O confronto entre Jesus e os fariseus constitui um dos eixos dramáticos mais cortantes dos Evangelhos. Não se trata de mera querela teológica: Jesus os fustiga com uma violência verbal que ainda hoje espanta o leitor piedoso. Sepulcros caiados, raça de víboras, filhos do diabo, etc. As palavras do capítulo 8 de João ressoam como chicotadas. No entanto, o Jesus não atacava apenas homens de carne e osso; denunciava um sistema de aparência virtuosa, de poder disfarçado de santidade, de vaidade que se disfarça de devoção. O fariseu é aquele que busca o primeiro lugar na sinagoga para ser visto, que alarga as filactérias e alonga as franjas do manto, sempre preocupado com o efeito cênico da própria retidão.
O curioso é que o farisaísmo nasceu de uma intenção generosa. Surgiu como movimento popular que pretendia democratizar a santidade: não mais privilégio exclusivo dos sacerdotes do Templo, mas prática acessível a todo judeu devoto através do estudo da Torá e da observância rigorosa da Lei no cotidiano. O ideal era belo. A corrupção, no entanto, previsível. O que era meio tornou-se fim; o que era instrumento de elevação espiritual transformou-se em mecanismo de dominação e autoexaltação.
Daí a sentença devastadora de Mateus 23:23: eles dizimam a hortelã, o endro e o cominho, mas negligenciam “os preceitos mais graves da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”. Fidelidade, sim. Porque o fariseu é, acima de tudo, infiel ao espírito da própria Lei que brandia como arma. Criava fardos insuportáveis para os ombros do povo e, com habilidade casuística, encontrava frestas para si próprio. Considerava-se moralmente superior, isolava-se dos “pecadores” e dos impuros, isto é, de gente como você e como eu, temendo a contaminação. No entanto, vejam a hipocrisia: quando Jesus os confrontou com a adúltera, nenhum ousou atirar a primeira pedra. A pureza ostentada dissolveu-se diante da consciência culpada.
Transportemos o modelo para os nossos dias. O farisaísmo político é quase demasiado óbvio. Manifesta-se sempre que o governante ou o partido invoca a “letra fria da lei” para justificar a crueldade ou para blindar o sistema, ignorando o sofrimento concreto dos homens. É o discurso que corta benefício vital de populações vulneráveis citando parágrafo obscuro, esquecendo que a política, como a Lei, deve ter por fim último a justiça e a misericórdia.
Mais sutil, e por isso mais pernicioso, é o farisaísmo da sinalização de virtude: gestos públicos de retidão que encobrem cálculos mesquinhos. Exemplo recente e eloquente: soubemos que a ex-primeira-dama, diante das câmeras toda inflexível e pura, declarava não querer acordo algum com Ciro. Nos bastidores, porém, o acordo tornava-se possível caso uma “amiga” fosse acomodada no Senado. Se os fatos são esses, e tudo indica que sim, temos o farisaísmo em estado puro. Tal como os antigos, que não se misturavam com publicanos e meretrizes para não se contaminarem, mas eram incapazes de lançar a pedra quando colocados contra a parede. Criam-se testes de pureza ideológica (veja-se o último vídeo de Michelle) para inviabilizar o diálogo e destruir as pontes que a arte da política exige. Demoniza-se o impuro (Flávio Bolsonaro, no caso), ocupa-se o primeiro assento no templo e bate-se no peito com a segurança de quem nunca pecou. Até que alguém recorda a frase: “cede o lugar a este, que é mais importante”.
Se tudo isto lhes parece excessivamente bíblico, aguardem a transposição para o jornalismo contemporâneo. Aí o espetáculo torna-se ainda mais refinado e repulsivo. Mas isso fica para outra crônica. O farisaísmo, como se vê, não morreu no século I. Apenas trocou de roupa. Continua entre nós, pomposo, moralista e, no fundo, tão diabólico quanto antes.
@joao8_32_JB Fora a troca da equipe médica forçada por ela. Desde que o dr Macedo foi afastado e a nova equipe o submeteu àquela temerária cirurgia de 12h, a saúde do presidente piorou muito. Sem falar na alta que deram a ele, recém operado, sabendo que voltaria à prisão naquelas condições.
@Rickdant@BolsonaroSP Fora o fato de que Joaquim Silvério dos Reis NÃO foi enforcado. Além de ladrão e incitador de crime, o bebum é propagador de fake news
@FlavioBolsonaro@nikolas_dm Por onde ele anda espalhando a tal sabedoria? Como eu não sigo o muleke eu não sei, mas vejo comentários, bem fundamentados em fatos concretos, de que tá servindo não pra ajudar sua campanha (que acredito que vc nem precisa) mas pra prejudicar. Sabedoria, né? Então tá