Claudia Márcia Soares, a digníssima revoltada por ter de pagar pelo próprio carro e pela própria casa, passou para a inatividade em 2023. Trabalhou somente 19 anos como juíza, mas se aposentou com paridade e integralidade dos proventos
Em dezembro de 2025, recebeu R$ 128 mil brutos. Líquido deu... 128 mil também. Um cidadão normal, feito eu e você, que se aposentasse pelo teto do INSS, demoraria um ano e meio para ganhar o que Cláudia ganhou em um só mês
Em setembro de 2023, já aposentada, recebeu incríveis R$ 290 mil. Talvez por férias acumuladas, já que mesmo usufruindo de 30 dias, ela tem mais 30 para vender? Ou auxílio-moradia retroativo? Triênio? Quinquênio? Sei lá. Nós não sabemos e ela com certeza não vai explicar
Esse pessoal desperta meus instintos mais primitivos. Reis trabalham mais e custam menos. Claudia tem todo o direito de reclamar. E nós temos o dever de mandá-la para aquele lugar
Uma outra forma de visualizar isso.
O PIB per capita do Rio Grande do Norte é de R$30,8 mil. Já a arrecadação de ICMS do Estado gira em torno de 10% do PIB.
O que isso significa exatamente?
Que cerca de 600 potiguares saíram de casa todos os dias para trabalhar. E ao final de 1 ano, tudo que eles pagaram de imposto foi apenas para o bolso deste senhor ai.
600 pessoas.
Para sustentar 1 desembargador
Outra forma de de ver isso:
O RN tem 783 mil alunos na rede pública. Eles custam R$3,8 bilhões por ano.
Este querido senhor recebeu sozinho o mesmo que a verba para manter 370 alunos em sala de aula!
A verdade é que ninguém suporta o serviço público brasileiro. Nós ainda não saímos de 2013.
Ninguém se sente seguro na maior parte das nossas grandes cidades.
Se você está doente, e não pode ser atendido por um bom plano de saúde, arrisca morrer na fila do hospital.
Ninguém tem a ingenuidade de acreditar que as nossas escolas públicas estão formando bons alunos para o mercado de trabalho. Muitas das nossas escolas não passam de restaurantes populares infantis.
As nossas grandes cidades estão cada dia mais imundas, com as regiões centrais abandonadas, entregues às cracolândias, entupidas de moradores de rua. E quando você sai delas, boa parte das nossas estradas estão em estado de decomposição.
A classe política lida com todos esses problemas da pior forma possível – quando não recorrendo a cartões corporativos sigilosos, demandando uma lista interminável de benefícios, mamatas e negociatas.
O governo que aí está tem muito pouco a dizer sobre a melhoria dos serviços públicos, e muito a cobrar pelo sustento do estado brasileiro. E embora essa seja uma característica bastante presente na nossa história, não há mais sequer tentativa de sutileza.
Só um cínico culparia a população brasileira por desconfiar das intenções de Brasília.
Com dólar alto, inflação acima da meta, juros estratosféricos e salário sem aumento real, o Brasil não suporta mais carregar Brasília.
O problema do governo não é de comunicação. O problema é que as pessoas que governam o Brasil estão inteiramente descoladas da realidade.
O Brasil não é o Lago Sul.
O Brasil não é o evento do Gilmar Mendes em Portugal. Nem a palestra do Alexandre de Moraes em Nova York. Ou o artigo do Luís Roberto Barroso no Estadão.
O Brasil não é o palanque do Lula. Nem o deslumbramento da Janja. Ou o dedo em riste do Haddad chamando tudo de fake news.
Em 2013, 20 centavos colocaram fogo nesse país.
Vocês não esqueceram nada. Mas continuam sem ter aprendido.