Gente, vocês não têm noção de como dói ter ansiedade e ouvir "nossa, você não consegue ficar um dia bem?", "você tem que se esforçar pra ficar bem" como se fosse opcional se sentir tão mal. A mente é inimiga, não dá para mudar do dia para a noite, não é uma escolha.
Mais uma vez, a literatura pode nos ensinar muita coisa sobre a realidade.
No Conde de Monte Cristo, quando o protagonista chega a paris, encontra uma aristocracia de "novos ricos". O narrador ocupa-se com especial afinco em descrever a pompa dessas pessoas, o exagero.
Esse papo de “ah, mas o gênero é assim” é uma desculpa muito fraca que já cansou.
Thriller e terror não precisam ter personagem mulher mal escrita. Violência faz parte do gênero, misoginia não. Dá perfeitamente pra escrever histórias pesadas, cruéis e perturbadoras e ainda assim criar personagens femininas que tenham personalidade, vontade própria e alguma função além de sofrer, morrer ou servir para desenvolver um personagem homem.
E quando isso acontece uma vez, beleza. Quando começa a se repetir livro atrás de livro, é óbvio que as pessoas vão perceber um padrão e questionar.
Tem um monte de autor escrevendo histórias tão pesadas quanto sem cair nisso.
Então não, “é o gênero” não explica nada. São escolhas de quem escreve. E escolhas bem podem e devem ser criticadas.