Se a @GloboNews - com profissionais que eu respeito - fizesse uma autocrítica completa do desastre do power point e corrigisse o gráfico com os verdadeiros associados ao banqueiro, eu cogitaria voltar a ser assinante.
Está tudo muito estranho no Brasil.
Metade do país prefere o retorno de quem fez o desemprego e inflação subir só para tirar quem fez esses índices baixarem.
Essa mesma metade do país quer a volta da fila do osso só para tirar do poder quem reduziu a desigualdade e levou o Brasil ao menor índice de desemprego da história.
Dá para acreditar que metade do país prefere tirar do poder quem quer acabar com a escala 6x1 para trazer de volta quem tirou os seus direitos trabalhistas? Como essa metade do país está insatisfeita com quem zerou o imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e trazer de volta quem tinha um governo com o ministro que reclamava de empregada doméstica na Disney?
Tem algo muito estranho nesse país!
"A falcatrua em curso é a seguinte: diluir a fronteira entre as críticas bolsonaristas e as críticas republicanas ao STF, ao mesmo tempo em que se esconde do público a informação de que quase todos os envolvidos no escândalo do Master são de direita."
https://t.co/doElIWxs82
Eu tento formular um jeito de explicar didaticamente como o agro está comendo a riqueza do Brasil e mandando para a Europa e EUA, é difícil mas uma hora consigo.
Se todos souberem que esse setor não é o que se vende, tudo mudaria.
28 milhões de brasileiros trabalham no setor do agro, ele compra maquinário majoritariamente dos EUA, mas poderia usar parte do investimento voluptuoso do governo brasileiro e investir na fabricação própria de maquinários e inclusive vender depois.
Mas se fizer isso ele terá que criar uma indústria, ela irá competir com os EUA, os EUA também financiam o agro brasileiro, os insumos são importados por multinacionais que n��o são brasileiras.
O agro paga patente, compra maquinário do exterior que entra sem pagar imposto, afinal de contas é "investimento" só que eles compram com dinheiro público.
No final o lucro pra ficar baixo eles precisam precarizar a mão de obra.
Salários baixos e muitas vezes análogos à escravidão.
Se fizer reforma agrária isso acaba, mas como o agro detém os funcionários ele ficaria sem funcionários, concorrência direta.
Então ele impede por isso.
E impede a fabricação de maquinário no Brasil porque também levaria seus funcionários/escravizados.
É o mais do mesmo, o Brasil colônia vem do agro, o império caiu, a democracia emergiu, mas o agro continua manipulando o mesmo sistema, mantendo o Brasil num eterno ciclo de subdesenvolvimento porque a riqueza não está sendo investida no Brasil, está abastecendo o lucro de empresas dos EUA e da Europa.
E ainda tem a questão dos preços das commodities que são definidos pelas bolsas dos EUA, e eles manipulam de vários meios para manter sempre baixo.
O comprador define o preço, o comprador te vende o maquinário, o comprador fica com tudo praticamente de graça e o que sobra não dá nem pra pagar um salário digno, e no final quem tá pagando esse salário indigno e mantendo a margem de lucro do agro, é o povo brasileiro que paga imposto e o governo mantém o fluxo desse imposto para o agro.
Deveria estar indo para faculdades, hospitais, ferrovias, portos, INDUSTRIA, mas não sobra, ou os lordes do agro não terão como viajar para a Flórida e torrar o resto do dinheiro novamente no solo de outra nação.
Mano, é impressionante, tipo 50% do que nós produzimos de riqueza não fica aqui para ser investido, vai para bancar os avanços tecnológicos e de maquinários dos EUA e Europa.
Você não pode olhar o valor do PIB como de fosse dinheiro no caixa, ele é um fluxo continuo e um desvio enorme é feito para os EUA e Europa ao longo do ano.
No final aparece 12 trilhões de reais de PIB mas desses só 6 trilhões circularam aqui, o restantes fica circulando lá fora, sendo investido lá fora.
