As pré-vendas de Moana começaram fracas nos EUA.
O live-action estrelado por Dwayne Johnson estreia no início de julho e disputará bilheteria com Toy Story 5 e Minions & Monstros.
o filme foi o que eu esperava: com uma parte muito cômica, tem pouco peso dramático mas a animação nunca foi centrada totalmente nisso, comparar com thor é quase uma ofensa pra he-man
Mestres do Universo: voltei ao cinema e o filme é ainda mais problemático do que parecia
Fui ao cinema de novo ver Mestres do Universo. Às vezes uma segunda sessão muda a perspectiva — você relaxa das expectativas, entra no ritmo do filme e encontra coisas que passou batido na primeira vez. Com Mestres do Universo, aconteceu o contrário. O que na estreia parecia um blockbuster divertido com alguns problemas pontuais, na segunda sessão revelou ser um filme profundamente inseguro consigo mesmo — e essa insegurança contamina tudo.
O problema central não está nos efeitos visuais, que continuam impressionantes, nem no elenco, que faz o que pode com o material. O problema está no roteiro, que em nenhum momento tem coragem de bancar o que Mestres do Universo sempre foi: uma fantasia épica, cafona, exagerada e completamente assumida nesse exagero. Em vez disso, o filme passa duas horas fazendo piada de si mesmo antes que qualquer outra pessoa possa fazer — como se os roteiristas tivessem vergonha do material de origem e precisassem sinalizar ao público que eles também acham tudo aquilo ridículo.
O resultado é aquele efeito que ficou conhecido como a pior herança do modelo Marvel: sempre que uma cena começa a ganhar peso dramático real, uma piada aparece para esvaziar a tensão. Os heróis saem da cadeia em uma pose que imita os bonecos clássicos — um momento que poderia ser glorioso — e imediatamente começam a engasgar com a própria poeira. A cena se autodestrói antes de ter a chance de funcionar. Isso acontece repetidamente ao longo do filme, e na segunda sessão o padrão fica dolorosamente óbvio.
A questão dos nomes é outro sintoma da mesma doença. O roteiro inventa uma justificativa para explicar por que os personagens têm nomes como Fisto, Mandíbula e Mecaneck: foi o Adam quem os inventou quando criança, sem saber os nomes reais. É uma solução que tenta ser esperta mas entrega exatamente o oposto — revela que os roteiristas tinham vergonha dos nomes originais e precisaram criar uma desculpa narrativa em vez de simplesmente abraçá-los.
Nicholas Galitzine é um ponto de discussão que ficou mais claro para mim na revisita. A primeira transformação de Adam em He-Man é visualmente muito bem executada — musculatura, iluminação, o momento em si funciona. O problema é que a transformação é só física. A atitude não muda. He-Man continua sendo o mesmo paspalho inseguro do início, e em uma cena que me incomodou muito mais na segunda vez, ele tenta resolver um confronto com o exército de Mandíbula através de diálogo corporativo — justificando que trabalhou no RH na Terra. Um homem que viveu 15 anos sabendo que Esqueleto destruiu seu mundo e atacou seu pai, e a resposta dele ao reencontrar os vilões é propor uma conversa de mediação de conflitos. É difícil torcer por um protagonista que o próprio filme não leva a sério.
O Esqueleto de Jared Leto sofre de um problema parecido. Ele tem os discursos teatrais, tem as risadas clássicas — mas o filme imediatamente corta para os próprios capangas dele virando os olhos de tédio. A ameaça é construída e desmontada pelo roteiro antes que o espectador possa senti-la. E a Maligna, que no desenho original era uma segunda em comando genuinamente perigosa, aqui passa o filme inteiro achando o Esqueleto um panaca e não serve para praticamente nada na trama. Dois vilões desperdiçados no mesmo filme é um feito e tanto.
Os furos de roteiro, que na primeira sessão eu relevei pelo ritmo, ficam mais visíveis com a distância. O Esqueleto dominou Eternia por 15 anos e deixou um núcleo de resistência intocado numa caverna — mas assim que a nave de Teela passa pelo local, ele a encontra instantaneamente. A Feiticeira diz que a Espada do Poder é o caminho de Adam de volta para casa, mas o filme revela depois que o poder real sempre esteve dentro dele e que a espada não servia para nada. O clímax final com o Esqueleto é resolvido com socos em câmera lenta e caretas. Para um filme com 170 a 200 milhões de dólares de orçamento, o confronto final é desconcertantemente preguiçoso.
O contraponto positivo que fica intacto na revisita é Camila Mendes como Teela. Ela é durona, focada, carrega senso de responsabilidade e age exatamente como o protagonista deveria agir — é ela quem sustenta a credibilidade dramática do filme nos momentos em que o Adam não consegue. Idris Elba como Mentor também entrega, dentro do espaço que o roteiro dá a ele. E o começo do filme em Eternia ainda é visualmente bonito, com efeitos e ambientação superiores ao que os trailers preparavam.
Mas a comparação que me ficou mais forte saindo da segunda sessão foi com Mortal Kombat 2, que está em cartaz no mesmo período. Os dois são filmes baseados em propriedades nostálgicas dos anos 80 e 90, com roteiros simples e tom assumidamente popular. A diferença é que Mortal Kombat 2 abraça suas raízes sem sentir vergonha — funciona porque acredita no que é. Mestres do Universo passa o filme inteiro tentando se distanciar ironicamente do próprio material, e paga o preço narrativo por isso.
A nota continua a mesma. Mas a segunda sessão tirou qualquer dúvida que ainda havia sobre o filme.
Nota: 5/10
pra ver o quanto as pessoas diferem no gosto por terror, eu prefiro uma boa farofa de terror com espírito do que esses de terror psicológico que estão lançando ultimamente
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