É fascinante a capacidade da GloboNews de transmitir direto da Noruega sem sair do Jardim Botânico. O figurino mental é Gucci, a maquiagem institucional é Chanel e o país diante delas parece uma democracia escandinava onde o cidadão deposita a bicicleta na calçada e o Supremo funciona como relógio suíço.
Daí Julia Duailibi explica que “o brasileiro é pacífico”. Qual brasileiro? O Brasil teve 52.391 homicídios estimados em 2022. Talvez seja pacífico o Brasil que chega de carro blindado, passa pela portaria, sobe pelo elevador privativo e discute violência depois que a produção retoca o pó.
O mesmo acontece com a “decisão judicial você cumpre e recorre”. É a descrição do Estado de Direito na apostila. Só falta explicar o que acontece quando a própria discussão é justamente sobre os limites de quem decide, sobre competência, abuso e ausência prática de instância capaz de conter quem está no topo da pirâmide.
Esse é o vício dessa elite jornalística: confundir o Brasil protegido em que vive com o Brasil sobre o qual fala. Renan pode estar certo ou errado sobre bomba atômica, STF ou qualquer outra coisa. Mas, antes de diagnosticar o candidato como perigoso, talvez fosse interessante conferir se o país pacífico, moderado e institucionalmente exemplar da bancada existe fora do estúdio.
Seria a Noruega?
Não. É o Brasil com maquiagem Chanel.
@Ia_li_lu_le_lo @LipGFZ @paulbatistta tentei com um que fazia isso, disse que nao tem como mais. o ali aumentou rigidez na fiscalização com isso la na china