Ontem foi um jogo especial, consegui convencer meu pai a ir num jogo depois de quase 18 anos, última vez dele tinha sido o fatídico confronto contra o Fortaleza em 2004.
Ontem foi no jeito @AvaiFC de ser, sofrido!!
Vamos lá, galera. Isso aqui é minha tese de monografia. Eu virei meses lendo vários jornais e reportagens da época.
A Argentina não precisava ganhar de 6 a 0. Na verdade era de 4 a 0, mas este resultado por si só já era bastante improvável. Por quê?
A reputação da seleção peruana era muito maior do que atualmente. Na época, os peruanos tinham o Teófilo Cubillas — eleito pela FIFA em 2004 um dos 50 melhores jogadores do século XX.
Cubillas jogava no Porto e levou o Peru ao título da Copa América em 1975. Na Copa de 1978, fez 5 gols. Apenas um a menos do que o artilheiro Kempes.
O Peru para vocês terem uma ideia foi o 1° colocado do grupo 4 naquele Mundial. Um grupo que tinha a finalista de 1974 e daquela edição: a Holanda de Rosenbrink, Neeskens e outros. Além da Escócia de Kenny Dalglish.
Esta parada de que os jogadores do Peru admitiram que venderam o resultado é polêmica. Não existe comprovação. Na verdade, existiram várias teses:
1) O goleiro Queiroga, nascido na Argentina e jogador da seleção peruana, teria sido ameaçado por Videla (ditador argentino) e entregado o jogo. Obs: Quiroga sempre negou.
2) O governo argentino teria negociado com o ditador peruano Francisco Morales Bermúdez, oferecendo 14 mil toneladas de trigo e créditos especiais em troca do resultado;
3) Havia versões segundo as quais todos os jogadores peruanos teriam recebido US$ 50 mil, enquanto outras afirmavam que apenas alguns foram subornados;
4) Seguindo esta última tese, recentemente o ex-jogador peruano José Velásquez, que fazia parte daquela seleção, afirmou que seis companheiros "se venderam". Ele chegou a citar quatro nomes (Rodulfo Manzo, Raúl Gorriti, Juan José Muñante e Ramón Quiroga), mas reconheceu que não tinha provas materiais para sustentar a acusação.
5) Houve a denúncia do ex-senador peruano Genaro Ledesma, segundo a qual teria existido um acordo envolvendo a transferência de 13 presos políticos peruanos para a Argentina, no contexto da Operação Condor — uma das operações mais tenebrosas de comunhão entre as ditaduras na América do Sul.
Enfim, o fato é que aquela Copa do Mundo foi uma das maiores aberrações da história. A Argentina tinha 30 mil desaparecidos e teve protestos do mundo inteiro para que a competição não ocorresse lá.
No fim, venceram, porém com várias polêmicas. A Copa sendo usada como propaganda do regime sangrento do Videla, mudança de horário de jogos como citado no vídeo, visita do Videla aos vestiários (incluindo o peruano), craques não disputando como o Cruyff.
Este último mesmo meses antes na Espanha sofreu uma tentativa de sequestro. Na Copa, o Helicóptero que carregava o Videla caiu — e neste dia ele não pegou. Os outros passageiros morreram. O homem que era para organizar a Copa do Mundo, o general Omar Actis, foi assassinado.
Quem assumiu foi um cara que foi o braço direito do João Havelange (presidente da FIFA) durante anos assumindo cargos na FIFA e CONMEBOL, o general Carlos Alberto Lacoste.
Havelange foi bastante criticado. Passava pano para o regime. O Lacoste que dizem que negociou o 6 a 0. Ele esteve envolvido em vários escandâlos de corrupção e enriquecimento ilícito. A Justiça argentina apontou que seu patrimônio aumentou cerca de 443% entre 1977 e 1979.
Enfim, se vocês acham a atual Copa do Mundo polêmica é porque não leram sobre a de 1978. É assustador tudo que ocorreu. A FIFA como sempre se rendendo a regimes ditatoriais.
O futebol é o esporte mais bonito já inventado. E pelos motivos mais loucos.
Em primeiro e mais importante lugar, porque decidiu contrariar o corpo humano.
Parece exagero, mas não é. A nossa espécie passou milênios se gabando das mãos. Polegar opositor, ferramenta, escrita, espada, bisturi, controle remoto, celular. Quase tudo o que fazemos bem passa por elas. A mão é a arrogância anatômica do ser humano.
O futebol olhou para isso e disse que não.
No futebol, a parte mais habilidosa do corpo é quase proibida. As mãos ficam ali, inúteis, penduradas, como se fossem um acessório constrangedor. Só um sujeito pode usá-las, justamente aquele colocado para impedir a alegria dos outros. O resto precisa resolver a vida com os pés, com a cabeça, com o peito, com o ombro, com o improviso e com uma dose generosa de erro.
