Alexandre de Moraes acaba de ser sorteado relator de uma ação que pede ao STF justamente a liberação dos registros de entrada de sua própria esposa, Viviane Barci de Moraes, e de Daniel Vorcaro no Senado.
Sim: o ministro poderá decidir sobre a divulgação de informações que envolvem diretamente sua mulher e o banqueiro cujo Banco Master manteve contrato milionário com o escritório dela.
O pedido é do vereador Guilherme Kilter (Novo), após o Senado negar três solicitações pela Lei de Acesso à Informação. A justificativa seria que os registros seriam “informações de caráter pessoal”. Além de Viviane e Vorcaro, aparecem Lulinha, Careca do INSS, Frei Chico e outros nomes. Como Davi Alcolumbre foi apontado como responsável pela negativa, o processo terminou no Supremo.
O contrato entre o Master e o escritório Barci de Moraes previa R$ 131 milhões, em 36 parcelas de R$ 3,6 milhões. Dados da Receita apontaram R$ 80,2 milhões declarados em repasses entre 2024 e 2025. A minuta previa consultoria perante PF, Banco Central, Receita e Cade.
E tem mais.
Metadados do documento mostraram alterações feitas por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou que Moraes teve acesso à minuta antes da assinatura para verificar possíveis impedimentos legais.
Agora, o mesmo ministro foi sorteado para analisar a abertura dos registros da própria esposa e de Vorcaro.
A distribuição foi por sorteio e Moraes ainda não decidiu nada.
É absolutamente constrangedor; a esta altura, o problema já não é Moraes julgar uma ação que envolve a própria esposa, é Moraes continuar julgando qualquer coisa. Sua legitimidade como juiz foi para o ralo diante de tudo o que veio à tona sem o escrutínio institucional que a gravidade dos fatos exigia. Seu próprio Supremo preferiu não enfrentar o problema; e agora seu nome continua no sistema, sorteado para julgar justamente um processo que alcança sua mulher.
É o retrato de uma Corte que jogou a própria credibilidade no lixo.
Durante meses, documentos, mensagens e registros de voo colocaram sob escrutínio a relação entre Alexandre de Moraes, sua família e estruturas empresariais ligadas a Daniel Vorcaro. O gabinete do ministro chamou as informações de “ilações” de uma “fantasiosa matéria” e afirmou que Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.
Neste domingo, 20 de setembro, Lauro Jardim, de O Globo, revelou o que faltava nessa história: o vídeo.
As imagens mostram Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em 22 de agosto de 2025, de um Legacy 650, prefixo PP-NLR, aeronave ligada à estrutura empresarial de Vorcaro.
Na véspera desse voo, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal, Vorcaro recebeu a informação de que justamente o PP-NLR seria utilizado por “Barci”. A orientação atribuída ao banqueiro foi: “Não deixe de atender Barci.”
No dia seguinte, Moraes e Viviane aparecem descendo daquela aeronave.
Mensagens anteriores recuperadas pela PF já indicavam que o casal utilizava aviões e helicópteros administrados pela PrimeYou. Em julho de 2025, ao perguntar se “eles” estavam usando as aeronaves, Vorcaro recebeu a confirmação de que sim.
Agora existe uma imagem concreta que desmente publicamente a versão falaciosa de Moraes.
Até quando Alexandre de Moraes continuará sustentando diante do Brasil uma versão mentirosa onde as próprias imagens o desmentem? Por quanto tempo um ministro cercado por contradições dessa magnitude continuará sentado na cadeira de quem julga, investiga e impõe respostas aos outros sem oferecer respostas igualmente claras sobre si mesmo? Alexandre de Moraes deve ser afastado e investigado imediatamente.
Na fatídica terça-feira, Paulo Gonet aproveitou o plenário do STF para negar qualquer relação de proximidade com Daniel Vorcaro. Disse que o único momento em que esteve próximo do banqueiro ocorreu em abril de 2024, na presença de várias autoridades. Também mencionou uma ligação telefônica intermediada por um advogado, descrita por ele como “breve e banal”.
Quatro dias depois, eis que surge uma foto que derruba a narrativa falaciosa de Gonet.
Uma fotografia extraída pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostra Gonet sentado à mesma mesa do banqueiro no George Club, em Londres, em 25 de abril de 2024, numa noite de charutos e uísque. A PGR confirmou que a imagem é daquele evento.
Nas mensagens extraídas do aparelho, o advogado Ciro Soares aparece fazendo a interlocução entre os dois. Há referências atribuídas a Gonet, convites, uma ligação e até conversas sobre uma nova viagem a Londres. Gonet nega amizade ou relação de proximidade com Vorcaro.
E é justamente aqui que outra declaração ganha peso quando juntamos as peças deste quebra-cabeça.
Vorcaro afirmou, no início deste mês, ao gabinete de Mendonça, que tinha “muito a relatar”, mas que não queriam ouvi-lo. Ao mesmo tempo, integrantes da PF, comandada por Andrei Rodrigues, e da PGR, chefiada por Gonet, sustentaram que tentativas anteriores de colaboração não apresentavam elementos novos suficientes para justificar um acordo de delação.
Quem avaliou que Vorcaro não tinha nada suficientemente novo a contar aparece no material que veio à tona.
O “ninguém quer me ouvir” de Daniel Vorcaro acaba de ganhar um contexto impossível de ignorar.
ATENÇÃO:
A filha do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, trabalha como estagiária no gabinete do ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal (STF).
É assim que o sistema se mantém, com todos juntos e misturados.
