outros, são calculadoras verbais, instrumentos tão só. O texto daí em diante é de quem o assina. O que você assina daí do teu anonimato — recurso, aliás, típico dos covardes quando utilizado para opinar criticamente? Apesar da pusilanimidade, nutro alguma esperança de que você tenha, já que chegou ao texto, capacidade analítica suficiente para distinguir o instrumento da obra. Fica o alerta por amor ao debate. Um abraço.😀
Proponho-me a refletir sobre o risco de esvaziamento progressivo da fiança no processo penal brasileiro, provocado pelo uso automático da assistência defensorial como presunção quase absoluta de hipossuficiência, em substituição ao juízo concreto e motivado que a lei exige.
Eu não gosto desse método de escrita manual, não achei proveitoso pra mim. Mas fora a questão metodológica, algo há de universal: é a revisão constante que leva ao aprendizado.
Como lembrar de TUDO que você já leu? Com Eduardo Giannetti https://t.co/lyEOz7itN6 via @YouTube
Somente ontem assisti pela primeira vez essa maravilha do cinema, Dr. Fantástico (1964), e fiquei estarrecido com a atualidade. O olhar atento percebe que se trata, na verdade, de um documentário. Kubrick filmou homens numa sala decidindo o fim do mundo com a seriedade de uma reunião tecnocrata de diretoria.
Quando a decisão é delegada ao protocolo, ao algoritmo, ao especialista: ninguém decide, ninguém é responsável. A catástrofe vira acidente burocrático. O filme é antigo, mas se você não viu ainda, assista.
Existe um tipo específico de perfil que prolifera desde 2022: o entusiasta de guerra que nunca chegou perto de uma. Posta vídeo de drone matando soldado russo (ou ucraniano, tanto faz pra ele) com a mesma empolgação de quem comenta jogada de Call of Duty. Romantiza “combate moderno”, “tática”, “tecnologia”. Esquece, ou nunca soube, que cada um daqueles pontinhos na tela era uma pessoa que foi criança, que tinha quem amasse, e que está agonizando da pior forma que um corpo humano pode agonizar. Dessensibilização total.