É como se o Brasil fosse uma estrela sendo sugada por um buraco negro.
Por isso é chamado de sistema imperialista colonial, o nomenclatura não se usa muito, mas o modus operandi é o mesmo da época colonial quando enviamos tudo para Portugal e fic��vamos com o mínimo para bancar a comida dos escravizados e o luxo da pequena elite.
Exemplo didático do tipo de jornalismo que temos hoje. No decorrer da pergunta, ele foi corrigindo. Como o Lula é muito esperto, já deu uma para colocá-lo em seu devido lugar.
Dito isso, vivemos uma época muito ruim, pois os jornalistas não querem mais praticar a profissão. Preferem agradar sua tribo. Um horror.
🚨 ALERTA DE TERRORISMO 🚨
O que o jornalista Eduardo Oinegue Fulfaro com sobrenome nada brasileiro está fazendo, é TERROISMO SOCIAL E ECONÔMICO.
Ele não tem como sustentar o que ele falou com dados, é puro suco de ódio ao povo brasileiro, ódio à vida alheia, prazer no sofrimento, prazer em saber que poucos que podem ter o privilégio de viver.
Os nobres, não os colonos.
Eu fiquei com vontade de ofender com os piores adjetivos esse "jornalista" que acha que somos yankees, mas o "jurídico" me impediu. 🤬
Acha que somos um centro de poder que concentra riqueza.
Os EUA não produzem, eles vivem de dívida bancada por outros países.
Pelo amor Deus, não dá pra comparar com o Brasil em nada.
Inclusive parte das riquezas do mundo que bancam os EUA, saem do Brasil e não retornam.
Esses elitistas descendentes de europeus que vivem das benesses de se colocaram acima do povo, como se fossem castas superiores, ou melhor, castas SUPREMACISTAS, são o mal do Brasil e do brasileiro porque eles não se consideram parte dessa massa, para eles é só uma massa e ela pode ser espremida até pingar a última gota de sangue.
Eles não tem empatia, viraram demônios ambulantes devoradores de gente, só pensam em dinheiro, não enxergam humanos vivendo em sofrimento.
Isso porque eles não vêem humanidade nos brasileiros, se não tem humanidade então mainha sofrimento.
Vou citar meu querido Yeshua.
"Você não pode seguir dois senhores ao mesmo tempo... Ou segue a Deus "Vida" ou segue Mamon "Dinheiro".
Eles escolherem seguir o demônio Mamon, "Time is Money 🫡🇺🇸".
Mas tempo não é dinheiro, dinheiro é instrumento da vida para que ela seja mais fácil e ganhe tempo para poder ser vivida na sua plenitude.
TEMPO É VIDA.
E esses delinquentes querem comer a vida das pessoas para poderem ganhar tempo nas deles.
Às vezes eu penso que só França 1789 é a solução para o Brasil.
Espero estar enganado.
Vale lembrar que:
Há mais de uma década, entre 2014 e 2015, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, propôs um ambicioso programa de enterramento da rede elétrica aérea. A iniciativa visava modernizar a distribuição de energia, reduzindo drasticamente as quedas causadas por ventos fortes, chuvas e quedas de árvores.
O projeto foi barrado na Justiça pela concessionária e nunca saiu do papel. Anos depois, com a Enel privatizada no comando, os apagões viraram rotina – e agora a cidade paga o preço. Enquanto isso, em 2022 preferiram eleger o forasteiro Tarcísio da extrema-direita a governador ao invés do paulistano Haddad. Quando a cabeça não pensa, o kool paga.
Flávio Bolsonaro não vai ser candidato a presidente coisa nenhuma. Isso aí é apenas uma chantagem desesperada sobre o Centrão para ver se votam anistia que tire o pai da cadeia. Imagine se o Rachadinha e vai se candidatar para ser fatalmente derrotado e perder a imunidade parlamentar. Com o seu prontuário policial, estaria em cana junto com o pai em menos de seis meses.
