O IOF subiu.
E com ele,
a cueca rasgada do governo ficou à mostra.
Haddad disse que era só um ajuste técnico.
Uma correção de rota. Uma medida de arrecadação.
Disse tudo, menos a verdade. Porque a verdade, essa sim, é cortante demais para ser dita em rede nacional:
O Brasil quebrou.
É isso, só não percebe, quem não quer.
Estamos só tampando os furos desse barco.
Está na UTI. E o governo, como um rato encurralado, está mordendo até o que resta da própria reputação.
Não é a primeira vez.
Nem será a última.
Mas é uma das mais patéticas.
Isso é.
Porque o IOF – esse tributo parasitário que o Estado manipula por decreto, sem nem ter que dar satisfação – é, historicamente, o botão de emergência de quem já perdeu o jogo.
Um botão que, quando pressionado, grita para o mercado: "acabou o dinheiro, acabou a moral, agora é confisco disfarçado de política fiscal."
Rssss... estou mentindo?
No dia 22 de maio de 2025, o governo Lula apertou esse botão como quem puxa a descarga do próprio fracasso.
Aumentou o IOF sobre crédito, câmbio, previdência. Disse que era para arrecadar.
Que era para atingir o tal déficit zero.
Que era para passar confiança. Confiança?
Nem traficante passa recibo tão ridículo.
POR ISSO, JÁ QUER RECUAR.
Isso foi confissão de ruína.
Isso foi o grito histérico de quem perdeu o controle.
O mercado não é burro.
E entendeu o recado em milissegundos.
O dólar, que flertava com a estabilidade, deu um cavalo de pau e subiu como foguete desgovernado.
A bolsa, que sorria tímida com os cortes de gastos anunciados, tomou um tapa na cara.
O que era esperança virou náusea.
E o cheiro que ficou foi o de sempre:
carniça fiscal em decomposição.
Isso já aconteceu antes.
ONDE?
Em Buenos Aires, quando inventaram o Impuesto PAIS – um tapa na cara do investidor.
Na Turquia, quando Erdogan meteu imposto no câmbio – e a lira virou papel higiênico.
Na Índia, quando proibiram remessas e ouro – e a rupia sangrou.
Sabe o que todos esses países têm em comum?
m Estado fraco tentando parecer forte enquanto desmorona.
Agora é a vez do Brasil na fila da vergonha.
A alta do IOF é a antessala da desgraça.
NÃO ESTOU EXAGERANDO. É UM SINAL.
UM PÉSSIMO INDICADOR.
É o cadáver do real sendo maquiado para o velório.
É o governo dizendo, sem coragem de assumir: vamos morder cada centavo de quem ainda respira, porque a festa acabou.
Isso não é ajuste técnico.
Isso é assalto tributário com faca na jugular.
O IOF é só o começo.
A porta do hospício fiscal se abriu
Essa mordida foi o IOF. A próxima será no seu saldo bancário. Depois, na sua liberdade de enviar recursos pro exterior. Depois, na sua dignidade.
ESSA HISTÓRIA É CONHECIDA.
Se os Limers não mostrarem indignação amanhã, o Governo vai sentar e abusar.
O Estado quebrado morde até o osso.
E vai arrastar todo mundo junto nessa ressaca.
Esse vídeo aqui deveria passar em rede nacional e horário nobre.
Não se trata de direita e esquerda, mas sim de sadismo praticado por um egocêntrico empregado do estado que deveria apenas cumprir as leis e a constituição.
Assistam e compartilhem.
😵
POR QUÊ GLOBO NEWS?
Tenho amigos e amigas na Globo News e já participei, presencialmente, de vários programas do canal a partir de 2013. Por isso é sempre chato tratar do assunto deste post, mas agora me parece necessário. Não citarei nomes.
Segundo levantamento do Poder360 (publicado em 09/08/2024), em janeiro de 2024 a Globo News tinha até 125.766 expectadores, em média. No início de agosto tinha no máximo 93.160. Ou seja, o que chamamos de 'povo' não assiste. Então quem assiste?
A Globo News consegue agora atingir, talvez, cerca de 10% da população politicamente ativa (a PPA). Cabe esclarecer que a PPA não é composta pelos que apenas votam, comparecem a comícios, acompanham o noticiário político, conversam eventualmente sobre temas políticos e sim pelos que atuam politicamente de alguma forma regular ou sistemática, seja proferindo opiniões e participando do debate público (por exemplo, publicando nas mídias tradicionais ou sociais), seja articulando e animando movimentos políticos na sociedade, seja se candidatando ou promovendo candidaturas, seja pleiteando ou sendo nomeados para cargos no Estado etc.
