Flávio, tô aqui no Rio perto da tua casa. Bora parar num bar e fazer um debate de boa, X1, eu não falo de escândalos, tratamos apenas de propostas, xingamos juntos o PT. Se me derrotar eu tiro minha candidatura e declaro apoio a você.
Ontem acabou minha estadia na Ucrânia, já me encontro na Polônia, e algumas coisas precisam ser ditas.
Entrar no Palácio de Mariyinsky e ver como um presidente trabalha em meio à uma guerra foi uma oportunidade única. Muita coisa não pode ser dita por questões de segurança, mas o nível de segurança ali dentro é algo que eu nunca vi.
Na entrevista com Zelensky, absolutamente nenhum tópico foi censurado ou proibido. Podia-se perguntar absolutamente tudo. Mesmo com autoridades no Brasil, nem sempre isso é comum. Zelensky também não parece ser brifado, todas as respostas saem da cabeça dele, goste-se ou não. Foi, de fato, uma conversa.
E essa foi a principal questão pra mim: Absolutamente nada foi censurado, nada foi proibido no sentido de conteúdo. Nossa única restrição era mostrar deslocamentos militares e instalações militares. Em uma situação de guerra, é mais do que compreensível.
Outras autoridades do primeiro escalão do governo têm muito interesse no Brasil. Perguntam muito sobre a gente, sobre os nossos governantes, tentam entender algumas coisas. Mais de uma vez eu tive que explicar que existem posicionamentos que nem os brasileiros entendem.
O contato com jornalistas internacionais também foi muito importante. A visão sobre o Brasil aqui fora é opaca, pra dizer o mínimo. Mesmo colegas latino-americanos estão assustados com avanços contra a liberdade de expressão no Brasil. Especialmente, o posicionamento do nosso governo sobre o que acontece na Venezuela está machucando a nossa imagem.
Ir próximo à fronteira com Rússia e Belarus foi marcante. Você não precisa ir até o front para sentir a guerra. Mesmo em Kyiv, com uma defesa aérea mais robusta, cada sirene de ataque aéreo é uma lembrança de que Vladimir Putin está tentando bombardear a região em que você se encontra. E se você morrer, ele não vai se importar muito. E os ucranianos convivem com isso todos os dias. Há mais de 900 dias.
E mesmo nessa situação absurda, o povo ucraniano é tão acolhedor que me lembrou o brasileiro. Eles são gratos por cada um disposto a ir a uma zona de guerra e mostrar o que acontece. Simplesmente mostrar o que acontece. Os fatos falam por si. E eles falam muito alto.
Foi cansativo, não nego. Mas também valeu a pena.
Deixando aqui meu agradecimento especial ao Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, ao Metrópoles e ao Junio Silva pelo apoio fundamental que me deu direto do Brasil.
Agradeço também a compreensão da @savmorais. Não seria possível sem você.
Tem outra cobertura internacional pela frente e eu sugiro, como sempre, que vocês sigam acompanhando tudo no @metropoles.
Ontem acabou minha estadia na Ucrânia, já me encontro na Polônia, e algumas coisas precisam ser ditas.
Entrar no Palácio de Mariyinsky e ver como um presidente trabalha em meio à uma guerra foi uma oportunidade única. Muita coisa não pode ser dita por questões de segurança, mas o nível de segurança ali dentro é algo que eu nunca vi.
Na entrevista com Zelensky, absolutamente nenhum tópico foi censurado ou proibido. Podia-se perguntar absolutamente tudo. Mesmo com autoridades no Brasil, nem sempre isso é comum. Zelensky também não parece ser brifado, todas as respostas saem da cabeça dele, goste-se ou não. Foi, de fato, uma conversa.
E essa foi a principal questão pra mim: Absolutamente nada foi censurado, nada foi proibido no sentido de conteúdo. Nossa única restrição era mostrar deslocamentos militares e instalações militares. Em uma situação de guerra, é mais do que compreensível.
Outras autoridades do primeiro escalão do governo têm muito interesse no Brasil. Perguntam muito sobre a gente, sobre os nossos governantes, tentam entender algumas coisas. Mais de uma vez eu tive que explicar que existem posicionamentos que nem os brasileiros entendem.
O contato com jornalistas internacionais também foi muito importante. A visão sobre o Brasil aqui fora é opaca, pra dizer o mínimo. Mesmo colegas latino-americanos estão assustados com avanços contra a liberdade de expressão no Brasil. Especialmente, o posicionamento do nosso governo sobre o que acontece na Venezuela está machucando a nossa imagem.
Ir próximo à fronteira com Rússia e Belarus foi marcante. Você não precisa ir até o front para sentir a guerra. Mesmo em Kyiv, com uma defesa aérea mais robusta, cada sirene de ataque aéreo é uma lembrança de que Vladimir Putin está tentando bombardear a região em que você se encontra. E se você morrer, ele não vai se importar muito. E os ucranianos convivem com isso todos os dias. Há mais de 900 dias.
E mesmo nessa situação absurda, o povo ucraniano é tão acolhedor que me lembrou o brasileiro. Eles são gratos por cada um disposto a ir a uma zona de guerra e mostrar o que acontece. Simplesmente mostrar o que acontece. Os fatos falam por si. E eles falam muito alto.
Foi cansativo, não nego. Mas também valeu a pena.
Deixando aqui meu agradecimento especial ao Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, ao Metrópoles e ao Junio Silva pelo apoio fundamental que me deu direto do Brasil.
Agradeço também a compreensão da @savmorais. Não seria possível sem você.
Tem outra cobertura internacional pela frente e eu sugiro, como sempre, que vocês sigam acompanhando tudo no @metropoles.