Isso muda tudo.
Com as mãos, o corpo obedece. Basta ver um jogo de basquete para entender. A bola parece extensão natural do atleta. Ela vai, volta, quica, gira, entra. Há beleza nisso, claro. Mas há também uma certa obediência do mundo. A mão manda e a bola aceita.
Com os pés, a bola negocia.
Ela escapa meio metro. Ela bate na canela. Ela quica no gramado ruim. Ela trai o craque e humilha o perna de pau. Ela transforma um domínio simples em pequena tragédia. Ela permite que um passe fácil vire lateral e que um chute torto entre no ângulo.
Essa é uma parte enorme da graça. O futebol é difícil porque é jogado contra a própria anatomia. Um drible perfeito vale mais porque não deveria ser tão limpo. Um lançamento de quarenta metros vale mais porque saiu de uma parte do corpo que, em tese, foi feita para caminhar. Uma bicicleta vale mais porque desafia a física, o bom senso e a lombar.
Com as mãos, muita coisa parece possível. Com os pés, quase tudo parece improvável. O futebol nasce desse quase.
O segundo motivo é igualmente insano. O futebol é o único esporte em que tudo foi pensado para ter o mínimo possível de pontos ou gols. Foi desenhado para torná-lo raro.
O impedimento existe para atrapalhar o gol. O goleiro existe para atrapalhar o gol. A defesa existe para transformar o caminho até a rede em um labirinto de pernas, faltas, desvios, tropeços e gritos de “sobe”.
Sem goleiro e sem impedimento, o futebol seria outra coisa. Talvez um esporte de placar alto. Talvez mais palatável para quem precisa de pontuação constante para acreditar que algo está acontecendo. Mas seria menos futebol.
O futebol vive da espera.
Boa parte da partida é feita de aproximações. Um passe que não entra. Um cruzamento alto demais. Um atacante que sai um segundo antes. Uma bola na trave. Uma defesa impossível. O jogo vai acumulando tensão. A torcida sabe que o gol pode não vir. E justamente por isso, quando vem, ele rasga tudo.
O gol não é apenas um ponto. É uma explosão, uma libertação de toda a tensão acumulada.
É gente abraçando desconhecido. É pai lembrando do filho. É filho lembrando do pai. É cerveja voando e todos achando razoável. É arquibancada virando corpo coletivo por alguns segundos. Ninguém comemora uma cesta de três pontos como comemora um gol aos 43 do segundo tempo. Não há equivalência possível. O gol é raro demais para ser tratado com educação.
Por isso o futebol incomoda tanto aqueles que se acostumaram a muitos pontos. Ele não entrega recompensa em intervalos regulares. Ele não promete justiça proporcional. Um time pode ter a bola o jogo inteiro, criar quinze chances, chutar na trave, obrigar o goleiro adversário a fazer a melhor partida da carreira e perder de um a zero em um escanteio mal defendido.
Isso não é falha do futebol.
É futebol.
A retranca pode ser feia, mas pode funcionar. A posse de bola pode ser elegante, mas nem sempre resolve. O time inferior pode se fechar, sofrer, gastar tempo, buscar uma falta lateral e achar um gol chorado no fim. O empate pode ser grande resultado. O zero a zero pode ser uma operação de sobrevivência.
Resto em
https://t.co/6EHvIYqILP
Foguetório de torcedores do Avaí nos arredores do Orlando Scarpelli com a confirmação do rebaixamento do Figueirense para a Série B catarinense, após o clube perder em casa para o Carlos Renaux.
(Via @PolidoroJunior)
SAF no momento atual era a única solução, agora é esperar o trabalho da Genial e torcer por investidores que consigam transformar a gestão do nosso Avaí
A SAF do Avaí foi APROVADA na assembleia geral dos sócios!
Foram 352 votos a favor e 109 votos contra.
Com as duas votações (Conselho Deliberativo e sócios) o Avaí vai poder abrir uma SAF.
LILIAN THURAM: "The first time I faced Ronaldo Nazario I was at Parma and he was at Inter. The game started and after a while, I found myself face to face with him. He would line you up and caress the ball in a way that was so unusual it left you mesmerized. All of that at a speed never seen before.
That day he dribbled past me, left me frozen, and was heading straight for goal. I yelled at Cannavaro, take him down, take him down. Fabio fouled him and the ref booked him. On the next play, he pushed the ball forward at full speed and I had to foul him. Right then, Fabio looked at me and whispered: 'Lilian, we’re going to end up with 9 men tonight. How do we stop this guy?'
Ronaldo heard it all, came over to us, and with very basic Italian, said: sorry, I’m overdoing it. Cannavaro and I looked at each other and didn’t say a word. With those words, he made us feel so small, almost powerless. That was also part of being the Phenomenon. At the end of the match, I didn’t hesitate to go ask him for his jersey."