Como o canal resolveu - por algum motivo - fazer parte, organicamente, do sistema de governança do governo do PT, parece que não se importa tanto com audiência. É uma TV que não tem como objetivo informar o grande publico na medida em que funciona como instrumento de governo voltado a replicadores (hubs).
Serve também para dar a linha para militantes e simpatizantes dispersos do partido governista e de partidos aliados, para pautar a imprensa no nível nacional e nas cidades do interior e para desencadear a formação de caixas de ressonância nos meios políticos "progressistas", universitários, intelectuais, jornalísticos, sindicais e de movimentos sociais e ONGs, jurídicos e artísticos. É o lugar adequado para ministros do governo e do STF venderem - sem contestações - suas versões dos fatos em longas entrevistas. Ao mesmo tempo em que legitima ações governamentais, mantém viva a chama da polarização, requentando - às vezes durante semanas - temas que deslegitimam qualquer contestação ao governo.
Com honrosas exceções (que confirmam a regra), ali encontramos hoje, entre tantos outros funcionários normais de qualquer meio de comunicação: a) uma porção de militantes: que compõem a infantaria petista no jornalismo; b) colaboracionistas: que prestam o serviço de fazer propaganda do governo, não raro telepautados por "fontes" oficiosas e oficiais; e c) comentaristas ideológicos: que gostariam de ser dirigentes políticos e querem salvar o PT e o governo de si mesmos, sempre dando conselhos para que não cometam erros e se saiam bem.
Por que aconteceu isso com a Globo News não se sabe bem. Ao longo da história sempre tivemos meios de comunicação favoráveis a governos. Faz parte do jogo em qualquer democracia. O que há de novidade agora é que temos meios de comunicação (como a Globo News) que não estão apenas alinhados ao governo, mas que – para todos os efeitos práticos – objetivamente fazem parte do (sistema de governança do) governo.
Pode-se dizer que isso que a Globo News passou a fazer não é propriamente jornalismo. Ou que é o tipo de "jornalismo" praticado, por exemplo, em Angola ou em outras autocracias eleitorais. Mas por quê se vivemos numa democracia?
@goddek It is useless telling him. The spike proteins in his hippocampus have blocked what was left of his ability to critical thinking and cognition. He is lost.
Fernando Schüler, preciso como sempre 👇👏
Panóptico Topical
Fernando Schüler - Veja, 02/03/2024
"“Não tem cartazes?”, perguntou alguém, observando a manifestação de Bolsonaro, na Paulista. Não tinha. “Disseram que era pra não levar”, diz uma senhora, vestida de amarelo. Uma outra diz que o medo era que iriam “fotografar e anexar nos inquéritos”. Que teria um monte de agentes da política lendo cartaz por cartaz, vendo se não tinha algum “ataque” ao STF ou às urnas eletrônicas. Ou quem sabe algum apelo para a implantação de uma monarquia absolutista. Achei um delírio. O Brasil tem 47 000 homicídios por ano, primeiro do mundo. Alguém acha que nossas autoridades perderiam tempo xeretando cartazes, em um domingo de sol? Além disso somos um país que respeita a Constituição, e ela diz que “é livre a manifestação do pensamento”. Temos baita orgulho disso. De viver em uma grande democracia em que ninguém precisa ter medo de pegar sua canetinha hidrocor e escrever o que pensa em um papelão, num comício. Ou não é bem assim?
Naquele domingo também teve o rapaz português, o Sérgio Tavares, barrado no aeroporto. O sujeito chega de manhãzinha, aquela fila gigante para carimbar o passaporte, e o policial diz: “Me acompanhe”. Levam para uma salinha e passam duas horas fazendo perguntas sobre o que ele acha do Flávio Dino, das vacinas, do 8 de Janeiro. A PF diz que o problema era que o sujeito vinha atuar como jornalista, na manifestação, e não tinha visto de trabalho. Pois é. É só entrar no site do próprio governo e ler que “cidadãos da União Europeia que viajem ao Brasil para exercer atividade jornalística estão isentos de visto para estadas de até 90 dias”. O “90 dias” está até grifado, para facilitar a leitura. Uma parte da imprensa comprou a história, e muita gente ficou discutindo se ele era “jornalista” ou um “simples cidadão”. Achei divertido. Milhões de pessoas fazem lives, tuítam e tiktoqueiam, por aí, o dia inteiro, e o Estado brasileiro resolve parar logo aquele português, em Cumbica, para saber se ele acha mesmo que há uma “ditadura do Judiciário” ou algum problema com a “democracia” no Brasil? O problema não é o Tavares. Ele saiu meio assustado, daqui, foi recebido como herói, em Lisboa, e confirmou sua tese de que o Brasil virou um país esquisito.
