@HelkeinFilo De fato! Esse mês vi um curso de Kant que ele ministrou e estou lendo o “A Filosofia a partir de seus problemas”. É uma capacidade de síntese muito boa.
Não há filósofo jovem. O que pode acontecer é o pendor filosófico manifestar-se desde a juventude, mas sempre se tratará de uma vocação que leva anos de maturação e estudo para cumprir-se efetivamente. Daí insinuar Platão, com toda sabedoria prática, que não se é filósofo antes dos 50 anos. [...] além de passar por várias etapas propedêuticas, o aspirante a filósofo precisa saber o que de mais importante se pensou e se produziu a respeito das questões fundamentais — ou seja, ter uma visão crítica de toda a história da filosofia, até ele.
Uma das raríssimas exceções à regra foi Santo Tomás de Aquino, que com menos de 27 anos já tinha em seu currículo obras-primas filosóficas — como os opúsculos De Ente et Essentia e De Principiis Naturae, assim como boa parte de sua Expositio super libros Sententiarum. E, aos 49 anos, quando muitos filósofos estão começando a escrever coisas que realmente valham a pena ler, o Aquinate morria e nos deixava como legado uma sabedoria arquitetônica colossal. Mas não tomemos o extraordinário pelo ordinário: o fato é que o exercício da filosofia em nível de excelência requer formação progressiva ao longo de décadas e disciplina espartana, sem o que certamente muito da vocação filosófica se perde no meio do caminho.
Essa disciplina é uma espécie de ordálio de fogo por meio do qual a alma vai desapegando-se das paixões e se abrindo ao influxo de formas inteligíveis cada vez mais universais, que abarcam em si inúmeros aspectos do real. Noutras palavras: com cada vez menos pensamentos o filósofo vai tornando-se capaz de compreender mais coisas, contemplar a imensa complexidade da realidade com olhar unificador. Assim, após adestrar-se no caminho do múltiplo ao uno, por um procedimento que os escolásticos chamavam de compositio (análise), pelo qual se buscam conhecer as causas pelos efeitos, o filósofo acaba por adquirir uma visão de tudo à luz dos princípios, ou seja, conhecer os efeitos a partir das causas mais universais (síntese = resolutio), logrando uma visão sinóptica da ordem do ser — que parte de Deus, Causa Causarum, e a Ele retorna. Exitus e reditus.
Sidney Silveira – Cosmogonia da Desordem p.149-150
Se eu tivesse notícia do cristianismo apenas por esse evangelicalismo, provavelmente me tornaria neoplatônico ou budista mahayana – a depender se venceria em mim a tendência ao idealismo objetivo ou ao idealismo subjetivo. Aliás, isso é um ponto central: o catolicismo, enquanto Analogia Incarnationis, dos sacramentos à liturgia e à dogmática, é a maior salvaguarda do realismo. Os outros sistemas religiosos tendem para os extremos do nominalismo ou do idealismo.
Hoje é aniversário de falecimento de Cornelio Fabro, um dos maiores pensadores da história recente.
Fabro foi central para o autêntico ressourcement do tomismo contemporâneo mediante a renovação da metafísica, da antropologia e da teoria do conhecimento a partir do diálogo entre a obra de Santo Tomás e os grandes debates modernos.
Pensador claro, profundo e original, sua obra conta com mais de 40 volumes filosóficos, teológicos e espirituais de altíssima relevância. Tudo indica que também foi um santo sacerdote.
Trata-se, realmente, de um farol a iluminar o pensamento cristão nestes tempos em que carecemos tanto de referências que transmitam a unidade entre vida intelectual, ortodoxia doutrinal e santidade de vida.
@PChFrr Le pido su bendición, padre. Disculpe que responda a este tuit sin contexto y de forma precipitada.
Le envié un mensaje privado pidiéndole ayuda para una investigación sobre el padre Fabro.
Si no le supone una molestia, ¡su respuesta me sería de gran ayuda! Gracias.
Pessoal, uma palavrinha com vocês:
Eu andei falando bastante, nos últimos tempos, sobre amadurecimento e iniciação masculina. E tem um ponto que, quanto mais eu observo, mais me parece central: homem nenhum amadurece sozinho. A gente vive numa época em que o sujeito cumpre todas as suas responsabilidades — trabalha, sustenta a casa, tenta ser um bom pai, um bom marido — mas faz isso de maneira muito isolada, muito reativa, sem fraternidade real, sem mestres, sem um ambiente que dê forma e direção a esse esforço. No fim das contas, muita gente está funcionando bem por fora, mas por dentro sente que falta unidade, sentido, falta uma narrativa mais consistente da própria vida.
Foi pensando nisso que eu decidi finalmente tirar do papel um projeto que já vinha maturando há um bom tempo: a Grande Obra. A ideia aqui é organizar um processo de formação mesmo. Um caminho estruturado de amadurecimento, baseado no que eu venho chamando de Método Anagógico — que, em termos simples, é um trabalho de retificação da visão de mundo, compreensão da própria circunstância e integração prática dos arquétipos masculinos (Guerreiro, Amante, Mago e Rei). A gente vai trabalhar isso de forma contínua, com encontros semanais ao longo de um ano, combinando aulas mais conceituais (psicologia, simbolismo, etc.) com sessões em grupo, onde vamos analisar situações reais e tentar dar forma concreta a esses problemas.
Além disso, tem um ponto que pra mim é essencial: isso aqui não funciona sem convivência. Por isso, a ideia é que, junto com os encontros, a gente forme também uma rede de relações — grupo fechado, troca constante, leitura, discussão — algo que se aproxime minimamente de uma fraternidade de formação, que hoje praticamente não existe mais. Pra quem fizer a inscrição até o dia 13/04, eu vou incluir também dois cursos como base inicial: um sobre a psicologia do Paul Diel e outro sobre os arquétipos (Dragon Energy). O acesso fica por R$ 977 à vista ou 12x de R$ 101,04. Quem quiser entrar ou ver os detalhes, pode acessar por aqui:
https://t.co/x3PtCA2EG2
Se tiverem qualquer dúvida sobre a dinâmica das aulas ou sobre o conteúdo, podem chamar no zap.
Forte abraço!