@guilhermeloyola sim geralmente conteudo n eh mt bom kkk é mais pra vc se sentir parte de uma comunidade e acabar ajudando e sendo ajudado tbm. n funciona pra sociopatas
O vídeo da Amanda Vettorazzo prendendo o corruptor em plena véspera de eleição é uma peça que merece exame, não pelo que mostra, mas pela pergunta que ela mesma provoca em qualquer espectador atento. A coordenadora do MBL, vereadora há anos, produziu um flagrante com direção de arte de cinema, três ângulos, close no réu, enquadramento de sala, câmera oculta posicionada com precisão de estúdio, hashtag pronta, marca d'água convidando a seguir o perfil, e é justamente aí que a coisa não fecha, porque a realidade é tosca, desalinhada, mal iluminada, ela não chega com a fotografia certa e a legenda pronta, e quando um acontecimento surge redondo demais, ensaiado demais, iluminado demais, o que está diante dos olhos deixa de ter cara de flagrante e passa a ter cara de encenação, a distância exata que separa o documento do teatro. E some a isso a pergunta técnica que salta aos olhos e que nenhum missionário respondeu, por que um empresário ofereceria propina a uma vereadora por um contrato municipal, se o Legislativo não abre licitação, não julga licitação e não assina licitação, ou seja, a vantagem teria sido oferecida justamente a quem, pela natureza do cargo, nada podia entregar, e aqui o roteiro range no eixo, porque temos o corruptor mais desinformado da história oferecendo suborno à única autoridade incapaz de vendê-lo, diante de uma câmera que por milagre já estava ligada no ângulo perfeito, no mês perfeito, para o vídeo perfeito. Que fique registrado o que eu não afirmo, não digo que foi forjado, há boletim, há flagrante, há artigo do Código Penal, e se houve crime que o homem responda com todo o rigor, porque corruptor não merece a minha piedade nem a de ninguém. O que eu aponto é o conjunto, a coincidência do calendário, a produção cinematográfica da cena, a lógica furada do alvo, três estranhezas empilhadas que a inteligência honesta não engole inteiras, e que revelam o vício de fundo do movimento, o de transformar tudo em conteúdo, o de converter até uma prisão em anúncio de campanha, porque para essa gente a realidade nunca é um fim, é sempre matéria-prima de vídeo, e um partido que fabrica engajamento até de um processo penal já confessou qual é o seu verdadeiro ofício, não combater a corrupção, mas encená-la para a câmera, e no fim sobra a suspeita mais simples de todas, quem precisa atuar de honesto diante de três câmeras é porque aprendeu que a honestidade encenada rende mais likes do que a honestidade silenciosa, só que voto de verdade, ao contrário de visualização, não se conquista no corte, se conquista na confiança, e confiança é a única coisa que nenhuma câmera escondida consegue fabricar.