🇺🇸🇦🇷 Javier Milei, de novo nos EUA (12ª vez em dois anos), festejando com os milionários locais que estão comprando sectores públicos argentinos recentemente privatizados.
O desastre de uma megaoperação no Alemão e na Penha de um governo que terceiriza o seu comando
Por Jacqueline Muniz - UFF
Passei o dia inteiro concedendo entrevistas para explicar a irresponsabilidade dos governantes e o desastre operacional de uma operação policial que escancarou o improviso e o populismo na gestão da segurança pública. Estas são 16 apreciações provisórias à espera de mais dados. E espero seguir subsidiando a discussão sobre maior operação solitária do Rio e com a maior letalidade já produzida até agora.
1. Abandono da População e Exposição ao Risco
A operação deixou sem policiamento cerca de cinco milhões de moradores, imobilizando 2.500 policiais para pronto emprego, o que implica em alterar a escala de cerca de 10 mil policiais e mantê-los em prontidão. Um volume de efetivo superior a muitas polícias estaduais e sem capacidade de manter a mobilização e empenho além de um curto período de tempo. Esse contingente concentrado num único ponto da cidade imobilizou efetivos policiais para além das pernas estaduais, e assim abriu brechas para a ocorrência de crimes violentos oportunistas e ataques pontuais e previsíveis de grupos armados em represália. E ainda o mais óbvio: encurtou o tempo de sustentação da própria operação, maximizando seus riscos. O resultado foi o aumento da vulnerabilidade coletiva, a ampliação do medo e o comprometimento dos serviços de segurança pública na região metropolitana.
2. Aumento da Letalidade e da Vitimização
A operação foi conduzida, em sua maioria, com agentes generalistas que não trabalham em unidades especializadas e nem têm qualificação em operações policiais de alto risco. Em boa medida, são policiais convencionais que tocam a rotina burocrática, investigativa e ostensiva, e não apresentam padrão elevado de tiro defensivo por modalidade de tiro policial e por tipo de armamento. Eles, por razões profissionais, atuam em guarnições pequenas ou em tropas e não como corpos táticos, não dispondo de disciplina tática e nem especialização para cenários de alto risco. Este improviso feito pela convocação de policiais sem expertise e preparo técnico para operações policiais especiais amplificou as chances de letalidade e vitimização, entre policiais e civis, multiplicando a insegurança profissional e institucional, a oportunidade de balas achadas/perdidas e de agentes expostos indevidamente. Isto releva a manipulação de policiais como mercadorias políticas e o barateamento de suas vidas tal qual a vida dos moradores das periferias de onde saíram a maioria dos policiais fluminenses.
3. Paralisação da Cidade, Colapso da Mobilidade e Produção de Pânico e Insegurança
A ação inviabilizou a circulação de pessoas, bens, mercadorias e serviços. O bloqueio territorial descoordenado imposto em uma área com cerca de 200 mil habitantes e aproximadamente 500 mil transeuntes em 5,2 km² gerou colapso urbano, atingindo diretamente o funcionamento cotidiano da cidade, impondo-lhe prejuízos econômicos, políticos e sociais. Isto que produziu mais insegurança pública. O espetáculo bélico agravou o temor coletivo, alimentou o pânico moral e disseminou a percepção generalizada de insegurança. Em vez de esfriar a chapa e garantir a rotina na cidade, a previsibilidade e a regularidade de suas ações policiais, o governo produziu medo e desorientação social. E ainda comprometeu a produção e a distribuição de riquezas, impondo prejuízos existenciais e materiais à população da região metropolitana.
5. Comprometimento da Capacidade de Resposta
A mobilização desmedida e insustentável do efetivo de 2.500 agentes estaduais comprometeu a capacidade ostensiva e de pronta resposta das emergências 190 e 192, prejudicando o atendimento a ocorrências reais em outras áreas da cidade, como assaltos, agressões, acidentes de trânsito, deixando milhares de moradores à deriva, entregues à falta de policiamento e de presteza de socorro frente a demandas emergenciais.
