#OFSA3 | 1T26 — resultado saiu. Vamos ao que importava.
Ontem listei alguns pontos para monitorar. Aqui está o que os números disseram:
Receita ✅
R$ 250,5mi. +32,1% vs 1T25.
O crescimento acelerou com animais de produção crescendo 40,6%, companhia 23,4%.
Margem bruta ✅
53,9% — alta de 5,4 p.p. vs 1T25.
Mix mais rico de produtos, com lançamentos de maior valor agregado ganhando tração, e ganhos de escala com a aceleração de receita. Animais de produção sozinhos expandiram 7,5 p.p. de margem bruta no trimestre.
Recebíveis ✅✅
Era o número que mais nos preocupava. Caíram de R$ 430mi para R$ 317mi em um único trimestre. O lucro virou caixa.
Dívida ✅
Dívida líquida de R$ 238mi para R$ 111mi. Alavancagem de 0,85x para 0,35x EBITDA. Em um trimestre.
Lucro líquido ✅
R$ 20,8mi ajustado. +902% vs 1T25.
Margem líquida de 8,3%, contra 1,1% um ano atrás.
FCF ✅✅
R$ 131mi de FCF no trimestre. O ano inteiro de 2025 gerou R$ 58mi. Em 90 dias a empresa entregou mais que o dobro, por conta própria, sem novas captações. Caixa subiu de R$ 251mi para R$ 401mi.
O que está puxando a receita: lançamentos próprios ganhando tração — Nexlaner, LeanVac, Glasser One e Wellpet. Suínos e aves cresceram 44,9% no trimestre. Mix mais rico, margem mais alta. O pipeline dos últimos anos começa a aparecer no resultado.
O que surpreendeu: a velocidade.
Parte da queda nos recebíveis tem sazonalidade, o 1T tende a ser mais favorável para conversão.
Mas sair de R$ 430mi (nível historicamente alto) para R$ 317mi em 90 dias, gerando R$ 131mi de FCF num único trimestre que supera o ano inteiro de 2025, isso vai além da estação.
Negocia hoje a ~R$ 33,50. 7,5x lucro LTM.
O múltiplo ainda não parece refletir o que a empresa está se tornando.
Meus maiores erros de portfólio aconteceram antes da análise quantitativa.
Eu abria o Excel, montava o DCF, calibrava a taxa de desconto, e esquecia de responder a pergunta mais básica:
O que é isso que eu estou comprando?
Não "quanto vale".
O que é.
Ontologia, em filosofia, é o estudo do ser. Do que as coisas realmente são, independente de como aparecem.
Aplicada a investimentos, a pergunta ontológica é:
Você classificou o ativo antes de analisá-lo?
Uma empresa cíclica tratada como compounder vai te decepcionar toda vez que o ciclo virar.
Um ativo de convexidade avaliado pelo retorno absoluto vai ser cortado na hora errada, normalmente quando mais importaria segurar.
A empresa que você classificou certo no passado pode não ser mais a mesma hoje.
E você ainda vai querer culpar o mercado.
Falo por experiência própria.
O valuation é uma consequência da ontologia, não o contrário.
O múltiplo "certo" depende do que a empresa é.
A taxa de desconto depende do que a empresa é.
O horizonte de tempo depende do que a empresa é.
Antes de perguntar quanto vale, pergunte o que é.
Essa é a pergunta que separa a carteira que funciona da que parece funcionar, até não funcionar mais.