Vaza a foto de Paulo Gonet, fumando charuto e tomando Whisky Macallan com Vorcaro.
Três dias atrás, em pleno STF, Gonet negou “proximidade” com Vorcaro. Tá explicado o motivo dele ter ido ao STF defender seus amiguinhos.
Mooska.
O Brasil assistiu nesta terça feira a uma cena que nenhuma faculdade de direito tem coragem de ensinar: o investigado sentou na cadeira, vestiu a toga, tomou o microfone e votou para decidir como a sua própria investigação seria conduzida.
E ninguém na mesa teve coragem de dizer o óbvio: acabou a liturgia.
O tribunal virou sindicato de defesa mútua.
Não estamos falando de hermenêutica nem de divergência processual.
O Código de Processo Penal diz, em português claro no artigo 252, que juiz não vota em processo em que tem interesse direto. Não precisa de sentença, de condenação ou de certidão de trânsito em julgado.
A regra existe para impedir que o lobo cuide da cerca do galinheiro.
Pois Alexandre de Moraes votou. Votou para jogar o seu caso num caldeirão com o de André Mendonça, embolar as provas do Banco Master e criar o tumulto que prepara o futuro arquivamento.
Enquanto isso, a cena nos gabinetes era de pura terra arrasada:
Paulo Gonet, o chefe supremo da acusação que deveria defender a sociedade, foi flagrado nas teias de Daniel Vorcaro.
O que ele faz? Não se afasta. Pede a anulação do relatório da Polícia Federal que o cita.
O fiscal da lei virou apagador de incêndio do próprio rastro.
Edson Fachin, que chamou os processos para si para posar de grande condutor da corte, foi engolido vivo pela tropa de choque de Moraes e Dino.
Sem voz, sem comando e sem autoridade, reduziu a presidência do Supremo a uma plateia assustada.
Cármen Lúcia, que há anos vende a imagem de vestal da moralidade republicana, só teve coragem de votar quando Flávio Dino já havia puxado o freio de emergência da vista.
Votou quatro a quatro no papel, pediu desculpas constrangida para as câmeras e lavou as mãos.
Um teatro de lágrimas para salvar a biografia enquanto o edifício queima.
E Flávio Dino, com a frieza de quem domina a máquina política, meteu a mão no artigo 134 e trancou o processo por noventa dias.
Vista não é estudo: é anestesia.
Três meses é o tempo exato para a eleição passar, a poeira assentar e o acordão ser costurado nas sombras.
Mas nada disso teria funcionado sem o homem que puxou o pino da granada.
A derrota do dia 15 de setembro tem dono: Cássio Nunes Marques.
Nunes Marques inventou a desculpa mais ridícula do ano judiciário: alegou que presidir o TSE criava desconforto para votar no STF.
Mentira deslavada.
A Constituição manda expressamente que o presidente da corte eleitoral seja um ministro do Supremo.
Nunes Marques fugiu pela porta dos fundos por um único motivo: pavor.
Bastou vazarem mensagens citando o filho dele, Kevin Marques, e contratos suspeitos com o banco de Vorcaro, para o ministro capitular de joelhos.
O recado de Moraes e de seus operadores de bastidor foi dado: ou você corre da sala, ou o seu filho vai para o moedor da imprensa.
Cássio correu. Entregou a maioria de bandeja para a ala da blindagem e traiu o próprio juramento constitucional para salvar a própria família.
A chantagem só funciona com quem tem o rabo preso.
E aqui reside o perigo real que a República se recusa a enxergar:
Se Cássio Nunes Marques não teve coluna vertebral para suportar um vazamento de WhatsApp em uma terça feira de julgamento interno, como esse mesmo homem vai garantir a lisura, a soberania e a segurança da eleição presidencial do país daqui a poucas semanas?
Um presidente de tribunal eleitoral chantageável é uma arma apontada para o coração das urnas.
A Constituição não foi rasgada pela oposição.
Ela foi executada em plenário por magistrados que colocaram o medo e o próprio bolso acima do Brasil.
Zumm...
Se gilmar, zanin e flavio dino salvarem o Alexandre, estarão elegendo o Flavio e a maioria absoluta no senado.
Os petistas estao preocupados com isso aqui no X.
Min. Nunes Marques, que chegou ao cargo de ministro do STF por indicação do Ex-Presidente Bolsonaro, se declara "impedido" de votar contra investigação do maior algoz de Jair Bolsonaro.
- O que voce pensa sobre o Min. Nunes ?
Hoje, não se esqueçam: Lula é Moraes, Moraes é Lula. Foram anos de uma relação de defesa pública, jantares, condecoração, apoio e articulações. Quando a verdade sobre Moraes vem à tona, Lula finge distância. Mas ele não engana mais ninguém! O vínculo entre os dois está posto, é público e notório.
Hoje, não se esqueçam: Lula é Moraes, Moraes é Lula. Foram anos de uma relação de defesa pública, jantares, condecoração, apoio e articulações. Quando a verdade sobre Moraes vem à tona, Lula finge distância. Mas ele não engana mais ninguém! O vínculo entre os dois está posto, é público e notório.
O STF amanheceu sitiado nesta terça-feira, 15 de setembro: tropa de choque, cães farejadores, viaturas e sistema antidrones reforçam a segurança no dia em que o Plenário decide se deve avançar a apuração sobre Alexandre de Moraes e sua relação com Daniel Vorcaro.
A cena resume a crise - uma Corte cercada por aparato de guerra para decidir se investiga um dos seus próprios ministros.