6. Sabotagem do Trabalho de Inteligência e Investigação
Ao levar à morte 64 pessoas, suspeitas ou não, a operação terminou por sabotar o trabalho de inteligência e investigação das próprias polícias. Afinal, os mortos, se forem de fato “criminosos”, seriam justamente aqueles que poderiam revelar as parcerias entre Estado e crime, a troca de favores com as clientelas de baixo, ao lado e de cima, destruindo as possibilidades de elucidação das redes criminosas e dos patrões, sócios e funcionários saídos do Estado e da política que conformam esta economia política criminosa.
7. Esgotamento do Recurso Repressivo
O uso politiqueiro, banalizado e desordenado das operações policiais — um recurso caro e nobre que produz repressão qualificada e com foco — gerou o próprio esgotamento da capacidade repressiva das polícias militar e civil, que passam a ser incapazes, a curto e médio prazos, de sustentar resultados da repressão que elas mesmas produziram.
Cabe lembrar que polícia é uma força diuturna e de pronto emprego e que, por isso, não tem estoque de repressão, sendo continuadamente empregada em cada ação policial efetiva. Ou seja, não existe estoque de repressão. Assim, o seu gasto desmedido, o seu abuso ou mau uso implica em esgotamento da própria capacidade de policiar. Este é um dos graves efeitos de operações para espetáculo eleitoreiro.
Cabe também esclarecer que nenhuma operação, em nenhum lugar, é capaz de produzir controle de território e população por tempo indeterminado, pela natureza escassa do recurso repressivo policial. Assim, tal como explica a doutrina de operações policiais especiais, os efeitos das operações são pontuais e provisórios, limitados no tempo e no espaço e com alto custo operacional. Por isso, requerem planejamento e gestão altamente qualificados.
8. Serviço prestado ao Crime Organizado
Não se deve matar as galinhas dos ovos de ouro da investigação e da inteligência. Paradoxalmente, ao matar supostos bandidos, o Estado prestou um serviço ao crime organizado, eliminando possíveis integrantes de sua base criminal-comercial. Trata-se de uma mão de obra barata, precarizada e facilmente substituível, mas que custa para ser mantida de boca fechada dentro e fora das prisões.
Os núcleos dirigentes do CV permaneceram intocados e protegidos com a troca de tiros da polícia com os soldados do tráfico, que não podem recuar ou se render até que os gestores criminais tenham saído do território com o apoio de quem tem tiro certo, matrícula e passabilidade em qualquer lugar: agentes estatais parceiros do crime e milicianos.
9. Ineficácia Operacional e manutenção do poder do CV
A operação pouco afetou a capacidade coercitiva do CV, tal como tem ocorrido nos últimos 40 anos no Rio de Janeiro. Afinal, a capacidade coercitiva do CV não depende do uso de fuzis no controle de perímetros geograficamente irregulares, sem campo de visão claro com pelo menos 180 graus de rotação.
Fuzis são muito pesados, têm baixa mobilidade e pouca vantagem em terrenos acidentados. Para o crime, é mais vantajoso, ao empregar mão de obra com baixa qualificação, o uso de armas automáticas com menor necessidade de especialização, mais leves, que qualquer um possa usar sem muito treinamento, que permitam atirar enquanto correm, pulam ou se movimentam, e com facilidade de recarregar também em deslocamento.
Fuzis requerem mais habilidade, qualidade decisória e posição tática para bom rendimento. Não dá para aprender só com tutorial da internet. Na correria da trocação de tiros, são os primeiros a serem abandonados ao longo do caminho, colaborando com o saldo operacional, atrasando a polícia e dando mais agilidade nos deslocamentos criminosos.