O que deveria nos preocupar é o enorme iceberg abaixo de uma atitude como essa. Uma nota oficial tentou explicar que seria um “padrão” adotado na “maioria dos aeroportos internacionais”. Não é. Em quais aeroportos a polícia leva alguém para uma salinha para saber a opinião política do passageiro? Imaginem só. Você chega ao JFK, em Nova York, a polícia tranca você e pergunta: “Você criticou o juiz Clarence Thomas, da Suprema Corte, no seu Instagram?”. “Vai transmitir um comício do Trump, no TikTok?” É um pouco piada, isso. Só que não é. No interrogatório, foi dito que a ordem teria vindo de Brasília. De quem? Com base em que lei? Nos tornamos um país que monitora portugueses que opinam sobre política brasileira, na internet? Quem mais faz parte do nosso imenso panóptico tropical?
Muita gente talvez ache que fazer perguntas se tornou tão perigoso como levantar um cartaz na Paulista. E que é melhor ficar quieto. Não sei. O Brasil se tornou uma espécie de sapo na panela. Todo mundo conhece a história. Se você colocar o sapo direto na água muito quente ele dará um pulo e vai escapar. Mas se você esquentar aos poucos, ele vai se acostumando. Vai ficar lá e morrer queimado (por favor, não testem). O mesmo acontece com a infração a direitos. Há coisa de uma década e tanto derrubamos a lei de imprensa, proibimos censura a biografias e tínhamos um secreto orgulho do “cala-boca já morreu” da nossa democracia. Depois disso, fomos cedendo. Muita gente acha legal. Não só não vê problema numa abordagem como aquela, em Cumbica, como parece pensar que “saiu barato”. Que o sujeito deveria ter sido simplesmente “despachado” de volta, sabe-se lá com que base legal. Aliás, base legal virou um “incômodo”. Por vezes pergunto sobre isso, diante de algum ato de censura ou prisão, e sinto o constrangimento no ar. É o mesmo com a palavra “liberdade”, que estranhamente se tornou suspeita por aqui.
Nesta semana também me chamou a atenção a ação movida pelo Estado para fechar uma rádio, em São Paulo. A acusação é a costumeira. Há muita “desordem informacional”, há discursos radicais que podem incentivar ações violentas, como se viu na invasão do Capitólio ou em Brasília (no Chile, em 2019? na Bolívia, por agora?), de modo que é preciso impedir a “disseminação de conteúdos sem o mínimo respaldo na realidade”. As fake news, com seus “potenciais efeitos danosos para a compreensão de fatos relevantes pela população”. O que surpreende é a conversão de uma tese sociológica, sujeita a múltiplas interpretações, em mandamento jurídico. No caso, fechar uma rádio. Nesse movimento, a própria Constituição é devidamente “corrigida”. A um mandamento claro, no Artigo 5º, garantindo o direito ao “acesso à informação”, soma-se uma sutil restrição: “Tal garantia não deve ser interpretada como mero direito a ser receptor da expressão dos outros”, mas o direito a obter “conteúdos qualificados, o oposto de desinformação”. Sensacional. A Constituição não restringe o direito à informação a uma suposta “qualidade” ou “verdade” da informação. E muito menos diz que caberia ao Estado definir essas coisas. Nossos constituintes não fizeram essa delegação porque isso comprometeria o sentido mais elementar da liberdade de pensamento. A ideia simples de que ninguém deve viver em uma sociedade na qual seus direitos dependam de uma interpretação subjetiva de quem detém o poder.
A liberdade e o ruído perturbam. As pessoas erram e acertam, como erram e acertam as autoridades. Vem exatamente daí o porquê da sociedade de direitos. Dos limites. Dos freios e contrapesos. E é perturbador saber que agentes de Estado se dedicam a monitorar infinitas horas de conversas em rádios ou na internet para saber se uma opinião dita em alguma terça-feira do ano retrasado, no meio da tarde, era ou não verdadeira. Ou se aquele comentarista era ou não “habilitado” para falar sobre um assunto qualquer. Muita gente, no Brasil, parece pensar que seja esta a função do Estado. Temos um problema aí.
O caos informacional não é um fenômeno brasileiro. É uma marca da nossa época. Da revolução tecnológica que deu a milhões de pessoas o poder de se expressar e compartilhar informação. É o que o grande James Madison chamava de “animaversão”. O debate aceso, por vezes radical, que faz parte da natureza da vida republicana. É esse o mundo com o qual devemos aprender a viver. E é exatamente porque as pessoas andam mais engajadas e passionais que o Estado deve andar na direção oposta. Porque é da mais rigorosa imparcialidade que o Estado republicano extrai sua autoridade ética, nesta época barulhenta. É um valor aí do qual não deveríamos abrir mão."