10. Planejamento Politiqueiro e Desrespeito a Protocolos
Sob ingerência eleitoreira, o planejamento da operação conjunta parece ter ignorado os protocolos operacionais de operações policiais das próprias PCERJ e PMERJ, elaborados em 2018, e que determinam parâmetros técnicos de planejamento, comando e controle e avaliação de desempenho operacional por grupo tático.
Se as polícias tivessem ouvido apenas seus protocolos, os resultados não seriam a morte de 64 indivíduos, a multiplicação da insegurança pública e a paralisia da vida no Rio de Janeiro.
Cabe enfatizar que existe doutrina de operações policiais internacional e das polícias estaduais, bem como critérios técnico-científicos de aferição de desempenho.
11. Desinformação e Ausência de Comando
Sem uma sala de operações para alimentar os meios de comunicação e informar a população sobre o que se passava no decorrer da operação e das mudanças na ordem urbana, imperaram os boatos, os rumores e a desinformação — as verdadeiras fontes da insegurança pública. Isso favoreceu o desespero e o caos, paralisando os serviços essenciais na cidade e deixando a população desorientada e vulnerável, entregue ao risco do tiroteio e de outras violências.
Faltou cadeia de comando e controle com coordenação. Aqui, mais uma vez, coube ao Estado criar a insegurança pública e multiplicá-la ao seu extremo. Nenhuma operação policial pode parar uma cidade. Isto é expressão de abuso e mau uso do poder de polícia por quem governa. Tratou-se de reproduzir a POLÍTICA DOS 3 S: primeiro dá SUSTO na população com policia de espetáculo, depois demonstrar SURTO de autoridade com bravatas, cara feia e peito de pombo e por fim promover SOLUÇOS operacionais que não tem sustentação no médio e longo prazos mas que possuem elevado efeito publicitário.
12. O Dever de Casa Malfeito
O governante que cobra integração sequer fez o seu dever de casa: não integrou, nem articulou as próprias agências do Estado, nem buscou coordenar suas funções durante a operação. Em vez de agir de forma sistêmica e planejada, cada órgão foi deixado à deriva, entregue ao seu corporativismo, e o resultado foi o colapso do funcionamento público e o agravamento do temor coletivo.
1. Ministério Público (MP)
O MP deveria ter sido integrado desde a fase de planejamento, garantindo foco, legalidade e repressão qualificada. Cabe ao MP acompanhar a execução das operações, controlar o uso da força, definir prioridades investigativas e resguardar os direitos fundamentais, evitando a banalização da morte como política pública.
2. Defensoria Pública
A Defensoria deveria ter atuado junto com o MP, mantendo plantões itinerantes e canais de atendimento emergencial para a população atingida. Seu papel seria proteger moradores em situação de risco, orientar famílias de vítimas e garantir o acesso à Justiça nos casos de violações decorrentes da operação.
3. Corpo de Bombeiros Militar do Estado
O Corpo de Bombeiros Estadual deveria estar mobilizado para assegurar o pronto-socorro e atuar em resgates e emergências médicas durante a operação. Sem essa presença, vidas se perdem por omissão, e o socorro chega tarde — quando chega.
4. Guarda Municipal
A maior guarda municipal do país deveria ter sido acionada para ordenar o trânsito, desviar linhas de ônibus, orientar fluxos de pedestres e impedir a paralisação total da cidade. Em vez disso, a cidade foi abandonada ao caos, sem controle de circulação nem apoio logístico.
5. Fiscais e Agentes de Trânsito
Os fiscais e agentes de trânsito deveriam ter sido integrados ao esquema operacional, atuando em conjunto com a guarda para liberar vias, sinalizar bloqueios e evitar o colapso urbano. Sua ausência reforçou o imobilismo logístico e o sentimento de abandono coletivo. O resultado foi uma operação “de juntos e misturados”, sem coordenação e sem cadeia de comando efetiva — um retrato fiel do bloco do “eu sozinho” governamental, em que cada órgão foi desmobilizado ou ignorado. O desastre estava anunciado desde o modo como foi executado: com desgoverno da cadeia de comando e controle, sem integração e sem responsabilidade pública partilhada.
13. O Bloco do “Eu Sozinho” e o Falso Teatro da Guerra
Não se pede apoio federal com blindados como quem pede emprestado uma xícara de café. Não é possível colocar as Forças Armadas para fazer “uber” na segurança.
Se é necessário o apoio das FFAA, então é preciso solicitar e partilhar o planejamento, o comando e o controle, para também dividir responsabilidades nos acertos e erros.
Operação integrada não é um churrasco improvisado de final de semana, em que cada um leva o que tem, esquece de levar a carne e de gelar a cerveja. Não é o junto e misturado da roda improvisada de samba, em que se perde o ritmo e se desafina as gargalhadas.
Há que se ter um plano conjunto, com início, meio e fim, para não virar o que foi o final dramático da operação do Alemão em 2010, em que as FFAA entraram e ficaram meses exatamente porque não se tinha efetivo de polícia para manter a retomada de território.
O espetáculo da guerra sem exército desmoralizou o governo em amis um enxuga gelo, ao passo o prejuízo imposto ao crime será reposto em uma semana de faturamento regional e nacional. Por ingenuidade, ignorância, má assessoria política ou oportunismo, desenhou-se uma operação “instagramável” para catapultar o governante, mostrando que ele teria mando de fato e de direito, que é capaz de agir sozinho, sem apoio de ninguém, reproduzindo o bloco do “eu sozinho” heroico governamental.
Como tal operação não tinha como se sustentar desde o início, por razões logísticas básicas, o tempo foi passando e os 2.500 policiais foram sendo forçosamente desengajados, e a operação virou um presente de grego: não pode continuar porque não tem pernas; não pode sair porque os saldos operacionais produzidos não abatem a precificação das mortes e das perdas materiais e existenciais dos moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro.
E, claro, mais uma vez, a ocultação da responsabilidade política do comandante em chefe das polícias implicava pôr a fatura na conta do STF e do governo federal que também tem deixado a desejar quando o assunto é a política de segurança pública.
14. A Culpa É Minha e Eu Ponho em Quem Eu Quiser
Como de praxe, um governante que vira animador de auditório, servindo de garoto-propaganda de operações, torna-se dependente de saldos operacionais “instagramáveis”, independentemente da legalidade com que foram produzidos. Ficam todos os governantes municipais, estaduais e federais dependentes do que as polícias podem produzir e entregar. E quase que obrigados a fechar os olhos para os maus usos e abusos do poder de polícia. Quando o saldo operacional é bom todo governante se torna pai da operação policial e vira uma espécie de garoto-bombril e suas mil e uma utilidades políticas e partidárias das policias. E num contexto de terceirização do comando da segurança pública para grupos corporativistas e correligionários, o governante abdica de assumir responsabilidade como comandante em chefe e atribui a culpa a outro alguém federal, estadual ou municipal conforme a conveniência, convivência e conivência.
Blefa quando diz que a ADPF das Favelas algemou a polícia, quando na verdade o que a ADPF fez foi exigir profissionalismo policial e o cumprimento da doutrina policial de uso da força e, por sua vez, da doutrina de operações policiais.
A ADPF 635 cobrou, pela primeira vez, que a polícia fosse Polícia com “P” maiúsculo.
Durante sua vigência, viu-se o crescimento das operações policiais no Rio, como demonstrado pelo Fogo Cruzado. Dizer que a ADPF fez prosperar as barricadas é, no mínimo, infantil. Até porque barricadas são demonstrações visuais da incapacidade do CV, TCP ou qualquer outro domínio armado de garantir soberania sobre território.
Servem para controlar fluxos de pessoas, dificultar invasões de grupos rivais e servem muito pouco para conter ou impedir polícias, que não são bandos, e sim organizações armadas com superioridade de meios e métodos. Se lá estão as barricadas, é porque o Estado assim quer, como parte do arrendamento dos espaços populares para o crime. Barricada serve para o CV ganhar alguma vantagem defensiva contra rivais de mesmo calibre. Barricadas viram brinquedo diante das polícias e FFAA.
15. A Falácia da Falta de Integração Porque Falta Lei
Nada mais enganoso do que afirmar que a falta de integração com o governo federal deriva da ausência de uma lei — como a PEC da Segurança ou o Pacote Anticrime.
Cabe esclarecer que, com os dispositivos normativo-legais que já dispomos, é possível fazer agora operações conjuntas, operações integradas e forças-tarefas.
Todas elas provisórias e limitadas no tempo e à sua missão, como devem ser, para garantir resultados superiores e transparentes.
Este tipo de atuação integrada não precisa esperar mudança legislativa, por melhor que ela seja. E seja mesmo necessária. Isso porque se trata de decisões de natureza política e administrativa-procedimental, ao alcance de qualquer gestor em posição de mando.
A lógica brasileira de vender para o cidadão inseguro e desinformado que só mudando a lei se muda o mundo é um caldo liberal-autoritário que serve como desculpa para a produção do monopólio do nada fazer e para a ocultação da ausência de políticas nacionais, estaduais e municipais. Vender a fantasia de que só com a mudança da lei algo pode ser feito é matar a política pública e ocultar leniências.
E mais: é dar serviço aos outros sem se comprometer com a execução da própria lei, insinuando que “já fez a sua parte” ao criar a lei, e eu agora seria com quem executa — como se as leis não pudessem criar problemas de execução, gastos e prestação de contas.
Além de uma covardia moral, é colocar o medo, a insegurança e a violência vivida hoje pela população no final de uma fila de espera. Como se medo e insegurança pudessem ser adiados até a aprovação da lei milagrosa. Não dá para pedir ao crime organizado, aos criminosos do cotidiano, que suspendam suas atividades e só voltem a atuar quando tivermos uma lei que integre ou uma lei mais dura.
Há por fim neste ilusionismo da mudança da lei como salvação imediata o delírio de uma big-data total de todas as informações e uma inteligência central, do bem naturalmente, que de cima para baixo articularia todas as policias, a cada demanda, a cada ação. Nada mais ingênuo, pois nem a ditadura conseguiu este admirável mundo do comando e do controle único e central. Tem-se aqui o fetiche autoritário a brasileira com um novo papel de bala. Veja que integração aqui corresponde a uma unificação e uniformização e monopólio de fontes em um país federativo, de larga escala e com diversidade de cenários e desafios de atuação que na prática quer estabelecer quem manda em quem e quem é o manda em tudo.
16. A Verdade Que não se Quer Falar
Nenhuma organização criminosa no Rio de Janeiro controla plenamente o território. O controle é sobre a população, por meio da ameaça do uso da violência.
E, para existir, essas organizações dependem da parceria com o Estado, que garante previsibilidade e estabilidade aos arrendamentos territoriais para o crime.
Não existe essa história de poder paralelo — cuja finalidade foi ocultar as relações entre política e crime organizado. É o Estado que, funcionando como uma agência reguladora do crime — para o bem ou para o mal —, organiza ou desorganiza o crime desde dentro.
Não há como garantir domínio territorial armado com alguma estabilidade de mando sem a colaboração direta dos poderes estatais. Não há e nunca houve Estado ausente. O que há no Rio são governos que negociam sua forma de presença, como também se vê em outros estados e em outros países.
Bem, estes foram alguns pontos esclarecidos em minhas entrevistas e que, mais adiante, quando dispuser de mais dados sobre esta operação de 28/10/2025 no Alemão e na Penha, poderei explicitar os parâmetros técnico-científicos assentados em evidências empíricas que nos ajudem a quebrar os mantras que nos iludem e desmascarar as cloroquinas da segurança que nos envenenam com falsas explicações. Até a próxima postagem.